Mal das pernas, Roraima pede socorro
Nenhum empresário quer vir sequer visitar Roraima, quando mais investir. Não há novas oportunidades, geração de novos empregos, não há investimentos. A administração está de sobressalto, não há sequer comando. O Estado está à deriva e assim permanecerá até que os sete ministros do TSE decidam. O que está em jogo não é somente a cassação ou não do governador José de Anchieta (PSDB) e sim o fim do clima de tensão que atinge a todos.
Caso Anchieta continue no cargo, todos já sabem qual a situação que perdurará, os empresários que serão contemplados com a amizade do governador, os políticos que continuarão como aliados fortes e aqueles que inevitavelmente se firmarão e se tornarão oposição. Mas aí o Estado ganhará um quadro de estabilidade, as instituições voltarão a funcionar e o governador poderá, enfim, pensar em 2010 com mais clareza, sobre as reais chances de reeleição, sobre quem serão seus opositores, etc., uma vez que ao contrário do que ele disse no começo do ano, a foto não é tão grande assim e não cabe todo mundo, visto que alguns que já estão nela ocupam espaço demais.
Se os votos dos ministros forem pela cassação, as esperanças se renovam, as pedras se mexerão mais rapidamente no tabuleiro do xadrez, etc. Afinal, quando não resta mais nada para uma sociedade em desgraça, ainda assim restará esperança. Para muitos, Roraima hoje vive nada mais nada menos que uma desgraça generalizada. Então, que deem ao povo o direito de renovar suas esperanças.
Nos últimos dias me chamou a atenção alguns adesivos que circulam em Boa Vista com a frase: “Não aguento mais, quero mudança”. Certamente esse é o pensamento de pelo menos 90% da população de Roraima. A mudança aqui não pode ser entendida apenas como a cassação de Anchieta, mas também como a mudança de rumo, de postura, o fim do processo no TSE. O que o povo não quer é que as coisas permaneçam como estão, pois isso só beneficia meia dúzia que está sendo contemplada com as benesses estatais. Mas nem se preocupem, porque esses serão beneficiados em qualquer circunstância.
Se tiver alguém que está interessado em empurrar com a barriga esse processo por tempo indefinido, não tem nada a ver com aqueles que têm realmente compromisso com nosso Estado. Para o próprio governador, deve ser incômoda a posição de não saber hoje o que vai ser amanhã, que credibilidade, que argumento poder ter um governante que pode sair do cargo a qualquer instante. Daí a importância de se definir de uma vez por todas.
Exemplos de que o clima de instabilidade gera terror, boatos, intrigas e confusões, etc., pode ser sentido a partir da tarde de ontem (9). Em todos os órgãos e locais públicos não havia outro assunto, a não ser o processo de cassação de Anchieta. Três correntes de boatos eram facilmente identificadas: a primeira de que o governador não corre risco nenhum porque seus bem pagos advogados já “garantiram” o resultado e que a qualquer momento que ocorrer o julgamento será bom para o Governo dele; uma segunda linha, a maioria, diga-se de passagem, garante que não haverá julgados e que ministros estratégicos pedirão vistas e mais vistas até que venham as eleições e tudo fique tranquilo; a terceira corrente tem sido a responsável pela onda de boatos, fofocas, intrigas e confusões e dá como certa a cassação, tanto que na noite de ontem era dado como certo que uma operação da Polícia Federal (PF) iria prender e expor vários políticos de Roraima, o que em tese impediria o nome mais provável para suceder Anchieta indiretamente de assumir a função, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), deputado Mecias de Jesus (PR).
Esses são alguns dos argumentos que facilmente contestam a falsa impressão de que tudo está bem, às mil maravilhas, tudo funciona igualzinho nos VTs de propaganda de chocolate. Roraima não está bem, pede socorro e não estará bem até que a espada apontada para nossa nuca seja retirada pelos ilustres ministros do TSE.
Wirismar Ramos – da Redação
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.