Tepequém e a consciência ecológica
O ano de 2010 começou para mim da melhor forma possível: curtindo a paisagem paradisíaca, o clima delicioso e a tranquilidade da Serra do Tepequém, no Município de Amajari (RR), além da companhia agradável de amigos. Foram três dias de puro descanso (do trabalho, obviamente) que serviram para recarregar as baterias, na expectativa de que 2010 será ainda mais intenso que 2009, especialmente por ser um ano político, quando todos (políticos e eleitores) estarão envolvidos e interessados nas eleições de outubro.
Para chegar até Tepequém, saindo da Capital, Boa Vista, o turista precisa percorrer 100 km na BR-174 (sentido norte) e mais 106 km na RR-203, passando pela sede do Amajari. O trajeto todo, de cerca de 206 km, é praticamente todo asfaltado, tendo apenas alguns trechos em obras antes da subida da Serra.
Tivemos a oportunidade de visitar alguns pontos turísticos de Tepequém. A própria subida da Serra já é um deleite aos olhos, porque revela paisagens belíssimas das pequenas montanhas que circundam o grande platô. Infelizmente, devido à seca que se abate sobre o Estado no momento, algumas cachoeiras não puderem ser curtidas na sua essência, mas ainda passamos uma tarde muito divertida na queda d’água da Barata (essa, aliás, foi a única que me atrevi a ir). Boa parte da nossa turma ainda foi até o platô (ponto mais alto da Serra do Tepequém) e à cachoeira do Paiva.
Entretanto, apesar de o corpo estar “descansando”, o espírito de jornalista continua atento, trabalhando 24h/dia. Não pude deixar de perceber, nessa primeira visita que fiz ao Tepequém, o quanto as pessoas ainda precisam se conscientizar para a preservação do meio ambiente, apesar de todos os esforços que as instituições e ambientalistas fazem para manter intactas as maravilhas de que dispomos, para que os nossos filhos, netos e tataranetos… também possam curtir e desfrutar dessas maravlhas da mesma forma que fazemos hoje.
Sacolas plásticas, garrafas pet, papéis, vidros, são alguns objetos que se pode encontrar facilmente nesses pontos turísticos da localidade, apesar das placas da Prefeitura de Amajari e do SESC clamando para que se preserve o meio ambiente. Mas a questão é ainda mais grave: em conversa com um antigo garimpeiro da região (a Serra do Tepequém era um dos mais movimentados garimpos de diamante e ouro do Estado), ele revelou que até hoje existe esse tipo de atividade, de forma clandestina. “Muita gente ainda garimpa em busca de diamante aqui. Claro que não é mais como era antigamente, mas a garimpagem nunca cessou de todo aqui”, revelou.
Infelizmente, essa falta de consciência ambiental é um mal que infesta todos os pontos turísticos do Estado. Em outubro do ano passado, o FatoReal flagrou um garimpo em plena atividade há cem metros de uma das cachoeiras mais belas de Roraima: Urucá, em Uiramutã. Graças à Deus que, devido à denúncia do blog (assim como outras anteriores sobre a presença de garimpos clandestinos dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol), seguida pelos demais veículos de comunicação do Estado, a Polícia Federal e o Exército deflagaram uma grande operação para acabar com essas atividades criminosas.
No caso de Tepequém, algumas importantes providências estão sendo tomadas pelas instituições e a própria comunidade para “forçar” as pessoas a preservarem o meio ambiente, enquanto isso deveria ser da essência, uma questão de princípio do ser humano. A escola e a família também têm papel fundamental nesse contexto. A consciência ambiental deve vir de berço (exemplo que deve ser repassado dos pais para os filhos) e disciplina mais importante no sistema educacional, desde a pré-escola até o doutorado.
Se cada um fizer a sua parte, certamente que essa consciência ambiental em algum momento se fortalecerá, se transformando em princípio. Feliz 2010 e que neste ano a consciência ecológica possa se evidenciar nas nossas vidas!
Wirismar Ramos – da Redação

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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.