Festa na floresta
O reino animal pegava fogo. Tucanos, araras, sapos, papagaios, jabota, ratos, porcos, macacos e até raposas não se entendiam. Todos queriam ter vez e voz para ocupar o melhor lugar ao Sol. Valia de tudo na corrida pelo trono, até mesmo ameaças veladas com direito a enxurradas de processos, pois o sapo rei não aceitava críticas, não titubeava na hora das ordens: “calem este imbecil”. Por isso, sempre acionava a maquiavélica raposa para intimar quem fosse contrário ao tendencioso sistema imperial.
O motivo de tanta mixórdia, discórdia? Mais uma vez chegara as eleições na sombria selva de pedra. Era um verdadeiro “Deus nos acuda”. Meio poeta, o porcão surpreendia toda vez que recitava o mórbido: (…) “Descansem o meu leito solitário/ na floresta dos homens esquecida/ à sombra de uma cruz e escrevam nela/ foi poeta, sonhou e amou na vida” (…). Aplausos! E assim conseguiu ocupar o cargo de orador oficial, de porta voz do sapo rei – era também o responsável pelas maracutaias midiáticas.
A arara vermelha – velha, viúva e cansada – já não suportava mais o corre-corre, o frenético cotidiano. No bico, os sinais do tempo. Tinha mais buracos que a principal rodovia que cortava a vasta e densa floresta. Contudo, ainda pintava-se na tentativa de encobrir as inúmeras rugas debaixo dos olhos. Na ponta do bico, o vermelho sangue – sangue de bichinhos que um dia acreditaram em promessas de campanha, pactos indecorosos marcados após a fúnebre traição.
Inquieto, mas quase sempre desatento ao jogo de interesses, o macaco pulava de galho em galho. Não parava um segundo sequer; só quando o sapo rei colocava rédeas em sua danação, ou quando o porcão ameaçava abrir a boca (mas isso só acontecia quando lhe ameaçavam tomar o cargo. Daí, ele sempre inventava uma doença para sair de cena).
A jabota, gorda e lenta feita múmia paralítica, inventou de coordenar a campanha eleitoral do iludido sapo rei. Quem me dera… começou de mal a pior. Só queria aparecer em meio a tantas outras bichinhas desengonçadas. “Não apareço, não cresço, ainda não emplaco!”, retrucava o sapo rei, que na altura do pleito já derramava folhas verdinhas, na desesperada tentativa de conseguir votos.
Para se manter no cargo, o sapo rei fez uma proposta pra lá de indecorosa. Convidou uma esquizofrênica perua para se acasalar. A historinha surreal continua na próxima semana. Não percam!
AMÍLCAR JÚNIOR – jornalista, cronista e poeta (e-mail: amilcarsergio@bol.com.br)
Loading ...
Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.
joão pedro
29 jul, 2010
eta festão na floresta. Falta só o caçador para cabar com essa pouca vergonha. E o caçador é o povo, na hora do precioso voto.
Felipe Paixão
29 jul, 2010
Os moradores do bairro Buritis, na área que alaga todos os anos, vão continuar sofrendo por mais tempo. A Prefeitura de Boa Vista informou que não há projeto imediato para realizar obra de drenagem para evitar que o problema se repita. O Senhor Nelio Borges é Secretário de Obras Municipal ha mais de 10 anos e nada fez por esse moradores Boa Vista Cada Dia Mais Ruim.
Antonio
29 jul, 2010
Parabéns Amilcar,por essa hitória real que estamos vivendo,só quero ver o final e espero que seja o final que todo povo de Roraima deseja,que o sapo rei volte para a lagoa da qual nunca deveria ter saído.