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A vergonha de ser jornalista

Achava que em pouco mais de 13 anos morando em Roraima, sempre exercendo com fidelidade e buscando ser minimamente ético em meu trabalho e nas minhas relações, já tinha visto de tudo, depois de escrever ontem (12) relatando a vergonhosa relação compra/venda de caráter de um apresentador de TV. Entretanto, para a minha surpresa, me foi relatado em tom de deboche um caso ainda mais escabroso.

Fui chamado de imbecil, babaca e idiota, para falar o mínimo, por alguém que disse ter sido protagonista do mais vergonhoso caso de falta de caráter e compromisso com a sociedade que já tomei conhecimento.

– Tu és um burro! enquanto tu ficas falando isso desse ou daquele político, teus amigos e amigas estão enchendo o bolso com 10, 30, 50 mil reais e tu fica ai, passando fome.

Em outro trecho da conversa, me disseram que o “fulano” que se vendeu para sumir do mapa depois de apresentar dois programas de TV, recebeu uma mixaria (R$ 30 mil em cash e mais R$ 10 mil mensais até o final do ano) diante do que foi pago para um grupo ainda maior e com valores que dão náuseas.

Segundo a história, que me foi contada um meio de comunicação de Roraima, que aparentemente prima por uma linha senão de independência, pelo menos de maior coerência, fez um acordo milionário, envolvendo do acionista majoritário até o porteiro.

A fonte me disse que todos ganharam e arrumaram suas vidas, num total que ultrapassou a casa de R$ 1 milhão. Ou seja, um milhão de reais por mais alguns “silêncios”, para esconder a verdade, para camuflar as mentiras, para evitar que a sociedade tenha acesso às informações.

Filas teriam sido feitas para distribuir algumas migalhas, enquanto os patrões embolsaram centenas de milhares de reais. No final, fui apontando com um morto de fome, que mora no Pintolândia, que dirige um carro velho, que tenho mais de um emprego para sobreviver.

Mesmo assim, prefiro viver dessa forma a aparentemente me parecer com um ser humano de verdade e não passar de um crápula, sem caráter, sem pudor, sem ética e que se vende tal qual a pior das prostitutas, porque até mesmo as chamadas “mulheres da vida”, têm mais dignidade do que aqueles que usam um meio de comunicação para – da forma mais vil e covarde – meramente buscar o enriquecimento ilícito.

Com que cara essas empresas de comunicação e seus proprietários poderão denunciar algum outro crime, se o dinheiro recebido pelo suborno ainda está quente com o calor das mãos daqueles que os compraram?

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

  • Colega Wirismar, agora, mas do que nunca que você deve ter coragem e força para seguir em frente. Se isso despertou a ira de uns, é porque certamente você está no caminho certo. É preciso que se atentem para algo que cresce assustadoramente diante de todos, porém, nada esta sendo feito, que é a censura, a retaliação a jornalistas. Não desista, esse tipo de pressão é comum, é um ato desesperado.

  • Caro Wirismar, não gosto de generalizar mas a imprensa local sempre foi tendenciosa e ligada a grupos políticos que também não é exclusividade do nosso Estado. Infelizmente é visível e escancarada a prostituição da profissão, por alguns jornalistas e apresentadores de Tv. Muita puxação de saco, muita vontade e necessidade de defender e levantar a imagem dos “patrões” e grupos ligados a eles. Não conheço seu trabalho mas a partir de agora acompanharei seus textos na esperança de continuar encontrando e valorizando pessoas com moral e ética. Parabéns

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