A venda do prazer carnal, a profissão mais antiga do mundo, continua ajudando a movimentar a economia do mundo, embora não seja contabilizada como um dos itens do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, a prostituição também mexe com o imaginário, fantasias e libido de muita gente. Homens e mulheres, em busca de prazer, diversão, ou mesmo devido à sua baixa (ou quase nula) condição financeira, se entregam aos apelos da carne, sem medo de ser feliz e dos castigos tão alardeados pelas religiões.
Seja onde for, é sempre grande a curiosidade em torno da “vida fácil” – na maioria das vezes nem tanto -, que as garotas (ou garotos) de programa levam. Infelizmente, enquanto algumas buscam diversão, muitas são obrigadas, em busca de uma vida melhor para oferecer à família e acabam se embrenhando no caminho quase sempre sem retorno das drogas. Em alguns casos, é possível se vislumbrar uma saída, uma recuperação. Mas é preciso, antes de tudo, muita força de vontade e autoestima.
O FatoReal conversou com duas garotas de programa, que contam duas versões de uma história já conhecida, mas que sempre revela novas facetas surpreendentes. Para preservar suas identidades, as chamaremos de Madalena e Bianca – a primeira, após quatro anos na ativa em Boa Vista, decidiu mudar de vida, se mudou para Manaus e hoje trabalha como auxiliar administrativo em uma empresa. “Tô deixando essa vida aos poucos”, afirma, convicta de que alcançará seus objetivos em pouco tempo. Bianca, por outro lado, não consegue deixar as ruas e, após enveredar no mundo das drogas, não tem esperança em um futuro melhor.
Depois de quatro anos, a mudança
Aos 24 anos de idade, Madalena hoje pensa diferente de quando tinha 20, quando começou a vender o corpo “por pura diversão e prazer”, após as baladas que frequentava junto com as amigas em Boa Vista. Ela conta que tudo começou como uma brincadeira. “Não tive influência de ninguém. Só iniciei porque recebi uma proposta de uma cara que queria passar a noite comigo e dai levei adiante a ideia de cobrar”, detalha.
Casada, hoje ela mora em Manaus (AM), onde chegou há pouco mais de um ano em busca de novos horizontes. “É bom deixar as coisas acontecerem, sem precipitação. Essa é a minha primeira experiência de unir os trapos [casamento]. Tô gostando. Tô trabalhando e deixei essas paradas mais de lado. Sou auxiliar administrativo. Vou iniciar a faculdade agora em fevereiro para ciências contábeis. Esse ano quero mudar. Voltou a vontade de estudar e cursar contabilidade”, afirma.
Madalena revela que ainda sai esporadicamente, mas não tanto como antes. “Às vezes, nem me dá vontade por causa do trabalho, chego cansada. Acho que vou parar naturalmente. Vou me ocupar com outras prioridades, nem vou ter mais tempo para isso. Hoje tenho tempo mau para o marido”, diz.
Na opinião de Madalena, quem entra nesse ramo, se souber administrar o que ganha, dá para fazer um bom pé-de-meia. “Graças a Deus, sempre saí com pessoas legais, não deixei me levar para o lado das drogas. Nunca usei droga, nem por curiosidade sequer. Tenho moradia própria, construí quatro kitinets para alugar e até meio do ano quero tirar um carro novo”, afirma.
O outro lado da moeda
Infelizmente, a história de Madalena é exceção. Diferente de Madalena, muitas meninas decidem virar garotas de programa por pura necessidade, ficando reféns de pessoas inescrupulosas e das drogas. É o caso de Bianca, hoje com 28 anos – há dez como garota de programa.
“Sou viciada em cocaína e, na maioria das vezes, faço programa só para comprar droga. Acho que estou tô num caminho sem volta”, afirma Bianca, consolada com o destino que acredita estar traçado para ela.
WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)
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gotaria de conversar com vc
quero saber seu nome
Ai gente, casar, to foraaaa kkkkkk