ELEIÇÕES 2010 – Fidelidade não é para todos
“Minha opinião pessoal é que já caminhamos há algum tempo ao lado do atual governador e não gosto da tese de deixar aquilo que começamos a acreditar e mudar de lado por dados de pesquisa”, disse Luciano, respondendo ao questionamento se manterá o apoio à reeleição do governador José de Anchieta (PSDB), apesar do distanciamento cada vez mais evidente que este vem mantendo com Mecias de Jesus.
Esse distanciamento começou a partir da aliança que Anchieta fez com o senador Romero Jucá (PDMB-RR), a contragosto de todo o grupo político que herdara do falecido governador Ottomar Pinto, inclusive do próprio Mecias de Jesus e demais deputados estaduais aliados. Desde cedo, Mecias de Jesus sempre deixou claro o seu desejo de sair candidato ao Senado, recebendo o apoio de todo o grupo político aliado ao Governo. Mas Anchieta (apenas ele), achou por bem oferecer o cargo de vice-governador a Mecias e declarar apoio incondicional às candidaturas ao Senado de Marluce Pinto e Romero Jucá.
Todos acharam estranha essa atitude, mas ninguém (a não ser Mecias) teve coragem de se posicionar contrário à decisão do governador. Indignados por terem que engolir tamanho desatino (o brigadeiro Ottomar deve ter se retorcido todo no túmulo), os aliados tiveram que engolir em seco a presença mais do que constante de Jucá dando ordens no Palácio Senador Hélio Campos como se fosse o próprio governador.
Firme no seu propósito, Mecias foi tido como o rebelde por não aceitar o cargo de vice-governador na chapa de releição de Anchieta. Mas até agora ninguém teve coragem de reclamar a vaga. Por que será? A impressão que se tem é que ninguém (nem mesmo os aliados) acreditam na reeleição de Anchieta. Se não fosse assim, a vaga de vice estaria sendo bastante disputada, já que faltam apenas oito meses para a eleição deste ano.
Já vi esse filme e também sei como termina. Na eleição para prefeito, de 2008, ninguém queria ser vice na chapa de Luciano Castro. A própria Marluce Pinto não acreditava na eleição de Luciano e desistiu da candidatura, após o deputado federal Márcio Junqueira (DEM-RR) ter seu pedido indeferido pela Justiça Eleitoral. Como salvador da pátria, surgiu o deputado estadual Chico Guerra (PSDB) – homem de grupo e fiel aos aliados.
E agora, quem será o “salvador da pátria”? Daquela vez Chico Guerra não tinha nada a perder, afinal, se Luciano Castro não fosse eleito (como de fato aconteceu), ele permanecia como deputado estadual, cargo aliás, que mantém desde a primeira Legislatura sem ter perdido nenhuma eleição. Mas dessa vez, todos têm algo a perder. Quem será o corajoso que arriscará perder seu cargo (de deputado federal, estadual, ou senador) para concorrer a vice-governador na chapa de Anchieta, especialmente depois de tamanha demonstração de egoísmo (para não dizer traição) no episódio com o deputado Mecias de Jesus?
” (…) não gosto da tese de deixar aquilo que começamos a acreditar e mudar de lado…”, disse Luciano Castro à Folha, ao defender a fidelidade de grupo, a união. Não tenho dúvida de que Luciano permanecerá com essa ideia até o final, rendendo o seu apoio a Anchieta, porque ele sempre foi fiel aos seus princípios e aos seus aliados. Essa lição Anchieta deveria ter aprendido há muito tempo, com o próprio Ottomar Pinto, de quem herdou o Governo – político tarimbado, respeitado e fiel aos seus, que governou o Estado por quatro mandatos.
Mecias de Jesus é também homem de grupo e fiel aos seus princípios. Ao fazer aliança com Jucá sem ouvir sua base aliada, Anchieta acabou por liberar não apenas Mecias de Jesus, mas também o deputado federal Chico Rodrigues (DEM-RR) – que declarara desde cedo seu desejo de se candidatar ao Senado – livres para alçarem voo próprio. É claro que (pelo menos até agora) somente Mecias de Jesus e o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) tiveram coragem de dizer não e bater de frente com o rei, digo, o governador.
Nessas eleições, Anchieta terá de enfrentar dois grandes adversários: o deputado federal Neudo Campos (PP-RR) – ex-governador, que vem crescendo a cada dia em apoio popular não apenas na capital, mas também em todo o interior do Estado -, e sua própria consciência, por ter deixado de lado o espírito de grupo e se rendido ao seu próprio ego. Portanto, em 3 de outubro finalmente teremos a resposta da pergunta que não quer calar: o que vale mais, a fidelidade ou a traição?
Wirismar Ramos – da Redação
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.
Luciana
23 fev, 2010
Esse apoio do Luciano a governo é obvio. Ele tem seu pessoal todo lotado no governo, principalmente, na educação. Pra se ter uma idéia, os funcionários que tem cargo por ser eleitor do Luciano, nenhum pode ser trocado quando o professor Altyvir estava na educação. Gente que se vangloriava por ser do Luciano e ser intocável.A questão não é nem o apoio do Luciano, quem vai votar nele e quem precisa do apoio dele? Será que ele pensa que o povo esqueceu das eleições municipais? Onde está a força ´politica dele? Ele tá é querendo os votos do Mecias pra tentar se reeleger. é ruim hein….
Antonio Marcos
23 fev, 2010
Caso o Luciano Castro resolva apoiar mesmo Mecias de Jesus estará demonstrando que é um bom politico e homem de grupo. Caso contrário estará premiando quem foi bastante sacana com ele. Ou ele já se esqueceu do que Marluce Pinto fez com ele. Não apoiar Mecias é oferecer a vaga para Marluce.