FatoReal: Notícias, críticas, denúncias, ideias e devaneios

Pizano, o cineasta milagreiro

Um milagre se faz com mil reais. Não, essa não é uma releitura capitalista do evangelho segundo Mateus. É apenas a lição deixada pelo cineasta roraimense Alex Pizano, com a sua receita sobre como fazer um bom filme sem dinheiro. Os ingredientes são simples, embora nem todos saibam usá-los com a mesma eficácia: criatividade, ousadia e vontade de fazer.

O milagre se chama “Remanescentes das Sombras”, um longa metragem de 1h50 minutos de muita ação, cujo enredo envolve nazismo, corrupção e assassinatos. O filme trata do tema “segunda guerra mundial/nazismo/holocausto e a caça a criminosos de guerra que dura até os dias de hoje”, conforme conta Alex Pizano em entrevista ao blog Crônicas da Fronteira, do jornalista Edgar Borges.

A tríade conceitual uma câmera na mão, uma idéia na cabeça e um elenco de baixo ou nenhum custo – já que todos atuaram sem receber cachê – resultou num filme que certamente dará muito o que falar. Ao apresentar o longa aos convidados para a sessão especial, Pizano tentava se justificar pelas possíveis falhas técnicas. “Vocês vão dar boas gargalhadas”, dizia ele antes do filme começar. Mas o que são pequenas falhas técnicas diante do resultado primoroso alcançado pelo “Remanescentes”?

O elenco composto por 80 atores e figurantes, na sua maioria amadores, mas de muito talento, gente que participava de um filme pela primeira vez, agrega ainda mais valor ao filme. Bom mesmo foi ver o Cine Sesc lotado de novos atores ansiosos para se ver na telona e conferir a reação do público ao final da exibição.

No final da exibição, a opinião sobre a produção de Pizano foi unânime: “Remanescentes das Sombras” é um “filmaço”. Destaque para o desempenho do escritor Bruno Garmatz, interpretando o nazista Von Deck, admirador de Adolf Hitler, que sonha em criar/implantar um quarto Reich aqui na Amazônia.

O enredo que poderia parecer improvável para alguns, se justifica por uma pesquisa primorosa feita pelo produtor e roteirista Farley dos Santos. Para completar, o argumento de Alex Pizano e a trilha sonora eletrizante de Cláudio Lavor dão ao filme uma densidade que, tenho certeza, vai chamar a atenção do grande público. Hoje, podemos dizer: “Yes, nós fazemos cinema de qualidade na Amazônia!”. Apesar de todos os obstáculos.

Tive o privilégio de assistir a van premier que aconteceu no sábado (24) à noite. Uma seleta de convidados, entre atores, apoiadores e admiradores de cinema esteve no Cine Sesc para ver em primeira mão o filme de Pizano. No final da exibição, a exclamação de um dos espectadores resume o sentimento de todos: “Alex Pizano, temos orgulho de você!”. Que os órgãos financiadores da cultura também possam abrir seus olhos para ver. Projetos como esse merecem todo o apoio possível.

Luiz Valério – blog Política com Pimenta

Deixe o seu comentório