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Os fins justificam os meios?

12 jan 2010 | Comentários

Maquiavel escreveu "O Príncipe"

Maquiavel é, até hoje, mal interpretado.

Estamos separados mais de quatro séculos da época em que viveu Nicolau Maquiavel. Entretanto, um número significativo de pessoas evoca o nome deste pensador ou utiliza os termos originados em seus discursos. O adjetivo “Maquiavélico” e o substantivo “Maquiavelismo” estão presentes tanto no discurso erudito, no debate político, quanto nas conversas do dia-a-dia. O usos de tais extrapola o mundo da política e habita sem cerimônia o universo das relações privadas. Entretanto, entende-se que o maquiavelismo está associado à ideia de procedimento traiçoeiro, expressão pejorativa que sobrevive ao tempo, alastrando-se da luta política para as desavenças do cotidiano.

Na realidade, na maioria das vezes, se não em sua totalidade, Maquiavel é mal interpretado, pois ao escrever sua principal obra, O PRÍNCIPE, as interpretações surgiram de maneiras diferentes.

Ao analisarmos a frase mais famosa entre os homens, “os fins justificam os meios”, na realidade deve ser entendido que “qualquer atitude é justificada dependendo do seu objetivo. É de acordo com o seu objetivo que você vai traçar os planos de como atingi-los.” A frase foi traduzida incorretamente e o que realmente está escrito é que “os meios são determinados pelos fins que alguém busca atingir”, ou “pelos fins que se procuram atingir”. Não quer dizer que todos os meios sejam legitimados. Porém, entendo eu que “os resultados obtidos sempre são provenientes das suas ações, portanto, se algo sair errado, houve falha na execução dos meios.”

No caso do Governo de Roraima, os meios devem ser analisados a partir das primeiras ações deste ano eleitoral. Falemos da Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes), por exemplo. Durante as eleições, os candidatos governistas (falo dos que possuem casta, os brâmanes) precisarão da Setrabes para chegar camuflados e disfarçados de ação social nos municípios. São os “meios” de sensibilizar o povo de que eles precisam do Governo para ganhar rede, mosquiteiro, e cesta básica.

Aliás, parece que só existe isso no mundo para presentar o pessoal aqui em Roraima. Ou será que o (des)Governo acredita que investir na EDUCAÇÃO é trazer um astronauta para falar de robótica para alunos das escolas do centro da cidade (da periferia não póóóde!), que investir na SAÚDE é comprar tylenol e investir na SEGURANÇA é aumentar o número de guarda-costas para a família?

Bem, muitas ações (os meios) já estão acontecendo, com centenas redes e cestas básicas distribuidas aos pais, juntamente com os brinquedos para as criancinhas durante o arrastão que o Governo está realizando em todos os municípios de Roraima.

Ocorre que o resultado nas urnas este ano será uma soma das ações do nosso (des)governante em 2007, 2008 e 2009, o que certamente poderá ser desagradável para o príncipe (neste caso, o governador José de Anchieta) que herdou o poder, mas que nitidamente não conseguiu mantê-lo, passando-o às mãos de outro governante (Jucá) e assim, perdendo a crença da sua legitimidade diante do povo.

O que não quer dizer que as ações dele estejam erradas. Não! Afinal, ele acredita (e precisa acreditar) que o resultado será positivo com tais ações que considera valorosas neste período. O que também não quer dizer que isso acontecerá.

Anchieta possui um império, não podemos negar. Tem subordinados e bajuladores que agem de acordo com suas ordens, pois ele herdou o poder. E como diz o velho ditado popular: “rei morto, rei posto”. Ele é o rei!

Mas ainda há muitas ações a serem analisadas, até que cheguemos ao fim, no mês de outubro, quando saberemos então se valeu à pena os meios utilizados para a manutenção do poder do rei e seus comandados e se realmente ele triunfará. Pois, como afirma Maquiavel: “Não se pode chamar de ‘valor’ trair seus amigos, faltar à palavra dada, ser desapiedado. Essas atitudes podem levar à conquista de um império, mas não à glória.”

Orlen Kelly – colaboradora

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Israel Dantas

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