Emprego, tem sim
Quantas vezes vimos na rua, na televisão e/ou nos jornais a reclamação da população sobre a falta de emprego no país? E a resposta tem sido sempre a mesma e com a convicção cada vez maior de que emprego tem, sim, o que falta na verdade é mão-de-obra qualificada. Isso pode ser constatado na prática, diariamente, bastando apenas uma simples consulta na sessão de empregos nos classificados dos jornais, ou na relação de oferta de vagas do Sine (Sistema Nacional de Empregos).
Em Roraima, por exemplo, centenas de empregos nos mais variados setores são ofertados todos os dias e a grande maioria deles não é ocupada por falta de qualificação. Certamente que no restante do país não é diferente. Podemos constatar isso quando a indústria, empresas e comércio em geral reclama da falta de mão-de-obra qualificada. Ou seja, emprego tem, o que falta é profissional preparado.
Por falta de qualificação, grande parte dessas vagas (talvez a maioria) não é ocupada. No campo, podemos observar, por exemplo, dois casos interessantes: na construção civil, tá difícil encontrar ajudante de pedreiro. Há casos em que o próprio pedreiro se obriga a fazer todo o serviço sozinho porque não consegue gente pra contratar (passei por essa experiência recentemente, quando mandei fazer uma obra lá em casa). O outro caso é a falta de manicure nos salões de beleza. A explicação é que trabalhando de forma autônoma, a profissional ganha mais porque não precisa dividir com o salão o que produz ao longo do dia.
Na contra-mão dessa teoria da falta de mão-de-obra qualificada, instituições como o Senac estão jogando no mercado de trabalho, quase que diariamente, dezenas de profissionais qualificados em várias áreas, inclusive manicure e pedicure, depilação, na área de informática, etc. O Senai também é outro agente de formação profissional, mais especificamente na área da indústria.
As instituições governamentais também fazem sua parte, oferecendo cursos de qualificação e executando programas de inserção do jovem trabalhador no mercado. É o caso da Assembléia Legislativa de Roraima (ALE-RR) que, por meio de sua Escola do Legislativo (Escolegis), coloca no mercado quase que mensalmente profissionais com cursos de informática e de atendimento ao público, direcionados não apenas aos servidores do Legislativo, mas também à comunidade.
O Governo do Estado também tem sua Escola de Governo, além de manter programas como o Estágio Remunerado, que insere o jovem estudante no mercado de trabalho, conferindo-lhe a tal experiência profissional, tão exigida quando se busca uma vaga de emprego.
Se é assim, o que falta então? Levando-se em conta aquela teoria de que ao invés de “dar o peixe”, é mais interessante “ensinar a pescar”, observamos que nesse contexto existe muita acomodação. Muita gente acha que não deve fazer um curso porque já está velho demais para isso e, assim, não tem perspectiva nenhuma de mudar de vida. Outros vivem de benefício, como “Bolsa Escola” (Governo Federal) e “Vale Solidário” (Governo Estadual) e acha que tá tudo bem, que dá pra sobreviver dessa forma: às vezes passa necessidade, mas não tem coragem de trabalhar como ajudante de pedreiro, por exemplo, pra conseguir uma renda extra.
Depender de benefícios de governos é muito cômodo. Um amigo meu sempre diz: “quem nasceu pra ser Zé, nunca chegará a Johnny”. Na prática, é preciso ter ambição, ter vontade de crescer e dar uma vida digna à nossa família e a nós mesmos. Se andamos de bicicleta, temos que almejar ter um carro do ano e trabalhar com esse objetivo. Se moramos em casa alugada, precisamos buscar a nossa própria.
A menos que se ganhe na Mega Sena (tem gente que nem joga e vive sonhando com isso) a qualificação profissional é o melhor caminho.
Wirsmar Ramos – da Redação
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.