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Importância a quem tem

saude_uti.jpgVia de regra, nos momentos de dificuldades é quando podemos perceber quem realmente são nossos amigos e quanto prestígio temos na sociedade, especialmente quando se trata de doença. Recentemente, presenciei um caso interessante: um senhor idoso, 75 anos, passou mal e teve que ser levado pelos filhos às pressas para o Pronto Atendimento do Hospital Geral de Roraima. Medicado, retornou à sua humilde residência, no bairro Pintolândia. No dia seguinte, voltou a passar mal e novamente foi levado para atendimento médico e isso se repetiu por três dias seguidos.

Nesses três dias de angústia para a família e o enfermo, naturalmente, o “vozinho” foi-se debilitando cada vez mais e, em nenhuma das vezes em que esteve no Pronto Atendimento, se teve a noção do que realmente se tratava. Foi medicado sempre com base em suposições, apesar de terem sido feitos vários exames para diagnóstico da causa do mal-estar. Entretanto, a situação estava tão grave, que já no terceiro dia o “vozinho” já não respirava sem a ajuda de aparelhos.

Extremamente debilitado, sem conseguir respirar direito e sem dormir há três dias, ele agonizava numa cadeira de rodas sem conseguir sequer um leito, porque todos estavam ocupados devido à grande demanda de pacientes procurando por atendimento médico naquele final de semana. Vendo a situação daquele idoso, qualquer pessoa de bom senso saberia que ele precisava ser internado para poder ter um tratamento mais adequado. Os filhos pediam, reclamavam, esbravejavam, mas nada adiantava. Ninguém ouvia.

Diante do desespero (dele e da família) e num dos raros momendos de lucidez, o paciente chegou até a pedir para ir morrer em casa e os filhos já estavam se acostumando com a idéia, quando uma de suas noras chegou para salvar a situação. Influente no meio social e político no Estado, imediatamente ela conseguiu que o “vozinho” fosse internado num dos blocos do HGR, para sorte dele e alívio geral dos familiares, que já se preparavam para o pior.

Graças à Deus e à intervenção dessa nora, o idoso conseguiu se recuperar e teve alta esta semana, retornando ao seio de sua família. “Não foi dessa vez”, brincava ele na saída com a equipe médica que o tratou como se fosse o presidente da República. Não me considero importante, nem influente, mas em outras oportunidades minha irmã e uma cunhada tiveram tratamento especial na maternidade Nossa Senhora de Nazaré após revelarem o parentesco com um jornalista.

Esse episódio nos mostra o quanto temos ainda que evoluir no campo das relações humanas, em especial, quando se trata do atendimento à saúde no Estado. Significa que se temos influência, ou conhecemos alguém importante, temos tratamento digno de cidadão e, caso contrário, morremos à mingua nos corredores lotados dos hospitais públicos?

O artigo 5º, da Constituição Federal, assegura o direito à vida e o artigo 196 assevera que a saúde é direito de todos: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, diz o artigo 196.

É evidente que todas as pessoas, independente de condição social, raça, cor, ou regiligião, devem receber tratamento digno em qualquer hospital público, seja em qualquer esfera de Governo (municipal, estadual ou federal). Quando se privilegia um em detrimento de outros, simplesmente porque este é parente de político, ou de pessoa importante da sociedade, está-se agindo contra a Constituição e comentendo um ato de desumanidade.

Antes da obrigação enquanto Governo, de cuidar do cidadão, é preciso levar em conta o sentimento humanitário que todos carregamos (ou, pelo menos, deveríamos carregar) dentro de nós. Gestos e atitudes simples podem fazer a diferença entre a vida e a morte.

Wirismar Ramos – da Redação

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