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Mudanças, multas e muitos transtornos

A Zona Azul só funcionou dois meses depois de implantada.

Estacionar nas áreas centrais de Boa Vista (RR) está cada vez mais difícil, especialmente nas proximidades das casas lotéricas, agências bancárias e demais locais de grande fluxo de pessoas, além dos principais centros comerciais da Capital, com destaque para a Avenida Jaime Brasil (onde teoricamente funciona a Zona Azul) e Avenida Ataíde Teive, no trecho popularmente conhecido como “Feira do Garimpeiro”. Na Ataíde Teive, a falta de organização transforma a via num inferno em horário comercial, com carros estacionados de todas as formas, atrapalhando o trãnsito de veículos e pedestres no local.

A reclamação tem sido geral em todos esses locais, especialmente devido às “mudanças” que a Prefeitura começou o ano promovendo na Avenida Ville Roy (o sentido do estacionamento, que era transversal há vários anos, agora é linear, no sentido da via). O problema é que as novas faixas foram pintadas e as placas fixadas em um dia e no outro os agentes municipais de trânsito já estavam lá multando a torto e a direito. Mudaram o sentido do estacionamento sem ouvir ninguém, fizeram da forma que acharam melhor e acabaram perdendo mais espaço. Além disso, só aparece gente da Prefeitura aqui para multar”, reclamava hoje (6) um cidadão.

Situação pior acontece diariamente na frente do Banco do Brasil da Avenida Glaycon de Paiva: alguns motoristas desavisados (inexiste no local qualquer placa de “proibido estacionar”), por falta de vaga nas proximidades, acabam estacionando do lado esquerdo da avenida, junto ao canteiro central e entram para resolver seus problemas na agência. Quando retornam ao veículo, dão de cara com uma multa e ninguém por perto. A impressão que se tem é que os “amarelinhos” (apesar de nem roupa amarela mais eles usarem) da Prefeitura só passam pelo local com a intenção de multar mesmo, sem que nenhuma ação de orientação seja realizada.

As autoridades, engenheiros de trânsito e o próprio prefeito Iradilson Sampaio (PSB) deveriam ir mais a campo, ouvir as pessoas, os motoristas, quanto às mudanças que pretende realizar na cidade, partindo de coisas simples (como essa questão de estacionamento) até às mais complexas que, de uma maneira ou outra acabam refletindo no bolso dos cidadãos. Os vereadores, legítimos representantes dos moradores do Município, deveriam sair da inércia e fiscalizar e cobrar do prefeito, questionando dele se essas ações visam aumentar a arrecadação do Município por meio da indústria da multa desenfreada, ou se realmente são necessárias para organizar o fluxo de veículos nesses locais.

E a Zona Azul?

Outro problema que se instalou no Centro da Cidade foi a tal Zona Azul, efetivamente instalada pela Prefeitura no dia 28 de setembro do ano passado, com o objetivo de “democratizar as vagas de estacionamento na Avenida Jaime Brasil”, segundo foi alardeado aos quatro ventos à época. De acordo com a Prefeitura, a intenção era melhorar o fluxo de veículos naquele centro comercial, trazendo benefícios a comerciantes e consumidores.

Elogios para a Prefeitura pela implantação do sistema, criado através de Projeto de Lei de autoria do vereador Josiel Vanderlei (PSDB). Nos dias em que funcionou, a Zona Azul realmente melhorou e muito a questão do estacionamento no centro comercial da Jaime Brasil, especialmente pelo fato de os usuários terem mais tranquilidade para deixar os seus veículos sem aquela vergonhosa extorsão que existia por parte de flanelinhas (inclusive crianças e adolescentes). Cerca de 40 integrantes do projeto municipal Estagiário Júnior foram escalados para trabalhar no sistema, auxiliados por agentes de trânsito do Município, cobrando R$ 1,00 (carro) e R$ 0,50 (moto) por hora ou fração e garantindo a segurança dos veículos. Também havia mais vagas para estacionar.

Entretanto, dois meses depois de implantada, a Zona Azul parou de funcionar e, quando o Roraima Hoje questionou, a Prefeitura disse: “A Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Trânsito informa que ocorreu um problema na confecção do material gráfico, mas a situação já foi solucionada e na segunda-feira [07.12.09] a Zona Azul voltará às atividades normalmente.” Mas isso não aconteceu e até hoje a Jaime Brasil continua entregue aos flanelinhas.

O “problema na confecção do material gráfico”, não passa de desculpa esfarrapada. Se é assim, então a Prefeitura sanciona uma lei, implanta um programa, faz o maior alarde e, no final, não tem qualquer controle ou planejamento de como o sistema vai funcionar, ou como os agentes serão mantidos? Sei não. Essa história está muito estranha. Dá para explicar, prefeito Iradilson Sampaio?

Wirismar Ramos – da Redação

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