AGOSTO DOURADO – Em sessão especial, ALE-RR presta homenagem às mães doadoras de leite

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As pessoas homenageadas receberam certificados de “Mãe Doadora” e “Amigo Dourado” / Foto: Diego Dantas /

Em comemoração ao Dia Mundial do Aleitamento Materno (comemorado em 1º de agosto) e à Semana Mundial do Aleitamento Materno, a Assembleia Legislativa de Roraima realizou, na manhã desta quinta-feira, 15, uma sessão especial para homenagear as mães doadoras de leite e demais parceiros do Banco de Leite Humano de Roraima (BLH-RR). A sessão solene foi proposta pela deputada estadual Catarina Guerra (SD), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Minorias e Legislação Participativa da ALE-RR.

Em seu discurso de abertura, a deputada Catarina Guerra enfatizou não se tratar de uma homenagem somente dela, mas de toda a Assembleia Legislativa, em razão do trabalho realizado por tantas pessoas que, com o simples gesto de doar o leite materno excedente, estão ajudando a salvar vidas de crianças prematuras internadas na UTI Neonatal do Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN), por meio do trabalho realizado pelo BLH-RR e parceiros.

“Precisamos de mais pessoas assim como vocês no mundo, em qualquer ambiente, porque juntos vocês fazem a diferença. Estamos no Agosto Dourado que trata de amamentação, um ato simples que salva vidas, que alimenta um ser humano e que ajuda na saúde de muitas mães”, afirmou.

De acordo com a parlamentar, o BLH-RR realiza um trabalho de extrema importância, juntamente com o Corpo de Bombeiros militar de Roraima (CBMRR), entre outros parceiros, na coleta, no incentivo às mães dividirem o alimento de seus filhos com as crianças que precisam, ajudando outras mães a salvar vidas.

“Chama a atenção o fato de que 350ml de leite podem alimentar até 10 bebês recém-nascidos. A gente pode pensar que é pouco, mas a verdade é que isso faz muita diferença. Vocês são guerreiras e um grande exemplo para a sociedade”, disse.

Catarina Guerra revelou que, como mãe, amamentou suas duas filhas e obteve ajuda do Bando de Leite, o que garantiu o êxito nessa fase tão importante da vida da criança.

“Me orgulho muito de ter amamentado. Infelizmente não fui doadora, mas cada mãezinha tem o seu jeito, umas produzem mais, outras produzem menos; umas podem doar, outras precisam receber, e esse receber é que tem feito toda a diferença”, observou.

Parceria de peso

Ao fazer uso da palavra, a coronel Vanísia Sousa Santos (do CBMRR), coordenadora do Projeto Bombeiro Amigo do Peito, disse que não se trata de um projeto de Governo, mas de Estado. “Desde 2002, nós trabalhamos, aperfeiçoamos os nossos militares para que pudessem em parceira com o Banco de Leite atuar. A gente já reformulou como funciona o projeto, agora a gente faz a rota e temos uma parceria muito positiva”, detalhou.

Na opinião dela, as mães parceiras não são apenas doadoras de leite, mas de vida. “São as crianças que estão na UTI Neonatal, que estão com o peso abaixo do indicado, que precisam desse leite. O mais importante é a conscientização. Se cada um de nós passar essa mensagem, nosso Banco de Leite funciona eficientemente. Além disso, também incentivamos as nossas militares a amamentarem”, detalhou.

Ainda de acordo com a coronel Vanísia Santos, o Amigos do Peito não é o único projeto do CMBRR que ajuda o BLH. Ela lembrou que o Projeto Bombeiro na Escola também realiza gincanas com os alunos das instituições de ensino visitadas para que eles doem frascos que serão utilizados no armazenamento do leite, em troca de uma sessão de cinema como premiação.

A coordenadora do BLH, Sílvia Furlin, a gradeceu a parceria do CBMRR e do artista plástico Edinel Pereira que, sempre quando é solicitado, realiza atividades com as mães internadas na UTI Neonatal e Adália Siqueira (coordenadora do Projeto Meu Bebê Minha Vida).

“Toda a sociedade roraimense precisa conhecer o Projeto Meu Bebê Minha Vida. Esse projeto é desenvolvido através de artesanato, profissionalizando essas mães, que ficam com seus bebês internados na UTI por meses. Esse projeto dá a elas uma atividade ocupacional e isso se deve ao trabalho que a Adália vem desempenhando”, reconheceu.

Conforme Sílvia Furlin, o BLH-RR já está no quinto Selo Ouro Ibero-Americano, igualando Estado às grandes capitais, nos grandes Estados do País. “É sempre uma satisfação quando a Rede Brasileira e a Rede Global de Bancos de Leite Humano chama o Estado de Roraima, porque nós sabemos das nossas dificuldades, os nossos equipamentos ainda são muito defasados, precisamos de investimentos no nosso Banco de Leite, mas uma coisa a gente pode garantir: é que o nosso processo de trabalho está correto”, comemorou.

