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Chá de cadeira e falta de respeito

Tremenda falta de respeito o que algumas autoridades (e seus assessores mais diretos) costumam fazer com a Imprensa, deixando o repórter esperando para dar uma declaração ou duas. Todo mundo sabe (ou pelos menos deveria saber) que o jornalista, seja ele de rádio, TV, jornal, revista, ou Internet, sai a campo com duas, três, ou até quatro pautas para cumprir num só expediente de cinco horas e por isso não tem tempo de ficar esperando pela boa vontade da autoridade para conceder uma entrevista.

Ninguém merece assistir solenidade. São demoradas, maçantes, não acrescentam nada à matéria a ser produzida (além de algumas imagens, no caso da televisão) e só interessam às pessoas diretamente envolvidas. Além do estresse causado pela correria, Sol de matar, o editor não quer nem saber que dificuldades o repórter enfrenta na rua para colher as informações necessárias para a produção da matéria. Ele quer o texto pronto no dead line estipulado.

Sempre defendi que o jornalista, para ser um profissional pleno, precisa conhecer as duas realidades: ter experiência de Redação e da Assessoria de Imprensa. Somente assim o assessor entenderá que o tempo do repórter é precioso. Da mesma forma, o repórter também entenderá melhor os melindres do assessor de imprensa, suas dificuldades e seu tempo para faciliar (ou dificultar) o acesso ao seu assessorado.

Não importa o grau de importância da autoridade (presidente da República, goverandor, parlamentar, ou militar). É preciso que todos aprendam a respeitar horários e, dessa forma, contribuir para que a imprensa possa trabalhar de formas mais eficaz, garantindo assim que o seu assunto seja publicado e até mesmo com destaque no dia seguinte.

O assessor de imprensa tem a obrigação de saber (e fazer com que o seu assessorado também saiba) que é inaceitável que uma coletiva, ou solenidade, sejam marcadas para horários impróprios como meio-dia, final da tarde, ou início da noite, por exemplo. Ninguém merece coletiva no horário de almoço e a autoridade ainda se dá ao luxo de atrasar 30 minutos, uma ou duas horas. O final da tarde é hora do fechamento do jornal e só em caso de extrema necessidade o repórter sai da redação. O início da noite, então, é quando o repórter está terminando o seu trabalho, está cansado e só pensa em chegar em casa (ou sair com os amigos) para relaxar.

Nao defendo o corporativismo na maioria dos casos, mas quando o assunto é a falta de respeito com a Imprensa, entendo ser preciso sim que a classe se una e não permita mais que autoridade nenhuma dê chá de cadeira em repórter, seja ele de onde for. Temos que nos unir e avisar, logo na chegada no local do evento (seja coletiva ou solenidade) que a tolerância de espera além do horário combinado é de 10, 15 minutos. Se esse limite começar a ser colocado em prática, certamente que não haverá mais atrasos, a imprensa trabalhará com maior eficácia, o evento terá a divulgação desejada e todos ficarão felizes. Chá de cadeira nunca mais!

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