VIDA EM PRIMEIRO LUGAR – Grito dos Excluídos e Excluídas ecoa este ano por justiça, direitos e liberdade

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Manifestação popular acontece neste sábado, 07, às 16h, em Boa Vista

Ato é organizado pela Igreja Católica, movimentos sociais, sindicatos e sociedade civil organizada / Foto: Cleber Castro /

O Grito dos Excluídos e Excluídas, tradicional manifestação popular que denuncia a exclusão social, é realizado em todo o país em meio às comemorações da Independência do Brasil. Este ano chega à sua 25ª edição, tendo como tema “Vida em Primeiro Lugar” e lema “Este sistema não vale: lutamos por justiça, direitos e liberdade”.

Na capital Boa Vista, a mobilização ocorre neste sábado (07), com a concentração às 16 horas, próximo à escola Estadual América Sarmento, no bairro Sílvio Botelho, e vai percorrer cerca de um quilômetro até a Praça de Eventos do Parque Germano Augusto Sampaio.

O ato público, organizado pela Diocese de Roraima, Pastorais Sociais, Movimentos Sociais, Sindicatos e outras organizações da Sociedade Civil, terá paradas temáticas. A abertura será com o bispo de Roraima, Dom Mário Antônio da Silva, logo em seguida, o primeiro grito abordará o Sínodo para a Amazônia e o cuidado da Casa Comum.

A caminhada seguirá pelas principais avenidas do bairro, refletindo o valor da implementação e reafirmação de políticas públicas básicas, como esporte, educação, cultura, saúde, entre outras. O Grito pretende ainda dar visibilidade ao combate da violência contra mulher e comunidade LGBTQi+, contra a corrupção e pela necessidade de garantir a posse da terra aos pequenos lavradores, responsáveis pela agricultura familiar.

As temáticas de migração e questão indígena serão abordadas na última parada, na Germano Sampaio. A equipe de preparação promete um evento diferente dos demais anos. O encerramento do Grito será lúdico, de forma a incentivar o cuidado com a diversidade da Amazônia. Este momento está sendo guardado a 7 chaves pela equipe de metodologia.

O coordenador das Pastorais Sociais da Diocese de Roraima, Irmão Danilo Bezerra, da Congregação Marista, ressaltou que, nesta edição, o Grito vive dois contextos importantes: o eclesial e o social.

“Como estamos em preparação para o Sínodo da Amazônia, o Grito nos provoca a refletir a nossa ação em defesa da Amazônia, seja como igreja, seja como sociedade. Queremos trazer o grito das lutas e resistências do povo, bem como a missão da igreja nessa vasta região Amazônica”, frisou.

Ele complementou que o contexto social, o segundo aspecto que difere das demais edições anteriores, “os brasileiros têm vivido um verdadeiro retrocesso dos direitos. Enquanto Diocese, nós apoiamos e realizamos o grito, junto com outros movimentos sociais e sindicatos, porque acreditamos no trabalho de base e na população que deve e pode ocupar as ruas e praças por justiça, direitos e liberdade”.

Para ele, as pessoas estão sentindo os retrocessos e, por isso, mais trabalho de base é necessário para organizar as pessoas, por isso a importância do Grito. “Eu tenho muito receio desse discurso de medo que tem vencido nossos debates. Não podemos ter medo do poder opressor. Temos que ter medo da fome, da miséria que está voltando para o nosso povo. Acho importante a gente reverter esse discurso de derrota. A gente precisa agora de palavras de coragem, de esperança, relembrar os nossos mártires que morreram na ditadura, pela mão do Estado que está aí, de novo, matando as pessoas”, denunciou o Irmão.

“Toda a população é convidada a reforçar os gritos dos excluídos e das excluídas. Que as vozes se façam ecoar para todos os cantos do país e, que juntos, possamos fazer a diferença”, conclui Danilo.

BEM QUERER: O projeto da Usina Hidrelétrica “Bem Querer” que pretende se instalar no Estado está entre as pautas do Grito. O representante do movimento Puraké, Ciro Campos, analisa que os benefícios do empreendimento serão pequenos em vista do grande desastre ambiental que trará para Roraima.

“Ela é atipicamente mais cara que outras usinas. Custará 1/3 da usina de Belo Monte [no Pará] e vai gerar dez vezes menos energia que ela. A relação do custo-benefício é muito desfavorável. A hidrelétrica não vai ajudar o povo de Roraima e essa questão não é bem conhecida pela população”, afirmou.

DA REDAÇÃO

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