Depoimento emocionante

Juliana de Souza, mãe beneficiada com as doações de leite humano para sua bebê prematura, emocionou a todos com seu depoimento / Foto: Diego Dantas /

O depoimento de Juliana Elisa Cechinoto de Souza, mãe beneficiada com as doações, emocionou a todos os presentes na sessão solene. Ela disse que, até precisar, não sabia da existência das mães doadoras de leite. Segurando sua bebê no colo, Juliana disse que teve um parto prematuro extremo. “Minha filha nasceu com 26 semanas de gestação, o equivalente a 5 meses e meio, pesando 778 gramas”, revelou.

Com dois dias do parto, Juliana conseguiu ir à UTI da Maternidade pela primeira vez e lá foi informada que uma jornada de pelo menos três meses estava se iniciando. “Foram muitas lutas, muitas idas e vindas, muitos momentos de desespero, mas com uma coisa eu não precisei me preocupar: com o leite que a minha bebê iria mamar”, disse.

Devido a tantas questões que abalaram seu psicológico, Juliana não conseguia produzir leite o suficiente para alimentar sua filha. “Eu passava horas para tirar apenas 30ml, que é a quantidade de apenas uma mamada. Eu precisava tirar oito vezes mais que isso. E foi aí que eu descobri as mães doadoras e elas supriram essa necessidade. Durante quase três meses, elas amamentaram a minha bebê, que está aqui hoje, para contar a história e dizer ‘muito obrigada!”, agradeceu, ao desejar “muitas bênçãos de Deus” para as mães doadoras.

Entrega do Certificado

Ao final da sessão especial, foram entregues os certificados de “Mãe Doadora” e “Amigo Dourado” aos parceiros homenageados. Receberam o Certificado Amigo Dourado: Sílvia Furlin (diretora do BLH-RR), coronel Vanísia Sousa Santos (coordenadora do projeto Bombeiro do Amigo do Peito, do CBMRR); Adália Siqueira (Projeto Meu Bebê Minha Vida), Adriana Casseli (diretora do HMINSN) e Edinel Pereira (artista plástico).

Como Mãe Doadora, receberam o certificado: Daniele Costa Moraes (considerada a maior doadora de leite humano até hoje, com 69 litros e 910 ml) e Leilane Carvalho Amorim (a segunda maior doadora, com 45 litros e 950 ml de leite), além de Clebiane Pereira Pinheiro (terceira maior doadora, com 29 litros e 130ml), representando todas as demais mães doadoras de leite humano.

Conscientização da população

Para a deputada Catarina Guerra, a população de Roraima precisa ter ciência desse belíssimo trabalho que é realizado dentro da Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, por meio do Banco de Leite e parceiros.

“Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas na saúde, o Estado de Roraima é exemplo para todo o Brasil pela realização desse trabalho, que é digno das nossas homenagens, respeito e agradecimento. Precisamos, principalmente, incentivar a continuidade desse trabalho”, disse.

Segundo a parlamentar, o convívio com mães, com gestantes e lactantes, despertou nela o desejo de realizar muitas ações, a ter um olhar diferenciado para essa questão. Uma dessas ações é uma PEC, de sua autoria, que propõe um descanso de meia hora em cada período da jornada de trabalho, para que as mães servidoras públicas possam amamentar seus bebês.

“Após a licença maternidade, a mãe servidora tem que retornar ao trabalho e essa é uma de suas maiores dificuldades. A primeira saída que a mãe acha é parar de amamentar. Mas se aquela mãe puder ter ao seu dispor por 30 minutos em cada turno da jornada de trabalho para amamentar seu bebê, acumulando uma hora ao final do dia, ela vai manter aquele vínculo com seu filho e trabalhar até com mais disposição”, enfatizou.

De acordo com Catarina, são inegáveis os benefícios da amamentação para a saúde da criança e da própria mãe, já reconhecidos inclusive pelo Ministério da Saúde.

“É um benefício pequeno, que não gera ônus nenhum para o Estado. Pelo contrário, estimula a mãe a voltar ao trabalho com mais calma, com mais confiança, sabendo que tem aquele intervalo para amamentar seu filho”, disse, acrescentando que a PEC já foi aprovada em primeiro turno na ALE-RR e espera que volte ao Plenário para a segunda votação nos próximos dias, com o mesmo resultado para que o benefício possa entrar em vigor.

Entre os demais parlamentares, estavam presentes as deputados Lenir Rodrigues (Cidadania), Angela Águida Portella (PP) e Aurelina Medeiros (Pode), além dos deputados Neto Loureiro (PMB), Eder Lourinho (PTC) e Renato Silva (PRB).

DA REDAÇÃO

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