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Jornalistas de Roraima defendem obrigatoriedade do diploma

Gilvan Costa, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Roraima (Sinjoper). Foto: Eduardo AndradeTudo começou em 30 de outubro de 2001 quando a 16ª Vara Cível da Justiça Federal acatou o pedido de uma Ação Civil Pública movida pelo então procurador da república André de Carvalho. A alegação era a garantia da liberdade de expressão e melhoria da qualidade dos textos da imprensa. O resultado foi a suspensão da exigência do diploma universitário de jornalista para o exercício profissional da função por dois meses.

Em todo o Brasil, vários atos públicos demonstravam a insatisfação da categoria. Mas, ainda assim, 15 meses depois a mesma juíza manteve a suspensão do diploma. A exigência do diploma só foi recuperada 22 meses depois quando o desembargador Aldo Bastos encaminhou um pedido de recurso. Entretanto, ainda em 2003, o juiz Manoel Álvares reconsiderou a decisão e mais uma vez a exigência do diploma foi suspensa.

Em 2005, outra ação reconheceu o direito do diploma, porém, mais uma vez foi suspenso. O caso, por fim, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o julgamento final deveria ter iniciado ontem, mas o assunto acabou retirado de pauta. A expectativa dos profissionais roraimenses é que se mantenha a exigência do diploma.

“Sempre defendi a obrigatoriedade do diploma. Acredito que o profissional de imprensa só é completo quando passa pela academia. A base teórica é essencial para o desenvolvimento de um bom trabalho”, disse Jailton Cordeiro, jornalista.

“O diploma não é só um papel. É uma troca de experiências, de conhecimento cientifico que proporciona um comportamento ético que se exige do profissional. Ser jornalista não é simplesmente escrever bem, engloba uma relação humana e cientifica também. A universidade proporciona ao profissional a real responsabilidade do que ele se propõe a fazer”, destacou Marcos Zouein, jornalista.

“Sou totalmente a favor do diploma. Qualquer profissional tem que ter além do conhecimento prático, embasamento teórico e isso se aprende no banco escolar”, frisou Gilvan Costa, jornalista.

“A questão não é só o diploma, mas todo o conhecimento multidisciplinar adquirido na universidade. O Jornalismo é uma profissão como todas as outras e assim como um médico ou advogado necessitam ter a experiência de uma universidade, o jornalista também tem um papel importante na sociedade, que exige conhecimento, ética, responsabilidade e principalmente, a regulamentação. A liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal não pode ser confundida com a profissionalização da informação. O jornalismo noticia, investiga e divulga informações utilizando os meios de comunicação de massa, mas isso exige técnica, respeito às leis e aos direitos individuais dos cidadãos”, comentou Nenna Tyeko Asano Costa, jornalista.

“Espero que mantenham a exigência do diploma. São vários anos de estudo e como os profissionais de outras áreas esperamos reconhecimento. As outras profissões exigem uma fiscalização rigorosa do seu exercício, com o jornalismo a exigência também precisa ser a mesma”, disse Johann Barbosa, jornalista.

Josemária Souza – Roraima Hoje

  • Concordo plenamente com os colegas. Hoje acordei ansiosa acreditando que toda essa celeuma teria um fim, mas infelizmente não foi o nosso dia. Confesso que se a decisão pela não obrigatoriedade for mantida, eu mudarei de profissão, pois não agüentaria tamanho desrespeito com todos que fizeram vestibular e passaram pelo menos 4 anos no banco de uma faculdade aprendendo a forma correta de fazer notícia. Não é justo que qualquer um, por mais talento e domínio que tenha de um texto, ocupe a vaga de quem dedicou anos de sua vida construindo uma profissão de acordo com as leis.

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