Estado de alerta
Um esquema de guerra foi montado pela Polícia Federal e Polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros de Roraima para acalmar os mais exaltados na área da reserva e mesmo em Boa Vista, onde os reflexos da decisão do Supremo (seja ela qual for) certamente serão ainda mais intensos. Desde esta terça-feira que o Palácio Senador Hélio Campos (sede do Governo estadual) teve a segurança reforçada. A Imprensa do mundo inteiro está preparada para acompanhar o desenrolar da questão, talvez a mais importante que o Supremo tenha que tomar nos últimos anos. Desde o início da semana que os veículos de comunicação (de Roraima e do resto do mundo) trabalham na montagem do esquema de cobertura não apenas em Brasília, na sede do STF, mas também na própria reserva Raposa/Serra do Sol.
O temor é que haja conflitos sangrentos entre índios e não índios e de índios contra índios, apesar de a Força de Segurança Nacional estar presente na região. De um lado, o CIR (Conselho Indígena de Roraima), o Governo Federal e as ONG’s (Organizações Não Governamentais) estrangeiras defendem a demarcação em área contínua. Do outro lado, a Sodiurr (Socidade dos Índios Unidos do Norte de Roraima), os arrozeiros e entidades da sociedade civil, o Governo do Estado, a Assembléia Legislativa e demais parlamentares, defendem que a demarcação seja em ilhas, excluindo as sedes das vilas e cidades, estradas e fazendas de arroz localizadas dentro da área da reserva.
É uma briga que está apenas começando. Os indígenas da Raposa/Serra do Sol já provaram para a Polícia Federal e à própria Força de Segurança Nacional que não se intimidam com farda e carrões pretos e armamento pesado. Quando querem agir, fazem isso na frente da Polícia Federal e não há quem impeça. Foi assim em abril de 2005, quando os índios da aldeia do Flechal (em Uiramutã) fizeram quatro policiais federais de reféns durante uma semana e só soltaram quando quiseram.
Depois desse episódio do Flechal, se intensificaram os conflitos na região, não apenas entre os arrozeiros e os indígenas ligados ao CIR, mas também entre esses indígenas e seus próprios parentes, ligados à Sodiurr, que defendem a permanência dos rizicultores dentro da área da reserva. O último caso aconteceu em maio deste ano, quando mais de 100 indígenas do CIR foram recebidos a tiros na vila do Surumu, após tentar invadir uma das fazendas de arroz localizadas na região. Dez deles saíram feridos. Isso foi apenas um exemplo do que pode acontecer nesses próximos dias naquela TI.
Que o assunto se tornou uma briga política, isso ninguém discute e quem está ou não com a razão, deixo para os ministros do Supremo, ou mesmo você amigo leitor, decidirem. O que nos surpreende é até que ponto a inteferência externa é nociva aos povos indígenas. Não fosse essa fome insaciável da Funai em demarcar áreas indígenas em Roraima, e a interferência de organismos internacionais nas questões que dizem respeito apenas ao Estado de Roraima e ao Brasil, certamente que essa situação estaria sob controle e o Estado não teria mais da metade de seu território comprometido com terras indígenas. A impressão que se tem é que escolheram Roraima para pagar a conta de países como os Estados Unidos (que praticamente exterminaram as populações indígenas de seus territórios).
Na verdade, os ministros do Supremo têm nas mãos uma tremenda de uma batata quente. Índios (contrários e à favor da demarcação contínua da reserva) se preparam para o enfrentamento. O grande problema na Raposa/Serra do Sol é que ninguém quer perder e ambas as partes (tanto do CIR como da Sodiurr) estão prontas para defender as idéias que dizem ser suas até a morte. Só nos resta torcer que o bom senso prevaleça.
Wirismar Ramos – da Redação
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.