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Bom senso, liberdade de expressão e manifestação de pensamento

Parede pichada do bloco I da UFRRParede pichada do bloco I da UFRRA Constituição do Brasil reza em seu artigo 5º, que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. E no art. 220, que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição.

Concordo plenamente, desde que não me sinta ofendida, como ocorreu nesta terça-feira, 09, quando cheguei ao Bloco I da Universidade Federal de Roraima, e me deparei com frases célebres de Fernando Pessoa e outros grandes vultos da literatura nacional, pichadas nas paredes do corredor onde estudo. Questionei e me responderam que se trata da arte de grafitar.

Na minha primeira avaliação, tratava-se de uma manifestação cultural demonstrando o interesse dos acadêmicos por literatura e, melhor ainda, por autores tão nobres. Iniciei minha leitura dinâmica até que me surpreendi com o desenho de dois órgãos genitais, com palavras vulgares escritas ao lado.

Fiquei na dúvida sobre a permissão da administração do Bloco para a realização de tamanha expressão artística. Sei que o ser humano expressa o que sente, e sei mais ainda que a pessoa que desenvolveu tamanha criatividade na parede, deve preencher todos os seus pensamentos com o assunto, expressando de forma grotesca o sentido de sua vida. Mas não creio que a idéia inicial quando houve a permissão seria essa.

Dois grandes órgãos genitais desenhados na parede da Universidade Federal de Roraima, da instituição que passei a vida inteira sonhando em freqüentar. Palavras que contrastam negativamente, em minha avaliação, com um órgão público. Será que a manifestação não poderia ocorrer de outra forma, com outra dinâmica? Tinham que pichar, deixar tão feio um corredor, tão sujo? É uma pena, mas deixaram… E, pior, alguém permitiu.

A ‘manifestação cultural’ não me deixou somente indignada, me ofendeu e me deixou triste. Alguém tentou me explicar que, no final do ano, uma nova pintura vai resolver meu problema. Mas até lá, muitas pessoas vão querer conhecer a Universidade Federal de Roraima, o Bloco I, que acomoda os cursos de Relações Internacionais, de Ciências Sociais, Cursos de Mestrado entre outros.

Hoje, por exemplo, acontece o III Seminário Internacional Fórum Universitário Mercosul, coordenado pelo Departamento de Relações Internacionais, com convidados de outros estados e países, que certamente visitarão as instalações do Bloco I, e passarão pelo corredor da ‘manifestação cultural’. O que é bonito para alguns, pode ser absolutamente ridículo para outros. E é bom que haja uma boa explicação para o pensamento pornográfico expressado na parede.

E por mais que esperemos chegar o final do semestre para que os desenhos sejam cobertos por uma nova pintura, isso não apagará a indignação de muitos, a decepção de ver que não se utiliza o bom senso para a liberdade de expressão em um órgão tão respeitado que é a Universidade Federal de Roraima, que tantos sonham freqüentar e onde ainda se permite estes tipos liberdade de expressão.

Os tempos mudaram, as instituições públicas de ensino buscam o reconhecimento de seus cursos. A UFRR é pequena diante de tantas em outras unidades da federação, mas tem seu valor. Não devemos permitir que os resultados positivos do trabalho realizado pelo reitor Roberto Ramos seja maculado com tal atitude. Devemos lutar pelo engrandecimento do ensino público, e evitar que situações como esta se repitam, pois não condizem com o comportamento e pensamento da maioria que faz parte deste estabelecimento de ensino.

Tiana Brazão – acadêmica de Comunicação Social da UFRR

  • Parabéns, Tiana, pelo seu artigo. Também sou ex-aluno da UFRR e conheço bem como funcionam as coisas por lá. Mudam os alunos, mas permanecem a instituição e os professores. Infelizmente, algumas idéias ultrapassadas a respeito de liberdade de expressão, e conceitos equivocados do que seja arte também permanecem.

    A história já provou que o ser humano não sabe lidar com a liberdade e, vez por outra, a confunde com libertinagem. Na minha época de acadêmico da UFRR, enfrentamos problemas sim, mas nunca houve tal afronta à moral como a que ocorreu nesse episódio. Não se cale, nunca! Sempre estaremos aqui para defender o público, a moral e os bons costumes, com responsabilidade e sem paixão ideológica.

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