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Dois pesos e duas medidas

O comportamento da imprensa é interessante. No momento em que a sociedade se reúne em campanhas para combater a pedofilia e a violência contra mulheres e crianças, um caso revoltante é registrado em delegacia de polícia do Estado de Roraima. Antônio Júlio Pinto, 53 anos, homem de classe média, vem estuprando a filha desde os 12 anos de idade.

Dia 7 de junho, depois de dois anos de constantes violências sexuais, a menina, com ajuda e orientação da mãe e de professores, denunciou os abusos e levou o pai tarado para trás das grades.

Nenhum dos jornais diários de Boa Vista publicou algo sobre a ocorrência. No mesmo dia 7, ambos os periódicos estampavam a prisão de Genival dos Santos Lima (marceneiro para a Folha de Boa Vista; carpinteiro para o Roraima Hoje) acusado de estupro e abuso sexual contra a enteada de oito anos.

Sobre o instrutor de mecânica do Senai, Antônio Júlio Pinto, nem uma linha. Nos jornais, comenta-se que “ordens superiores” determinaram que o caso do engenheiro fosse abafado.

Oh, dúvidas!

Um marceneiro (ou carpinteiro) vale menos que um engenheiro? Violência sexual pelo padrasto contra uma menina de oito anos é mais revoltante que estupro pelo pai contra uma mocinha de 12?

O marceneiro (ou carpinteiro), pé rapado, pode ser exposto. O fato de o instrutor de mecânica pertencer à classe média e ter emprego fixo no Senai impede que suas taras sejam conhecidas pelo público?

Quanta hipocrisia. Será que proteger os abusos de Antônio Júlio Pinto não levará outros homens de classe média a violências sexuais partindo do princípio de que seus crimes são simples deslizes?

Aroldo Pinheiro – e-mail: zepinheiro1@ibest.com.br

Fonte: FonteBrasil

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