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ASCOM DA SESAU – Uma lição de assessoria

Olhando assim, de longe, tomando conhecimento pela impresa, especialmente por meio dos programas sensacionalistas das emissoras locais de TV e rádio, parece maldição! O Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, de Roraima, volta a viver outro inferno astral, com o anúncio de duas mortes seguidas, em apenas uma semana, de mães que tiveram seus filhos nas dependências daquela unidade de saúde.

A primeira morte, ocorrida no dia 1º deste mês, foi da funcionária pública municipal Juslany de Souza Flores, 28, na UTI do Hospital Geral de Roraima (HGR). Segundo consta, ela foi a óbito devido a um erro médico (esqueceram de tirar a placenta na hora do parto, na Maternidade). O caso está sendo investigado por duas sindicâncias no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), além do Conselho Regional de Medicina (CRM).

No segundo caso, a jovem Érika da Silva Macena, 18 anos, perdeu a  vida na manhã desta sexta-feira (7), algumas horas depois de dar à luz, também na Maternidade  Nossa Senhora de Nazareth, a uma menina de 1,3 kg, prematura de sete meses (que, aliás, passa muito bem, apesar de ainda estar em observação).

A Maternidade é velha conhecida da imprensa, inclusive nacional. Quem não lembra do caso das mortes dos 32 bebês no berçário daquele hospital, ocorridas nos meses de outubro e novembro de 1996? O caso ganhou repercussão nacional e o Governo do Estado foi condenado a pagar indenizações às famílias, além de ser obrigado a readequar toda o conceito de saúde pública em Roraima, ao ponto de transformar a Maternidade em um hospital de referência para o país.

Apesar de outros casos isolados terem ocorrido (denúncias de mau atendimento e de negligência médica), preciso reconhecer que a Maternidade Nossa Senhora de Nazareth sempre foi, para a minha família, um hospital acolhedor, onde minha irmã teve seus dois últimos três filhos (uma, inclusive, prematura de sete meses), além de duas primas, ex-cunhadas e amigas, todas tratadas com o devido zelo que mereciam.

Mas o que quero chamar a atenção é, na verdade, para o enfoque que a imprensa deu nesses últimos dois casos, principalmente neste último, da jovem Érika da Silva Macena. Não menos importante que os demais, o caso poderia ter ganhado destaque em todos os veículos de comunicação do Estado e, junto com o anterior, a mídia nacional. Graças à atuação da Assessoria de Comunicação (Secom) da Sesau, isso não aconteceu.

O “fogo” foi apagado a tempo, graças à eficácia, ao competente trabalho  da equipe da Ascom da Sesau, sob o comando da jornalista Rebeca Lopes, pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX).

Não se trata aqui de puxar o saco de ninguém, nem tampouco simplesmente elogiar o trabalho de uma amiga e ex-colega de turma e de trabalho, mas sim reconhecer, publicamente, o trabalho diferenciado (no âmbito do Governo do Estado) que essa profissional vem realizando à frente daquela Ascom, juntamente com a sua equipe.

Na manhã de ontem, logo após a morte de Érika, correu boato por toda a cidade de que seria mais um caso de negligência médica e o fato teria ganhado uma repercussão abissal, não fosse a Ascom da Sesau ter agido rápido, colocando o secretário Rodolfo Pereira para explicar à imprensa como tudo aconteceu. Se ele falou a verdade ou não, só as investigações sobre o caso e o tempo dirão. Mas a equipe fez o dever de casa, diferente de muitas outras Secretarias de Estado, onde seus respectivos assessores, ao invés de responderem com presteza aos questionamentos da imprensa, preferem agredir, discutir com os jornalistas.

Na condição de editor-assistente do jornal Roraima Hoje, posso garantir que o trabalho da Ascom da Sesau só se compara no Estado ao das Secretarias de Comunicação (Secom) da Prefeitura de Boa Vista (PMBV) e da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), que diariamente enviam dezenas de releases às redações, com grande índice de aproveitamento.

Só para se ter uma ideia, analisamos a produção dessas assessorias somente dos últimos dois dias (5 e 6). Com uma equipe bastante reduzida de profissionais (apenas duas jornalistas cobrem o Plenário e outros três dão apoio nas matérias de bastidores) a Secom da ALE-RR produziu e enviou à imprensa nada menos que 13 releases somente nesse período.

A Secom da PMBV, que apesar de também ter uma equipe reduzida, precisa cobrir 18 setores da administração municipal, contando com os gabinetes do prefeito e da vice-prefeita, enviou 25 releases (12 somente ontem) – uma média de 1,38 release por secretaria. Já as Assessorias do Governo do Estado, que dispõem de um verdadeiro exército de jornalistas para cobrir 27 autarquias, entre Secretarias e empresas estatais, enviaram às redações 31 releases, incluindo a própria Secom – média de 1,14 release por setor.

Desses 31 releases, o destaque é, sem dúvida para a Ascom da Sesau, que soziha enviou oito releases, cinco somente nesta quinta-feira (6). A Ascom da Secretaria de Estado da Educação (SECD) também teve uma excelente produção nesse período (enviou sete releases).

Esses números e o destaque à equipe da Sesau servem para mostrar como se deve trabalhar numa Assessoria de Comunicação que, especialmente neste último episódio, foi corretíssima, ponderada e eficaz. Que isso sirva de exemplo e lição para as demais secretarias e para a própria Secom do Governo: não adianta brigar com a imprensa. O que se tem que fazer é dar as respostas que a imprensa pede e que elas sejam convincentes.

Assessor que, ao invés de fazer o seu trabalho como deveria (atendendo à imprensa quando esta o procura), prefere contestar, esbravejar, ficar de mal com o repórter e não responde aos questionamentos, certamente não conhece os dois lados da moeda e, dessa forma, está no lugar errado. Somente quem conhece a realidade das redações e das assessorias consegue realizar um excelente trabalho nas duas situações.

Esse, aliás, é o caso da equipe da Ascom da Sesau. Parabéns pela lição!

WIRISMAR RAMOS – da Redação (wirismar@gmail.com)

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