O desprezo da imprensa local pelo conflito PM x Governo
Tem sido tendenciosa e não satisfatória a cobertura que a imprensa local (inclui-se aqui todos os meios, gêneros, tendências, etc.) vem fazendo sobre a polêmica paralisação dos policiais militares de Roraima.
A maioria absoluta dos policiais (soldados, cabos e sargentos e alguns oficiais) paralisaram suas atividades e partiram para o último recurso – a greve – mesmo sabendo que corriam risco de punição severa, incluindo ai a expulsão, mas a cobertura tem sido pífia desde o início. Ainda no final de 2008, com o clima pesado e indício de acirramento dos ânimos – mais cedo ou mais tarde – já se exigia uma cobertura em maior profundidade.
Depois de algumas tentativas de negociação, faltou aos manifestantes uma força política maior para resolver a questão. Centenas de policiais sucumbiram diante da força que o oficialato vem exercendo desde o início da polêmica. Os grevistas não querem discutir apenas o reajuste puro e simples, mas embora a pauta seja mais extensa a associação da categoria sequer conseguiu sensibilizar os interlocutores do governador para ouvir suas reivindicações. Mas os jornalistas se esqueceram de traduzir essas tendências.
Para o azar final dos policiais descontentes uma crise mundial atravessar o caminho deles, se transformando um contra-argumento poderoso para o executivo estadual que – realmente – não pode simplesmente abrir as torneiras e autorizar generosos aumentos salariais como o fez com professores e policiais civis. Mas novamente a imprensa local despreza o tema.
Se há uma crise a capacidade do Governo em atender os PMs descontentes não é a mesma de 2008, por isso mesmo a capacidade de dialogar deveria ser ampliada. O descontentamento da categoria em greve não nasceu de ontem, remonta há algum tempo e como já dito a pauta é mais extensa, conhecida de odos, mas nenhuma das partes ousa puxar a discussão geral agora. Mas tudo isso não desperta o menor interesse da imprensa local.
De qualquer modo duas coisas chamam muito atenção nesta confusão toda, desde 1988, com a vinda de um governador nomeado, nunca um governador tinha enfrentado uma resistência tão forte, com um ar tão recrudescido. O outro ponto difícil de compreender é a cobertura extremamente superficial que a imprensa local vem fazendo da situação. Assim, questões como as razões que levaram o acirramento total dos ânimos; os outros pontos da pauta de reivindicação, as versões simultâneas de cada parte envolvida; a exposição daqueles que agem como verdadeiros “bombeiros” e aqueles “incendiários”, etc.
Tudo isso parece não ter a menor importância para a nossa combalida imprensa local. Parece que os nobres colegas jornalistas estão esperando explosões, bombas, tiros, PMs x PMs feridos e oxalá mortes, para finalmente tratar o assunto com a devida importância. Assim, se esquecem que a função social da imprensa vai além de noticiar simplesmente os fatos, devendo partir para a análise; exposição de pontos de vistas divergentes e até servir de canal de compreensão em busca da paz social. Assim a maior crise da segurança pública já enfrentada em Roraima fica parecendo coisa pequena, quando todos sabem que não é.
Passando do quinto dia de paralisação, a impressão que temos é que a greve está acontecendo na China por que os comunicadores sociais de Roraima não tem tido a competência de tratar o problema com o mínimo se isenção e habilidade que se espera de uma imprensa madura, em situações como essas.
J. R. Rodrigues – Jornalista (jotar@technet.com.br)
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.
Alessandra
7 abr, 2009
Não entendi o que o nobre colega diz. A imprensa deve sim mostrar o que ocorre e as negociações, que nunca avançaram. Percebemos que os policiais são pacíficos e já expressaram o seu desejo e suas frustrações, que ao logo do tempo foram sufocados, pela hierarquia e as forças de comando. Não é na China e muito menos em São Paulo, onde houve polícia conta polícia. São pessoas pacíficas e querem apenas garantir um salário mais digno.
A imprensa não deve fazer o joginho dos políticos e muito menos daqueles que querem se promover com a situação caótica em que se encontra a polícia ostensiva de Roraima. Os meios, para que ambas as partes se pronunciarem, estão disponíveis nas empresas de comunicação. Porém, os apagados deputados deveriam ter feito algo, de imediato para ajudar o Executivo Estadual, no inicio do conflito.
O que o nobre colega não explica em seu artigo de opinião é que “os comunicadores sociais em Roraima não tem tido a competência de tratar o problema com o mínimo se isenção e habilidade que se espera de uma imprensa madura, em situações como essas”. A isenção e habilidade você afirmar de quais os veículos, pois nem todos fecham as páginas e fazem as chamadas das notícias com apenas os textos das assessorias que se espalham nas repartições públicas de Roraima.
J. R. Rodrigues
8 abr, 2009
A leitora alessandra apenas corroborou o que eu escrevi. Embora, ao que pareça, ela não tenha entendido o que eu escrevi, concordo em gênero, número e grau com ela. Escrevi o modesto artigo pautado pelo mesmo sentimento. Parabéns pelas suas colocações. Não retiro e nem acrescendo uma vírgula no que ela escreveu. Resssalto apenas que este artigo foi escrito num momento da movimentação e que naquele momento os jornalistas e meios de comunicação estavam agindo com desprezo e parcialidade, mas que depois começaram a agir como verdadeiros jornalistas.