Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas propõe debate sobre a Lei de Libras

O evento será realizado no dia 4 de maio, no auditório do Campus Boa Vista do IFRR / Foto: Divulgação /

Na próxima sexta-feira, 4 de maio, das 18h às 22h, no auditório do Campus Boa Vista (CBV), o Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) realizará uma programação alusiva à Lei de Libras, que tem como marco o dia 24 de abril.

A programação será composta por palestra, mesa-redonda e pelo lançamento de um CD do Programa Institucional de Fomento ao Desenvolvimento de Projetos de Práticas Pedagógicas Inovadoras (Inova), intituado “Hablando con las manos”.

Lei

Por meio da Lei n.º 10.436, de 24 de abril, de 2002, a Libras, considerada a segunda língua mais falada no Brasil, foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão.

De acordo com o Portal da Educação, a Libras é determinada como uma língua gestual, por estar associada aos sinais que representa. A língua gestual é universal, porém os significados não são os mesmos em todos os países. Os gestos têm mesma representação, porém diferentes significados.

Seu aprendizado requer a utilização das mãos para trabalhar os sinais e, a partir dos movimentos e da combinação deles, ocorre a comunicação com os surdos. Ela permite a interação entre as pessoas surdas e as ouvintes, fazendo com que aquelas obtenham informações do mundo e do ambiente onde vivem, tornando-as cidadãs com direitos, deveres e responsabilidades.

Segundo a professora e intérprete de Libras Anazita Lopes de Miranda Viana, por mais de um século os surdos foram proibidos de usar a língua de sinais e obrigados a se submeter ao “método oralista puro”.

“Com a proibição de sua língua natural, sofreram uma alienação e se viram segregados em todos os contextos sociais: familiar, social e acadêmico. Assim, a partir do dia 24 de abril de 2002, a comunidade surda do Brasil pôde comemorar uma grande vitória, pois ali ocorria um divisor de águas, que mudaria substancialmente a sua história, o seu futuro, o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais, a Libras!”, ressaltou a professora.

Ela acrescenta que se esperava o fim do preconceito e da discriminação. “A partir daí, nunca mais sofreriam nenhuma tortura em nome da “cura da surdez”, nem teriam suas mãos amarradas para trás, mas, sim, a liberdade de usá-las para se comunicarem livremente; o acesso a informações e a conhecimentos que antes lhes eram ocultados ou fragmentados por serem obrigados a usar uma língua que limitava a possibilidade de ampliar o conhecimento de mundo. Agora, sim, com a língua de sinais regulamentada, oficializada e respeitada, a comunidade surda brasileira ganha força legal para enfrentar os desafios que o futuro lhe reserva”, concluiu Anazita.

Para comemorar os 16 anos dessa importante conquista, o IFRR, que tem recebido alunos surdos e que vem se mobilizando para atendê-los de acordo com suas peculiaridades, respeitando o direito linguístico e a acessibilidade, promove mais esse evento com a comunidade surda de Roraima.

DA REDAÇÃO