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BANCOS – lucros sim, respeito não

Wirismar Ramos

JORNALISTA

A imprensa não cansa de denunciar o mau atendimento, a população já reclamou nas agências e no Decon (Departamento de Defesa do Consumidor), uma Lei Municipal (nº 848 de abril de 2006) existe para assegurar que os clientes não passem mais que meia hora na fila, projetos de Lei tramitam na ALE-RR (Assembléia Legislativa de Roraima) obrigando a instalação de banheiros no salão de atendimento ao público e a disponibilização de poltronas especialmente destinadas a idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais. Entretanto, nada disso adiantou, porque o atendimento bancário em Roraima continua vergonhoso.

É verdade que alguns bancos já melhoraram consideravelmente, instalando banheiros no salão (como fez a Caixa) e caixas eletrônicos em diversos pontos da Capital. Mas a grande maioria continua (e muito) deixando a desejar. O tempo na fila às vezes pode chegar a horas e ninguém fiscaliza, os caixas eletrônicos ficam mais tempo quebrados, ou sem dinheiro, do que funcionando (final de semana e feriados, então, nem se fala).

Mas a pior situação, definitivamente, é no Unibanco que em Roraima possui apenas uma agência (na Rua Coronel Pinto, Centro) e dois caixas eletrônicos que oferecem a opção “saque”, instalados na própria agência. Como se não bastasse, esses dois terminais de auto-atendimento, quando não estão vazios (sem dinheiro), pelo menos um está quebrado ou “em manutenção”.

O que não consigo entender, é como um banco que teve um lucro líquido de R$ 1,199 bilhão somente no terceiro trimestre de 2007, segundo o site Agência Leia (www.agencialeia.com.br), não tem condições de instalar outros terminais de auto-atendimento em locais estratégicos da Capital, como no Aeroporto, no Pintolândia (como fez o Real e o Banco do Brasil), ou mesmo no Centro da cidade.

Consignação

Cabe aqui lembrar que o Unibanco (o menor em Roraima e com atendimento abaixo do limite da paciência) e um dos bancos que o Governo do Estado escolheu para assinar convênio, em 2005, a fim de fornecer o cartão do servidor, para empréstimos consignados em folha de pagamento e concessão de cartão de crédito para os servidores estaduais. Convênio, aliás, que já foi alvo de investigação pelo Mistério Público Estadual (MPE).

Segundo matéria do jornal Folha de Boa Vista (www.folhabv.com.br) do dia 27 de junho de 2007, a Promotoria de Defesa do Consumidor do MPE decidiu abrir investigação para averiguar as denúncias recebidas de servidores do Estado de que a operadora Unicard-Unibanco estaria efetuado cobranças indevidas, sob o pretexto de que teriam uma dívida devido a um contrato assinado pelo Governo do Estado com financeiras para concessão de cartão de crédito.

“A Folha entrou em contato com o Unibanco em Boa Vista para saber que dívida é esta e como será a cobrança, mas foi informada que o convênio foi efetuado entre o Governo do Estado e operadora Unicard e que o Unibanco não responde pela operadora. Na Secretaria Estadual de Gestão Administrativa, a Assessoria de Imprensa informou que a titular da pasta não poderia prestar esclarecimentos sobre o assunto, pois estaria em uma reunião na Secretaria de Planejamento (Seplan)”, noticiou o jornal à época. E assim, essa história nunca foi esclarecida até hoje.

Não sei como é o atendimento ao público do Unibanco nos demais Estados, mas em Roraima é o pior possível e infelizmente nós, servidores públicos estaduais e clientes, não temos a menor esperança de que melhore em curto, ou médio espaço de tempo.

Já estamos cansados de longas filas no balcão e (pasmem) no caixa eletrônico. Isso é um absurdo, uma vez que os terminais de auto-atendimento foram criados justamente para proporcionar comodidade e rapidez aos clientes. Pelo contrário, no Unibanco, são motivo de constrangimento e estresse. E ainda dizem que o “Unibanco, nem parece banco”. Realmente. Pelos menos os demais bancos oferecem mais de um caixa-eletrônico para seus clientes.

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