Administrar não é fácil. Especialmente quando se trata da coisa pública. Uma assessoria eficaz é fundamental para que o administrador (seja prefeito, governador ou presidente) possa desenvolver seu trabalho de forma correta (se esse for o objetivo). Temos vários exemplos de governos que acabaram mal, na lama, devido a escândalos, ou mesmo deslizes que vazaram para a imprensa.
A respeito desse assunto, o portal Yahoo mostra um levantamento realizado pela rádio CBN sobre os sete últimos governos brasileiros que mostra que Fernando Collor, que foi banido da Presidência através do impeachment, teve 19 escândalos em seu Governo. O Governo Lula, até agora, foi cenário para 106 escândalos, sendo o Lula o presidente que mais teve seu nome envolvido em corrupção e outras denúncias. “É o recorde dos últimos sete governos brasileiros!”, diz o portal.
Já no site Fala, Brasil, o deputado federal João Paulo Cunha, líder do PT na Câmara, sob o título “Herança Política – Escândalos Marcantes do Governo FHC”, aponta em 45 pontos as ações e omissões levadas a efeito pelo Governo de Fernando Henrique Cardoso, na maioria dos casos por conta de assessoria corrupta.
Nosso exemplo
Em Roraima, temos também nosso quinhão de maus exemplos de governos mau administrados, como o “Escândalo dos Gafanhotos” e o “Escândalo da Codesaima”, só para citar alguns mais recentes. Assim como nos demais exemplos, os assessores locais também tiveram sua grande parcela de contribuição.
Tão interessante quanto assumir um Governo, é saber escolher uma boa assessoria. Afinal, o Governo não se resume apenas a uma pessoa (o governador, o prefeito ou, o presidente) e sim a um grupo de pessoas, que unidas, devem falar a mesma linguagem. E, o mais importante, saber orientar o seu chefe para que este não cometa desatinos que venham a prejudicar não apenas à sua administração, mas principalmente à população.
Com a posse do governador Anchieta Júnior, no final do ano passado, veio a esperança de que muita coisa mudaria na forma de administrar o Governo de Roraima, por se tratar de um sangue novo, nova visão, novos objetivos, apesar de ele ter anunciado que daria continuidade aos projetos de Ottomar Pinto – e tem cumprido, até hoje, essa promessa.
Entretanto, algumas atitudes desta administração têm tirado o sono de muita gente e causado transtornos para a população. Não quero crer que tais atitudes tenham como culpado unicamente o governador, mas tenho a convicção que sua assessoria direta tem sim grande responsabilidade. Afinal, o secretário de Estado, o assessor direto, além de cuidar (com zelo) de sua pasta, também tem a obrigação de propor ao governador soluções inteligentes para os problemas que surgem.
Só para citar alguns exemplos, a principal rádio do Estado, Rádio Roraima (de propriedade do Governo do Estado), está com um sinal prejudicado, sem que possa ser sintonizado na maioria das localidades do interior, simplesmente porque um assessor “acha” um exagero a quantidade de equipamentos solicitada pela Direção da emissora para que o problema seja solucionado.
Outro exemplo foi na solenidade de contratação dos estudantes beneficiados com o Estágio Remunerado, no dia 3 de abril, no Palácio Laife Salomão. Desnecessário o anúncio feito pelo governador de que no próximo ano cada estudante integrante do programa, além da bolsa, também ganhará um computador. A reação negativa foi imediata e por pouco o governador não foi vaiado pelo auditório lotado, já que os estudantes que estavam ali não serão beneficiados com a medida. Para contornar a situação, o governador foi obrigado a anunciar o aumento de R$ 100,00 no valor da bolsa, passando para R$ 300,00 – valor que, aliás, ainda não foi pago até agora. No primeiro mês, os estudantes receberam R$ 240,00 e no segundo, R$ 250,00.
O mais recente episódio foi o reajuste diferenciado concedido aos servidores públicos estaduais. Os engenheiros civis e agrônomos receberam 74,1% de reajuste; servidores de nível superior, com exceção dos professores, foram beneficiados com 35% de aumento salarial; e as demais categorias dos níveis médio e básico receberam somente 10%.
Não sei qual o critério utilizado pelo chefe do Executivo para conceder o aumento de salário, mas me parece mais acertado, ou coerente, que o reajuste tivesse sido linear: mesmo que fosse apenas 10%, mas para todas as categorias. Certamente não teria estourado uma série de reclamações que resultaram em greves que acabam por prejudicar (e muito) a população, a exemplo dos auxiliares de enfermagem, dos professores e, agora, dos demais servidores civis do Estado.
Agora, depois do imbróglio formado, será difícil contornar a situação até convencer esses servidores a voltarem ao trabalho. Claro que voltarão, mas somente depois de uma oferta menos mesquinha que os 10% oferecida pelo Executivo. Uma boa solução seria o governador reduzir o salário de todos os assessores que deixaram de fazer o dever de casa, como castigo. Assim, o Governo teria dinheiro suficiente para conceder o aumento que os trabalhadores reivindicam.
Wirismar Ramos – da Redação
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