RAPOSA SERRA DO SOL – Turistas denunciam garimpagem na cachoeira do Urucá

Cachoeira do Urucá. Foto: Raphaela Queiroz
Um crime ambiental sem proporções está ocorrendo, há alguns meses, no Município de Uiramutã, no meio da Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol, em Roraima. O local é um dos pontos turísticos mais bonitos do Estado: a Cachoeira do Urucá, localizada a apenas dois quilômetros da sede de Uiramutã. No local, um grupo de quatro homens (o líder deles é conhecido como “Pequeno”) instalou um maquinário e está garimpando ouro e diamante, sem ser incomodado por ninguém.
O estrago à paisagem e o dano ao meio ambiente já são visíveis e ocorrem a apenas uns 100 metros da cachoeira. O FatoReal recebeu a denúncia de um turista e foi até o local para constatar a veracidade as informações. Uma espécie de abrigo coberto de lona foi feito para dar suporte ao garimpo, instalado no vale da cachoeira.
Os garimpeiros não se encontravam no local, mas percebe-se claramente que o garimpo está em pleno funcionamento. “Apesar de estar dentro do perímetro urbano do Município, é uma área de preservação ambiental e o que estão fazendo aqui é um crime sem proporções”, disse o turista.
Prefeitura não tinha conhecimento

Barracão de lona dos garimpeiros no vale da cachoeira. Foto: Palhares
Apesar da garimpagem em terras indígenas ser ilegal e combatido com rigor pela Polícia Federal, na Cachoeira do Urucá a extração de minérios ocorre à luz do dia, próximos às autoridades municipais, dos indígenas e da própria Funai.
O secretário Municipal de Meio Ambiente de Uiramutã, Paulo José dos Santos, disse nesta segunda-feira (28) que não tinha conhecimento da existência da atividade de garimpagem no local, mas garantiu que hoje, terça-feira (fará uma denúncia formal no Ministério Público Federal (MPF).

O estrago ao meio ambiente é visível a apenas 100 metros da cachoeira. Foto: Palhares
“Amanhã vou até o Ministério Público Federal fazer uma denúncia formal para que a Polícia Federal seja acionada a fim de retirar os garimpeiros da área. Como o local fica dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, infelizmente o Município não pode fazer nada, a não ser denunciar e é isto que faremos”, afirmou.
Paulo dos Santos explicou que, apesar de a reserva já ter sido homologada e ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Governo Federal ainda não aprovou o Plano Diretor que define o perímetro urbano do Município.
“Enquanto o Plano Diretor não for aprovado, estamos de mãos atadas, sem saber direito onde termina o domínio do Município e onde começa a Raposa”, reclamou.
Em fevereiro, o FatoReal denunciou a garimpagem na Raposa
No dia 4 de fevereiro, o FatoReal publicou matéria em que um tuxaua confessava viver exclusivamente de garimpo ilegal dentro da TI Raposa Serra do Sol. A notícia ganhou consistência e chegou à imprensa nacional. Cinco dias depois (dia 9), o recém-empossado secretário de Estado do Índio de Roraima, Jonas Marcolino, confirmou ao FatoReal a existência dos garimpos na reserva.
“Pequenos garimpos, certamente existem, não só na área Raposa Serra do Sol como em muitas outras áreas indígenas, a exemplo da área Yanomami”, disse o secretário, acrescentando que a garimpagem é um meio de sobrevivência como qualquer outra que os indígenas exercem, como a caça e a pesca, por exemplo.
Procurada pela reportagem, a Polícia Federal, por meio da Assessoria de Comunicação, afirmou que a prática de garimpo em terras indígenas é proibida, lembrando que, mesmo aos indígenas, essa exploração é ilegal.
“A instituição está investigando e acompanhando toda movimentação dentro da área e que a qualquer momento uma operação será deflagrada na região. Se comprovada a existência de pessoas dentro da reserva sem a autorização da Funai, elas serão presas”, disse.
No entanto, sete meses e 18 dias depois, nenhuma ação de retirada de garimpeiros de dentro da Raposa Serra do Sol foi anunciada pela PF.
Wirismar Ramos – da Redação
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Blogueiro, jornalista e radialista. A sequência é intencional e representa o nível de importância da atuação de Wirismar Ramos no mundo do webjornalismo. Pós-graduado em Comunicação Social - Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias, Wirismar Ramos costuma dizer que não suporta, em sua vida profissional, atitudes que demonstrem falso moralismo, falsidade, traição, incompetência e preguiça.