SÍLVIO BOTELHO – Nova feira-livre já tem mais de 30 boxes e funciona todos os dias

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A nova feira-livre se formou na frente do mercado Laura Pinheiro Maia – abandonado pelas duas últimas administrações

Criada há cerca de três meses em frente ao Mercado Municipal Laura Pinheiro Maia, no bairro Silvio Botelho, a nova feira-livre de meio de rua já conta hoje com mais de 30 boxes que comercializam de quase tudo um pouco – principalmente gêneros alimentícios, como frutas e verduras – e a preços bem abaixo dos praticados nos supermercados. A feira começou modesta, com apenas alguns boxes, ganhando corpo à medida em que a população foi aderindo à ideia. Funciona todos os dias, até tarde da noite.

Embora a nova feira-livre não tenha recebido ainda a aprovação e homologação da Prefeitura de Boa Vista, o empreendimento pelo menos deu uma nova utilidade para o espaço, já que o mercado Laura Pinheiro Maia – construído ainda na gestão do brigadeiro Ottomar Pinto, quando foi prefeito de Boa Vista (1997-2000). O mercado foi construído com 54 boxes, para oferecer como alternativa à Feira do Garimpeiro, que todos os domingos fecha o tráfego na Ataíde Teive, por vários quarteirões, a partir do cruzamento com a Avenida São Sebestião, no bairro Asa Branca.

Além dos 54 boxes muito bem estruturados, Ottomar também pretendia construir uma estrutura coberta para abrigar os ambulantes ao redor do mercado. A ideia era brilhante, mas ele foi vencido pela resistência da maioria dos feirantes da Ataíde Teive. Como era ano eleitoral e o prefeito não queria brigar com seus eleitores, Ottomar foi obrigado a abandonar a ideia. Hoje, o Mercado Laura Pinheiro, localizado em frente à praça Germano Sampaio e ao lado do Restaurante Popular da Prefeitura, é sinônimo de abandono e depredação do bem público. Serve apenas para abrigar marginais, além de servir de motel à noite para quem não tem medo de ser assaltado.

O prefeito Iradilson Sampaio (PSB) – assim como sua antecessora, Teresa Surita (PMDB) – simplesmente transformou o mercado municipal em um grande ‘elefante branco’. Após muitas cobranças por parte da imprensa, a Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo (SMOU) da atual gestão ainda chegou informar que o local seria reformado e adequado para abrigar um espaço cultural, com salas de cinema popular, oficinas, artesanato, entre outras atrações. Pura enganação. Nada disso aconteceu.

Iradilson Sampaio também chegou a dizer, em entrevista à Folha de Boa Vista em janeiro de 2010, que tinha um projeto para transformar o mercado municipal num Centro de Formação Profissional, para oferecer cursos gratuitos à comunidade, preparando mão-de-obra qualificada para as vagas que serão geradas com a instalação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e a Área de Livre Comércio (ALC) de Boa Vista. Até hoje, nenhuma providência foi tomada e o mercado continua entregue ao abandono e ao vandalismo.

A criação da nova feira-livre é, portanto, apenas o resgate de parte da ideia do brigadeiro Ottomar Pìnto, em oferecer um local adequado para abrigar pequenos comerciantes, gerando mais emprego, renda, e alternativas de produtos a preços acessíveis à população. Um dos feirantes ouvidos pelo FatoReal revelou que até o momento ninguém da Prefeitura compareceu ao local para dizer se aprova ou não a iniciativa.

“Nós estamos esperando que alguém venha nos dizer se estamos certos, ou errados, se a Prefeitura aprova ou não a nossa iniciativa. Enquanto não aparece ninguém, vamos continuar trabalhando, à espera de uma decisão que seja favorável a nós. Afinal, não estamos fazendo nada de errado, mas apenas trabalhando de forma honesta para sustentar nossas famílias e prestando um grande serviço à população, que agora conta com mais uma feira para comprar seus produtos”, disse.

Essa é mais uma questão a ser resolvida pelo próximo prefeito de Boa Vista.

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

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