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Velha e encarquilhada máxima

Confesso que ando meio borocoxô. Primeiro, com a prisão de José Roberto Arruda e, segundo, com sua defenestração do Governo do Distrito Federal, decretada nesta terça-feira (16). Acho bandalheira da grossa.

Arruda não deveria estar preso nem ter sido detonado da cadeira de primeiro-mandatário da Capital da República. Certo? Errado! Devia sim, e há mais tempo.

O problema não é esse. O nó górdio é a dialética que envolve a questão. Por que só o homem que violou o painel eletrônico do Senado, ao lado de ACM, tem de bater os costados nas masmorras?

É certo que tudo deve seguir o processo legal, bibibi, bobobó e coisa e tal. É tanto, que acho mesmo que a Constituição deve ser obedecida. Nesse ponto sou extremamente legalista.

Mas, que tal a Carta Magna ser obedecida em todos os casos? Afinal, não são todos iguais perante a lei, segundo ela?

Por que, então, prender Arruda e deixar livre José Dirceu – e seus 40 (acho que tem mais) seguidores? E não me venham com essa lengalenga de flagrante contra Arruda, que não é verdade.

Ele está preso porque um assessor seu foi flagrado com um bilhete do chefe e uma sacola de dinheiro para comprar a consciência de um jornalista. Então, que prendam o assessor.

Peraí, não me tomem por pelego. Não estou defendendo Arruda só por defender. Estou, sim, ao lado aplicação pura e simples da fria letra da lei – da Constituição.

Portanto, sem essa de usar dois pesos e duas medidas. Se é para prender Arruda, que não faz (ou pelo menos não fazia) parte da manada de partidos que engrossa a base aliada do Governo, por que não pôr na cadeia também todos os aloprados do PT? Será que é por falta de espaço para tanta gente?

Também não aceito que arguam a idéia do be nefício da dúvida. Provas incontestes da existência do mensalão do PT existem às toneladas. É tanto que o Supremo Tribunal Federal (STF), a instância maior do País, aceitou a denúncia e segue em sua lenta (por que não dizer lerda?) caminhada.

Para se fazer justiça, o presidente Lula e sua candidata a substituta de plantão no Planalto já deveriam ter sido apenados (multados) pelo crime de propaganda eleitoral extemporânea. Razões para isso são maiores que o número de estrelas em noite de lua nova.

Para pensarmos que o País toma novo rumo, rumo à civilidade que soi existir nas democracias incontestes, essas e outras coisinhas precisam ser revistas.

Está na hora de acabar com a velha e encarquilhada máxima de “aos amigos tudo, aos inimigos, a Lei”. Definitivamente, isso não cola mais.

Francisco Espiridião – Jornalista; autor de “Até Quando?” (2004) e “Histórias de Redação” (2009); e-mail: fe.chagas@uol.com.br; blo g: www.franciscospid.blogspot.com

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