Picaretas vão proliferar no Jornalismo
Não concordo com a decisão dos ministros do STF. Em primeiro lugar pelo fato de ter passado quatro anos numa universidade privada, pois na cidade que morava em Campina Grande, na Paraíba não tinha instituição pública e sim apenas na Capital, João Pessoa.
Faltavam seis meses para concluir o curso, mais já trabalhava num jornal. Eis que determinado dia chegou a redação do Diário da Borborema integrantes da diretoria do Sindicato dos Jornalistas, e comunicou a direção da empresa que a partir daquela data, só poderiam permanecer no jornal quem tivesse o diploma.
Eu e mais seis colegas além de outros de empresas de comunicação da cidade, tentamos contornar a situação com os diretores do sindicato, mais não teve jeito. Resultado fomos todos demitidos e colocados no olho da rua. Quando consegui o meu diploma retornei ao Diário da Borborema. Isto aconteceu em julho de 1985.
Desde esta época que defendo a exigência do diploma para que a pessoa possa atuar no jornalismo. Contudo minha ideia não é a mesma de outros colegas. Acredito que é por conta disto que tem ‘picaretas’, demais em nossa categoria o que não acontece em outras profissões, senão vejamos.
O advogado só pode atuar quando tiver em mãos o diploma e além disso passar no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A medida vale também para promotores, juizes, desembargadores e procuradores. O enfermeiro só pode exercer a profissão se tiver registro junto ao Conselho o mesmo vale para o dentista e o médico.
Vez por outra é estampado nos jornais de Boa Vista a prisão de pessoas acusadas de estarem exercendo a profissão ilegal de enfermeiros e dentistas. As denúncias são feitas ao órgão, que acionam a Polícia Civil e a Militar que culmina na prisão dos acusados.
Esta medida deveria ser aplicada na categoria dos jornalistas. Poderia, mais agora não pode mais em virtude da decisão do STF que decidiu pelo fim da exigência do diploma para jornalistas.
Com a medida do STF os ‘picaretas’, vão proliferar no jornalismo, principalmente em Roraima. Aqui é o único Estado da Federação em que a pessoa passa no vestibular de jornalismo, e antes de fazer a matrícula na universidade o candidato solicita um registro. É também o Estado em que existe órgão de comunicação que contrata pessoas e a exigência é que o interessado tenha apenas o 2º grau.
Os ‘picaretas’, que se proliferam em nossa categoria (jornalistas) em Roraima estão em diversos órgãos como em assessorias de imprensas nas secretarias estaduais e municipais bem como em outras instituições públicas e privadas.
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo Andrade, afirmou que “Não é novidade para ninguém que o melhor lugar para qualquer pessoa adquirir conhecimento é a escola. Lamento que o Supremo tenha andado na contramão, deixando de lado a exigência por profissionais qualificados. Foi um contrassenso”.
Wilson Barbosa – Jornalista e blogueiro - (clique AQUI e conheça o blog do autor)
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.