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Eleições 2010 – Batalha de bastidores um ano antes da guerra

Foto: grzero.com.br

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Pouco mais de um ano nos separa das eleições gerais de  2010. Que ninguém se engane: as acusações, a troca de insultos, de farpas, já começaram, assim como as articulações de bastidores, os rachas e acordos políticos. Os comentários também são os mais diversos sobre os prováveis (e os mais prováveis) candidatos ao posto de governador do Estado de Roraima.

Nos bastidores, comenta-se sobre as articulações de que haverá mais candidatos a governador do que se imagina. Além dos já mais do que declarados Neudo Campos (PP) e José de Anchieta (PSDB), o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Marluce Pinto deverão entrar no páreo. No caso de Anchieta e Neudo, a candidatura depende da Justiça (TSE e STF, respectivamente).

A grande expectativa no Estado é quanto ao julgamento do governador José de Anchieta, que enfrenta processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá entrar na pauta da Corte a qualquer momento. A vida política de Anchieta depende desse julgamento.

Praticamente desconhecido na política roraimense, Anchieta é hoje governador de Roraima graças à benevolência do brigadeiro Ottomar Pinto que bateu o pé e exigiu que ele fosse seu vice nas eleições de 2006.

Mal assessorado em vários setores importantes de seu Governo, principalmente nas áreas de Comunicação e Marketing, Anchieta ainda precisa mostrar muito serviço para chegar ao patamar de popularidade do falecido Ottomar, do ex-governador e hoje deputado federal Neudo Campos e da viúva Marluce Pinto.

A prova disso foi a cerimônia de assinatura de acordos, no Parque Anauá, no último dia 14, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador José de Anchieta e o prefeito de Boa Vista, Iradilson Sampaio (PSB). Enquanto o deputado Neudo Campos foi ovacionado pelos populares presentes no Parque, o governador foi vaiado.

Aliás, essa não foi a primeira vez que Anchieta é vaiado. As vaias estão se tornando constantes na vida do governador, especialmente depois de algumas decisões impopulares que tomou. Um exemplo foram as recentes quedas de braço que teve com os professores da rede estadual de ensino. Vale lembrar que a educação é o setor que tem o maior número de servidores públicos concursados do Estado, teoricamente, com total liberdade para votarem em quem bem entender.

Mas a insatisfação não se resume apenas ao setor educacional. A saúde é outro setor em crise, uma bomba relógio prestes a explodir. Se algo não for feito logo, será a próxima categoria a declarar greve no Estado. Outro grupo de servidores públicos concursados, apesar de estar calado, também está insatisfeito com a administração Anchieta: são os servidores de níveis médio e fundamental (a maioria, aliás), que em abril de 2008 tiveram apenas 10% de reajuste salarial, enquanto os de nível superior ganharam mais de 50% de aumento.

Muita gente não conseguiu entender (inclusive e principalmente os próprios servidores em questão) até hoje o porquê desse reajuste diferenciado. Aliás, foi naquele momento que começaram as reclamações que deflagraram as greves dos professores e dos militares.

A própria História de Roraima já provou que governador mal assessorado está fadado a atitudes impopulares e prejudiciais a ele próprio e ao povo que governa. Quem já viu esse filme sabe como termina, independente de uma decisão favorável ou não do TSE. Mas ainda há tempo de reverter essa situação. Basta querer. Afinal, teoricamente, é melhor fazer meia-dúzia de desafetos do que perder o apoio de toda a população do Estado.

Wirismar Ramos – da Redação

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