
A decisão do TSE foi por um placar de 7 x 0
Acabou a novela. Em votação rápida, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acaba de decidir pela manutenção do mandato do governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB). Todos os ministros consideraram bastante contundente o relatório do ministro Fernando Menezes, que negou provimento do Recurso Ordinário (RO) 2233, do Ministério Público Eleitoral (MPE), que pedia a cassação do mandato de Anchieta.
Wirismar Ramos – da Redação
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Lamentável, meu caro Wirismar. Essa decisão é mais uma afronta a Roraima.
Manter o governador Anchieta Junior no cargo, inocentando-o de todas as acusações imputadas a ele não apenas pelo Ministério Público, mas principalmente pelo seu principal aliado hoje, o senador Romero Jucá é, de fato, mais um duro golpe à democracia, à moralidade, à ética e ao bom senso do povo brasileiro, em especial aos eleitores do Estado de Roraima.
As acusações que pesavam contra o falecido governador Ottomar Pinto, herdadas por Anchieta, são graves: abuso de poder político, econômico, compra de votos, conduta vedada a agente público e fraude eleitoral nas eleições de 2006.
Aliás, essas mesmas acusações pesam também contra o deputado federal Márcio Junqueira, já cassado pelo TRE-RR e cujo processo tramita no TSE, e o deputado estadual José Reinaldo, ambos aliados de Juninho. Sem contar com os casos já julgados e os que ainda tramitam no TRE-RR e ainda não chegaram à Corte superior.
Inocentando Anchieta, o TSE diz claramente à sociedade que não é errado comprar voto e fazer farra com o dinheiro público em época de eleição. Quem mora em Roraima sabe da festa que é na semana que antecede o pleito eleitoral, seja para qual cargo for: governador, senador, prefeito, vereador, deputado estadual, ou deputado federal.
Mas não é somente isso. A cassação de Anchieta também trazia uma esperança, embora que mínima, de que o próximo governador, seja ele quem fosse, pudesse tirar o Estado dessa pasmaceira e estagnação que se instalaram a partir da efetivação de Anchieta e a posse de seus comandados (seus em tese, porque a maioria foi indicada pelo senador Romero Jucá).
Não é à toa que Roraima passa por uma crise sem precedentes, com servidores públicos sendo pagos de forma atrasada e parcelada, sem recursos para investimentos nos setores essenciais como saúde, educação e agricultura. A culpa, Anchieta colocou na crise mundial que atingiu recentemente o Planeta, o Brasil e, consequentemente, o Estado. Entretanto, esse argumento se mostra ineficiente à medida em que se vê o dinheiro que entra no Estado sendo gasto de forma duvidosa.
Anchieta e seus aliados comemoram, soltando foguetes, cujo barulho pode-se ouvir ao longe. Se tivesse perdido o mandato, certamente que os seus adversários era que estariam comemorando. Mas a verdade é que não há nada o que comemorar, porque nada vai mudar, o Estado permanecerá em crise não apenas até o término deste mandato (e espera-se que isso seja em janeiro de 2011), mas até que o próximo governador consiga descascar esse superabacaxi travestido de monstro criado pela administração Anchieta.
Lamentável, mas “o povo tem o governo que merece”.