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A caravana passa

O sul do Estado viveu um final de semana de grande movimento. O governo estadual levou uma caravana com cerca de 400 pessoas, entre assessores diretos, secretários, serviçais e puxa-sacos. Havia gente que só estava lá para fazer volume ou desfilar nas ruas que se transformaram em arraiais.

Para quem está acostumado a uma vida tranquila de interior, quando somente em dias festivos surge uma pequena multidão, os moradores ficaram surpresos com tantos carros de luxo e aviões, que chegavam ao total de meia-dúzia. Nunca, ao longo dos últimos anos, viu-se tanta gente assim.

Enquanto sobravam carrões e aviões (para rimar!), faltava material básico nas unidades de saúde e nas escolas. Também havia muitos policiais, boa parte deles a paisana, embora muitos deles nem fizessem questão de dizer que estavam disfarçados, pois a ideia parecia mesmo mostrar que todos podiam estar sendo vigiados.

Embora para o governo a caravana pareça algo extraordinário, para qualquer matuto a movimentação soou como um contra-senso, pois qualquer ser humano desprovido de senso crítico sabe que os políticos só aparecem em ano eleitoral. E não havia como interpretar aquela caravana de uma outra forma, com outro olhar.

A leitura que uma pessoa dotada de um pouco de senso crítico faz disso é que há um movimento tardio de mostrar que a máquina governamental está presente de qualquer forma. É como se quisessem subestimar a capacidade de raciocínio das pessoas, adormecendo sua consciência crítica com um arrastão de fazer inveja à procissão de santo padroeiro.

Não tem como apagar da memória das pessoas as vicinais e estradas esburacadas, a falta de água e luz constante, o atendimento precário nas unidades de saúde, a falta de ambulância e as escolas com suas precariedades de sempre, em que os professores precisam fazer das tripas coração.

É inútil tentar fazer as pessoas esquecerem a ausência governamental durante três anos, para só então todos aparecem num único final de semana, como se isso valesse por um triênio, como se uma caravana fosse suficiente para apagar todo o sofrimento que o povo do interior passa.

É preciso muito mais que uma caravana. São necessárias presença efetiva, ações constantes e atitudes concretas. É necessário convencer que se está ali, num único dia, não para pedir ou comprar votos, mas para levar ajuda, certeza e tranquilidade.

Daqui a uma semana, a população voltará a sua rotina de tédio e desespero, pois as ações governamentais só surgem em determinados momentos, principalmente às vésperas de eleição. Todos terão esquecido que nas vicinais há produtores desesperados e nas cidades gente que sofre com a ausência efetiva de políticas públicas.

A caravana passa, mas os cachorros vão continuar latindo. O povo vai continuar desassistido de suas necessidades mais básicas nas mais longínquas vicinais. Aparecer num sábado e domingo somente para fazer e renovar promessas não serve mais.

As eleições que estão se aproximando vão dizer claramente que a forma de política tem que mudar. Não cabe mais a política do tapinha nas costas e da distribuição de rede. O povo almeja além disso, quer seriedade na forma de fazer política. Quem não ouvir esse grito abafado, pode sofrer as consequências.

Jessé Souza – Jornalista / Folha de Boa Vista – jesse@folhabv.com.br – Twitter: www.twitter.com/jessesouza – Blog: www.pajuaru.blogspot.com

  • E uma pouca vergonha esa caravana . sera que o governador e seus “puxas sacos” precisam levar gente da cidade para o sul do estado? e como esplicar a quantidade de aeronaves do governo pousado com familiares de deputado como isso e esplicado em!!!!!!!

  • Isto é uma vergonha para o povo roraimense e se o atual governador pensa que ele como os outros candidatos que vireram de outros estados ainda chance eles estão enganados pois o povo so quer macuxi para governar o estado. Chega de vender o nosso estado para gingos…..

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