Ficha Limpa e o vício da venda de votos
Foram dezenas de discursos inflamados para ao final vermos que dificilmente o projeto surta efeito na política brasileira. Uma emenda na redação da matéria coloca em xeque o alcance e a abrangência da lei. Veja só, a emenda, apresentada pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), estabelece que somente quem for condenado depois da sanção da nova lei é que será impedido de se candidatar pelas novas regras de inelegibilidade. O projeto original dizia que todos que tivessem “sido condenados”, antes mesmo dela entrar em vigor, estariam proibidos de se candidatar por oito anos.
Onde se lia “os que tenham sido condenados” passou para: “os que forem condenados”. E Demóstenes Torres (DEM-GO) ainda disse esta mudança harmoniza o texto. E argumentou que não se pode usar uma lei retroativamente para prejudicar ninguém. Há, há, há, há, há.
Com essa projeção para o futuro. Pergunto: De que valeu aquela melosidade toda, um show de besteirol, quando votaram favoráveis ao projeto aqueles que estão com o nome mais sujo que ‘pau de galinheiro?, desculpem-me a expressão.
Falo daqueles que respondem a crimes de peculato, tráfico de influência, sonegação fiscal e tributária etc… Praticamente a maioria dos políticos brasileiros não estaria livre de ser excluído do processo político se a matéria não fosse alterada, mas isso não pode acontecer. Ou perderemos grandes nomes da política brasileira e, consequentemente, roraimense. Mais uma vez, pra variar, fizeram o povo de besta, a CNBB e todos os outros que se juntaram para tentar ‘moralizar’ o processo político.
Mas existe outra questão: Os eleitores como ficarão? Aqueles que perambulam diariamente pelos órgãos públicos, nos poderes executivos e legislativos comercializando seus votos? Aquelas famílias que ganham de R$ 50 a R$ 100 reais por mês como ajuda de custo via recibo, pelo voto santo de cada eleição? Que trocam o voto pela simples carona até o local de votação?
Ou seja, mesmo que passe a valer este ou no ano que vem, enquanto houver pessoas passíveis de corrupção, haverá corruptos. O povo gosta mesmo é de vender votos. E por mais que um político não queira comprá-los, muitos eleitores dão um jeitinho de cambiar esse direito. Um ajuda o outro, um é cúmplice do outro. E a política brasileira, assim com outros setores não tão menos importante, por mais que se criem estas ou outras leis, não se curará a doença da CORRUPÇÃO… Nunca! Jamais!
ORLEN KELLY – Colaboradora
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.
Eleutério Sousaa
21 mai, 2010
A propriedade do emprego da língua é primordial. Somos useiros e vezeiros nesses subterfúgios. Lindo e belo país jogado às traças!
Fabio Assunção
21 mai, 2010
Eleição se ganha com propostas, carisma e identificação com eleitorado, planejamento e o complemento é por conta do eleitor que acolhe o melhor discurso. Quem decide somos nós os rumos do nosso Estado se vamos querer retroceder ou avançar. Vamos votar no Ficha Limpa e no Ficha Suja.