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ESCUDO DOURADO – Exército e PF contra garimpos ilegais em áreas indígenas

Foto: Marcello Casal Jr/ABr

Foto: Marcello Casal Jr/ABr

Após duas denúncias feitas aqui no FatoReal, somente este ano (uma no dia 4 de fevereiro e outra em 28 de setembro), sobre a existência de garimpos ilegais dentro da Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol, o Exército, por meio da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, e o Departamento de Polícia Federal em Roraima (DPF-RR), deflagraram na última segunda-feira (12) a Operação Escudo Dourado.

De acordo com a 1ª Brigada, a Operação Escudo Dourado atua nas regiões norte, noroeste e nordeste do Estado de Roraima, abrangendo as TIs Raposa Serra do Sol, São Marcos e Yanomami, com a finalidade de prevenir e/ou reprimir a ocorrência de crimes na faixa de fronteira com a Guiana, especialmente o garimpo ilegal e outros ilícitos ambientais.

Cerca de 40 homens do Exército participam da operação, com apoio da PF, com a Polícia Judiciária abrindo inquéritos e detendo pessoas acusadas de garimpagem ilegal. Nesses dois dias de Operação, oito pessoas foram detidas na comunidade indígena do Mutum (Município de Uiramutã). Ontem, a Escudo Dourado subiu o rio Mutum em direção a Uiramutã, a fim de encontrar mais garimpeiros.

Participam da Operação agentes da PF-RR e tropas do Comando de Fronteira Roraima/7º BIS, e do 12º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, com o apoio aéreo do Comando Militar da Amazônia (CMA), por meio do 4º Batalhão de Aviação do Exército, sediado em Manaus.

Na segunda-feira (12) e ontem (13) o Comandante Militar da Amazônia, Genereal-de-Exército Luis Carlos Gomes de Mattos, acompanhou as operações a partir de Boa Vista, com o apoio aéreo do VII Comando Aéreo Regional (VII COMAR), da Força Aérea Brasileira.

Tuxauas e autoridades apoiam garimpagem ilegal

O presidente da Câmara de Municipal de Uiramutã, vereador Milton Dário, confirmou ontem ao Portal Amazônia (www.portalamazonia.com) que os garimpeiros da região são todos indígenas e trabalham de maneira artesanal, com peneiras e pás. “50 famílias sobrevivem da atividade de garimpo na região do Mutum e da comunidade Flexal”, disse o vereador.

Em fevereiro, um tuxaua revelou ao FatoReal ter na garimpagem ilegal dentro da Raposa Serra do Sol sua principal fonte de renda e de sua família. No dia seguinte, o recém-empossado secretário de Estado do Índio de Roraima, Jonas Marcolino, não apenas confirmou a existência dos garimpos na TI, como também defendeu essa atividade como meio de sobrevivência das comunidades. “A garimpagem é um meio de sobrevivência como qualquer outra que os indígenas exercem, como a caça e a pesca, por exemplo”, disse.

No dia 28 de setembro, o FatoReal voltou ao tema, ao mostrar fotos de um garimpo ilegal a apenas 100 metros de uma das mais belas paisagens naturais do Estado, a cachoeira do Urucá, no Município de Uiramutã, onde a degradação do meio ambiente era visível. Apesar de a atividade estar acontecendo há vários meses no local e a pouca distância da sede do Município (apenas dois quilômetros), a Prefeitura alegou não ter conhecimento da existência do garimpo.

“Amanhã vou até o Ministério Público Federal fazer uma denúncia formal para que a Polícia Federal seja acionada a fim de retirar os garimpeiros da área. Como o local fica dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, infelizmente o Município não pode fazer nada, a não ser denunciar e é isto que faremos”, afirmou o secretário Municipal de Meio Ambiente, Paulo dos Santos.

Ele explicou que, apesar de a reserva já ter sido homologada e ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Governo Federal ainda não aprovou o Plano Diretor que define o perímetro urbano do Município. “Enquanto o Plano Diretor não for aprovado, estamos de mãos atadas, sem saber direito onde termina o domínio do Município e onde começa a Raposa”, reclamou.

Wirismar Ramos – da Redação

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