Desafios de um governador sem rumo
Planejamento é a palavra. Para se conseguir resultados satisfatórios, eficazes, é preciso antes de tudo planejar. Essa regra vale para todas as áreas, especialmente quando se trata de gerir recursos públicos. Infelizmente, Roraima começa o ano exatamente igual ao ano passado: em meio à crise econômico-financeira, ameaças de greve em vários setores da administração estadual, o Governo do Estado inadimplente com o setor empresarial (até os telefones de vários setores estão cortados por falta de pagamento), educação e saúde com falta de equipamentos e material necessários para que possam funcionar, entre outras mazelas.
Sinceramente, não queria estar na pele do governador José de Anchieta (PSDB). Hoje ele vive entre a cruz e a espada: se conseguir se reeleger, não conseguirá fazer muita coisa em seu segundo mandato (como se tivesse feito algo nesse), uma vez que terá pela frente uma dívida astronômica (juntando a atual crise pela qual Roraima passa e os gastos que virão com uma pesada campanha política) para quitar e recolocar o Estado nos trilhos; caso não se reeleja, estará ainda mais encrencado para explicar ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público Estadual (MPE) e Assembleia Legislativa (ALE-RR) o não-cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Hoje (1º de março), a rede estadual de ensino deu início oficialmente às aulas. Entretanto, em várias escolas, professores e estudantes enfrentarão o velho problema de falta de carteiras e de material necessário ao bom desempenho dos alunos e do trabalho dos profissionais da educação. Na educação especial, as aulas ainda não começaram devido à falta de transporte para carregar os alunos. O Sindicato dos Profissionais da Educação (Sinter) já anunciou que nova greve virá por aí.
Ameaça de greve também parte de setores fundamentais como a segurança pública (no Município, servidores também ameaçam greve a partir do dia 8). Os policiais civis e militares continuam descontentes com acordos firmados e não cumpridos. Neste final de semana, houve confusão também na área de Justiça e Cidadania: os agentes carcerários da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo fizeram uma paralisação de advertência, tornando a visita dos familiares aos reeducandos uma verdadeira “Via Sacra”.
Na área de saúde, a situação não é diferente: o convênio do Governo com a da Unimed foi rompido por falta de pagamento. Nas unidades de saúde geridas pelo Estado, os profissionais reclamam que falta de material em hospitalar (não tem nem esparadrapo). A Fazenda Esperança, localizada na BR-174, antiga Vila São Raimundo (Município de Iracema) funciona às custas da Diocese de Roraima, mesmo depois de o Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) ter assinado convênio se comprometendo em repassar R$ 200 mil – coisa que até hoje não aconteceu. A Fazenda Esperança é uma unidade destinada ao tratamento de jovens dependentes químicos, inaugurada em novembro do ano passado (leia matéria completa na edição desta semana do jornal Monte Roraima, página 8).
Além de todas essas mazelas, o governador Anchieta ainda tem um problemão para administrar (ou continuar se fazendo de desentendido): a revoada dos aliados de seu ninho. Muitos políticos de peso estão deixando sua base aliada, insatisfeitos com o marasmo que se tornou o Estado de Roraima, sem obras (alguém conhece pelo menos uma obra feito pelo Governo Anchieta?), sem políticas públicas (as existentes são todas de Governos anteriores) e sem nenhuma perspectiva de melhoras.
Desde que assumiu o Governo de Roraima, Anchieta já perdeu o apoio do prefeito de Boa Vista, Iradilson Sampaio (PSB), do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR); do ex-vereador, ex-prefeito e ex-deputado federal Robério Araújo, trocou primeiro escalão do Governo pela Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista; e agora, pelo que tudo indica, também perdeu de vez o presidente da ALE-RR, deputado Mecias de Jesus (PR).
Como se pode perceber, o governador Anchieta terá este ano que, mais que governar, operar milagres nesta campanha. Se ele conseguir consertar todo esse imbróglio (torcemos, sinceramente que ele consiga) o Estado e sua população é quem sairão ganhando. Ou seja, além de trabalhar muito para reverter as pesquisas que – pelo menos até agora – não lhe são nada favoráveis, o governador terá problemas na engrenagem política, apesar da conhecida “força da máquina”.
Wirismar Ramos – da Redação
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.