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Cartas na mesa

A disputa eleitoral de 2010 começa tomar forma. Nomes e ensaios de alianças políticas começam a surgir, além das especulações sobre “rachas” de grupos que se acomodam ao gosto de seus dirigentes, desagradando membros arredios a algumas decisões que consideram ferir os princípios defendidos até então.

O último episódio aconteceu esta semana, quando o deputado federal e ex-governador Neudo Campos (PP) anunciou que será candidato a governador em 2010. Ele disse mais: não aceitará ser vice de ninguém, nem disputará outro cargo a não ser o de governador.

Nas atuais circunstâncias e apesar de todos os percauços pelos quais passou desde que deixou o Governo de Roraima em 2002 (caso Gafanhotos, ações na justiça, etc.), Neudo tem reais chances de voltar ao comando do Estado. O nome dele vem ganhando força a cada dia não apenas na Capital, mas principalmente no interior.

Na verdade, todos já sabiam que Neudo Campos seria candidato ao Governo em 2010. Só faltava ele declarar essa intenção publicamente. Certamente que ele não estará sozinho. Quando decidiu deixar o grupo do governador Ottomar Pinto/Anchieta Júnior (PSDB), Neudo acabou levando, embora inconscientemente, um punhado de aliados insatisfeitos com o rumo que o grupo governamental estava tomando, ao se aliar com o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Se Neudo terá o apoio do prefeito de Boa Vista, Iradilson Sampaio (PSB), quem ele apoiou nas eleições de 2008, é outra história. Afinal, Iradilson sempre esteve ao lado do senador Romero Jucá e sua mulher, Teresa Jucá, que nunca ficaram de fora de uma disputa pelo Governo de Roraima e também nunca aceitaram ser coadjuvantes nessa história.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) foi outro que ameaçou deixar o grupo de Anchieta caso este se aliasse ao grupo Jucá, afirmando inclusive que poderia disputar as eleições de 2010 como candidato ao Governo. Entretanto, Mozarildo permanece aliado a Anchieta e, consequentemente, ao senador Romero Jucá. Se cumprirá as ameaças, só o tempo dirá.

Outros nomes também surgiram nesses últimos dias: o presidente da Assembléia Legislativa de Roraima (ALE-RR), deputado Mecias de Jesus (PR), anunciou que é candidato a candidato ao Senado e abriu a bolsa de apostas e especulações. Alguns analisam que se trata apenas de uma estratégia de Mecias para saber a quantas anda o seu nome no grupo para uma possível disputa ao Governo. Aliás, esse é o desejo de 10 entre 10 aliados de Mecias.

O ex-governador Flamarion Portela (PTC), apesar do desastre que foi o seu Governo (2002/2004), é hoje o mais atuante deputado estadual em Roraima. Ninguém se assuste se Flamarion anunciar sua pretensão de também se candidatar ao Palácio Hélio Campos. Afinal, ele considera que fez muito pelo Estado, ao realizar o concurso público. Mas, por outro lado, o que ficou mais evidente foi o caos ocasionado pela demissão em massa dos servidores não concursados. Flamarion ainda está com esse nó na garganta e muita mágoa de alguns aliados que lhe puxaram o tapete, resutando no seu desgaste político, situação que somente agora ele está conseguindo reverter, com uma atuação dinâmica na Assembléia Legislativa.

Outro nome que surgiu na semana passada foi o do deputado Urzeni Rocha (PSDB), anunciando que é candidado a candidato à vaga de vice-governador na chapa de Anchieta Júnior, caso o Congresso Nacional mantenha a reeleição na Reforma Política que vem aí.

Na disputa pelas vagas dos senadores Augusto Botelho (PDT) e Romero Jucá, estarão a ex-senadora Marluce Pinto e, provavelmente, o deputado federal Chico Rodrigues (DEM), além do próprio senador Jucá - Isso se ele não decidir disputar também o Governo do Estado, no caso de Teresa decidir pelo Senado. Sim, porque Teresa nunca ficou de fora de uma eleição em Roraima e não será dessa vez que isso vai acontecer: será candidata ao Governo, ou ao Senado.

Caso a reeleição passe no Congresso, o governador Achieta Júnior terá que se desincompatibilizar do Governo seis meses antes das eleições. Nesse caso, deveria assumir o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Mecias de Jesus. Mas, com Mecias candidato (seja ao Senado, à reeleição de deputado estadual ou a governador) quem deverá assumir mesmo o Governo do Estado será o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Robério Nunes dos Anjos que, aliás, já teve a oportunidade de ensaiar ser chefe do Executivo estadual nesse mês de janeiro, enquanto Anchieta Júnior descansava no Nordeste.

As cartas estão lançadas à mesa e o jogo já começou. Certamente que outros nomes surgirão: alguns desconhecidos e outros nem tanto. A esquerda ainda não se manifestou, mas cedo ou tarde também lançará seus candidatos. É até bom que esses nomes surjam com antecedência, porque assim, os eleitores terão bastante tempo para avaliar quem merece seu voto. Quais serão as próximas cenas? Vamos aguardar o próximo episódio dessa novela chamada Eleições 2010 em Roraima.

Wirismar Ramos – da Redação

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