AUDIÊNCIA PÚBLICA – Prefeita de Caracaraí pede socorro para diminuir alto índice de suicídios

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Prefeita Socorro Guerra: “A coisa tomou uma proporção tão grande, que nós estamos perdendo o controle” / Foto: Eduardo Andrade /

Por meio da Defesa dos Direitos Humanos, Minorias e Legislação Participativa, a Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) discutiu em audiência pública, na manhã desta quinta-feira, 11, no plenário Noêmia Bastos Amazonas, políticas públicas de combate ao suicídio. A audiência atendeu requerimento de autoria da presidente da comissão, deputada Catarina Guerra (SD), que coordenou os trabalhos, juntamente com o deputado Evangelista Siqueira (PT), vice-presidente da comissão.

A audiência pública foi transmitida ao vivo pela TV Assembleia (canal 57.3) e pela página da ALE-RR no Facebook. O documentário “Depressão: você não está sozinho”, produzido pela equipe da emissora no final do ano passado, foi exibido na abertura dos trabalhos.

O destaque da audiência foi o pedido explícito de ajuda por parte da prefeita de Caracaraí, Socorro Guerra (SD). Conforme dados estatísticos do Ministério da Saúde, Roraima figura – proporcionalmente – como primeiro lugar em casos de suicídio no Brasil, enquanto Caracaraí é hoje o município com maior índice no Estado.

Em sua fala, a prefeita Socorro Guerra apresentou dados segundo os quais, em 2016 foram registrados 10 casos de tentativa de suicídio em Caracaraí, em 2017 foram 23, no ano passado 46 e, este ano, de janeiro até agora, já foram 15 tentativas.

“O índice de suicídio em Caracaraí é bem maior do que os números oficiais. Esses dados são daquelas pessoas que procuram ajuda, que vão ao hospital. E aquelas que estão escondidas? Porque depressão é uma coisa íntima, é da tua alma. Ninguém consegue abrir a alma assim, com facilidade. Muitos se fecham, a família se fecha. E Caracaraí está perdendo seus jovens, principalmente”, alertou.

Segundo a prefeita, o caso mais recente aconteceu na última sexta-feira, quando uma jovem tentou o suicídio por enforcamento. Socorro Guerra disse que a Prefeitura de Caracaraí dispõe de uma equipe multidisciplinar, que trabalha diuturnamente – embora com poucos recursos – para salvar os jovens do seu município, mas que ainda é insuficiente.

“Diante desse quadro alarmante, eu não sabia mais o que fazer a não ser pedir socorro. E eu estou aqui gritando por socorro. Vamos salvar o nosso povo”, conclamou.

De acordo a prefeita, a equipe do CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial) de Caracaraí é composta somente por uma psicóloga, uma psiquiatra, uma assistente social, um pedagogo e uma enfermeira, para atender a mais de 1.200 pessoas com problemas psicológicos. “O CAPS não dispõe de mais profissionais porque o Município não dispõe de mais recursos”, enfatizou.

Rede suicida

A prefeita também fez uma revelação assustadora. Segundo ela, há fortes indícios da existência de uma espécie de rede suicida no WhatsApp.

“É um grupo com aproximadamente 60 jovens que tratam a morte com banalidade, como se fosse a coisa mais simples. Tratam a vida como qualquer coisa e estão conversando entre si. Desse grupo, nós temos informações de que duas jovens já cometeram suicídio. Isso é grave!”, apontou.

Ao final de sua fala, a prefeita fez um apelo aos representantes das instituições presentes, como Governo do Estado, Assembleia Legislativa, igrejas, aos profissionais ligados à área, entre outros, que ajudem Caracaraí.

“Não temos dinheiro, mas podemos dar suporte a quem tiver interesse em ajudar. Precisamos montar uma grande equipe de pessoas interessadas, que querem o bem, para que possamos salvar os nossos jovens. Caracaraí pede socorro sim! A coisa tomou uma proporção tão grande, que nós estamos perdendo o controle. E eu não quero perder o controle de lutar pela vida, de lutar pela pessoa e de que todos sejam felizes”, enfatizou Socorro Guerra.

Ações práticas

A presidente da comissão, deputada Catarina Guerra (SD), disse que a audiência serviu para incentivar o diálogo entre profissionais da saúde, autoridades do governo, representantes das igrejas e voluntários da valorização da vida.

“A audiência serviu para esclarecer pontos sobre o suicídio e o que devemos fazer para tirar Roraima do ranking dos Estados que têm os índices mais altos de suicídio no Brasil. Este assunto não vai parar por aqui. Todos os dias precisamos alertar e trabalhar por isso. A vida é um presente de Deus!”, reforçou.

Entre as ações que devem ser realizadas como resultado da audiência pública, o psicólogo e mestre em Ciências da Saúde, Wagner Costa, se ofereceu para ir até Caracaraí para realizar rodas de conversas com as famílias do município. Ele também sugeriu a criação de spots educativos para serem veiculados pela TV Assembleia e demais emissoras comerciais do Estado, enfocando as ações que ajudam no combate à depressão e, consequentemente, ao suicídio.

“Vamos montar um grupo de profissionais para criar conteúdos técnicos e, por meio da TV Assembleia, elaboramos os spots para rádio e televisão. A Assembleia Legislativa, por sua vez, faz a articulação entre os meios de comunicação, para a veiculação dessas pequenas propagandas em suas programações, como utilidade pública. Seria uma forma simples de estamos repetindo informações. Do mesmo jeito que nós aprendemos músicas que não queremos, também podemos aprender conteúdos que são úteis para salvar vidas”, sugeriu.

Os demais integrantes da Mesa dos trabalhos relataram o trabalho que realizam no combate ao suicídio no Estado. No final da audiência, todos assinaram uma carta onde se comprometem a realizar ações que façam a diferença na vida das pessoas e envolvam os jovens nessa dinâmica, assim como a elaboração de uma cartilha de prevenção e dicas de como identificar possíveis vítimas.

Além de Catarina Guerra e Evangelista Siqueira, estavam presentes os deputados Gabriel Picanço, Aurelina Medeiros e Angela Aguida Portella. Também compareceram o bispo diocesano D. Mário Antônio, vereador e pastor Manoel Neves, da Igreja Universal; a secretária estadual do Trabalho e Bem-Estar Social, Tânia Soares, além de representantes do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima, e representantes da OAB-RR, CRM-RR, Conselho de Psicologia de Roraima, Centro de Valorização da Vida, entre outros.

DA REDAÇÃO

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