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Máquina de fazer voto

A corrida pelo voto ainda não foi liberada oficialmente no Brasil, mas em Roraima as campanhas já são tocadas a todo vapor, principalmente no Interior do Estado, onde o chefe do Executivo, Anchieta Júnior, candidato à reeleição, acelera fundo a máquina estatal e entrega “benefícios”, os vales, a torto e à direita de olho no precioso voto do povo macuxi.

A antecipada e criminosa corrida pelo trono também ocorre na periferia da Capital. Um deputado federal candidato à reeleição reuniu no último final de semana, por exemplo, dezenas de pessoas sem teto e prometeu moradia, terreno e até título definitivo. Parado e esperançoso, o povo ali mal sabia que se tratava de mais um golpe político em ano de eleição. Quem aposta que daqui a alguns dias mais uma invasão de terra ocorrerá em Boa Vista, e assim nascerá um novo bairro? Lembram do Brigadeiro, hoje bairro São Bento?

No Interior, principalmente nos municípios atrelados ao Governo do Estado, a estrutura pública vem sendo usada na maior cara de pau. Carros chapa branca viram táxis, órgãos públicos se transformam em comitês, escritórios de negociatas, e servidores comissionados com suas bandeirinhas começam a jurar fidelidade eterna ao “chefe”, caso contrário perdem o emprego.

Disfarçada de política assistencialista, a cooptação de votos turbinada pela máquina estatal há tempos salta aos olhos em Roraima, mas MPE e Justiça Eleitoral parecem não enxergar os nítidos crimes. Em tempo de eleição, o dinheiro público que deveria ser usado em Saúde e Educação, por exemplo, é investido na “indústria” politiqueira. O chefe do Executivo usa o nosso dinheiro para comprar o nosso voto. E vergonhosamente tudo acontece de forma escancarada, sem rodeios.

Frente a todos esses desmandos, apenas uma pergunta: até quando os órgãos competentes em fiscalizar e punir a compra de votos ficarão de braços cruzados, esperando pacientes uma denúncia formal – um pobre diacho chegar e apresentar um vale miséria autografado? Omissão e conivência também não são crimes?

Senhores de terno e gravata – promotores, procuradores e juízes – saiam de seus aconchegantes gabinetes e dêem uma voltinha no Interior do Estado, na periferia da Capital. Testemunhem os crimes ora praticados. Saibam, pois…  os ilustríssimos também são responsáveis pelo vergonhoso cenário político da atualidade. Se há corrupção desenfreada, é por que há impunidade, falta de fiscalização. Portanto, mãos à obra. Justifiquem seus rechonchudos salários pagos também com o nosso dinheiro. Ou existe rabo preso com alguém?

AMILCAR JÚNIOR – Jornalista (e-mail: amilcarsergio@bol.com.br)

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