FatoReal: Notícias, críticas, denúncias, ideias e devaneios

Era um sonho…

O último silvo avisava o início da viagem rumo ao desenvolvimento. Índios, pretos, brancos e caboclos embarcavam apressados, cada um buscando seus assentos. Nos vagões lotados, crianças, jovens, adultos e idosos – homens e mulheres – ansiosos e embalados por uma canção alegre, mistura de forró com xote, que contagiava a todos.

Era uma manhã  ensolarada, quando a locomotiva partiu. Antes mesmo da primeira parada, entre serras exuberantes e rios de águas cristalinas, logo avistou-se campos de soja e outras plantações que se perdiam no horizonte. Fartura na mesa do povo. A fome não existia. Agricultura tipo exportação, Coisa de Primeiro Mundo.

Mais à  frente, próximo a segunda estação, eis que uma cidadezinha chama atenção. Era um núcleo de conhecimento. Fardados, os alunos chegavam à escola e sentavam-se em carteiras confortáveis. Felizes da vida, os mestres a postos para transmitir a arte da educação. Nota dez para todos. Embarque e desembarque. O trem mais uma vez partiu.

Ao lado da linha de ferro, que ziguezagueava feito cobra no lavrado, o sinal do progresso, de novos tempos. Era uma estrada de asfalto, onde os caminhões carregavam a produção excedente de um povo trabalhador, feliz. E mais uma vez o silvo avisou a chegada de uma nova parada. Desce gente, sobe gente; nordestinos, sulistas, nortistas… O El dourado era aquilo.

Não existia maldade, crimes, doenças ou desemprego. O maquinista suava de tanto trabalhar, de tanto jogar lenha na caldeira da locomotiva. E assim acelerava sem parar rumo ao desenvolvimento, conduzindo um pacato povo de uma única bandeira, a bandeira do progresso.

A viagem seguia ao imaginário até que…

Acordei com uma música animada que tocava na televisão. Era aquela do Governo do Estado, a mesma que me fizera sonhar à noite toda.

Oh, Deus! Quando embarcaremos na verdadeira locomotiva do desenvolvimento?

AMILCAR JÚNIOR – jornalista (e-mail: amilcarsergio@bol.com.br)

  • o sonho mostrado pelo governador, na verdade é um pesadelo. Em outubro, se Deus quiser, voltaremos a sonhar.

Deixe o seu comentório