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RESTAURANTE DO MECEJANA – Falta de planejamento resulta em desperdício

Flagrante do desperdício no Restaurante Popular do Mecejana

Um release enviado hoje pela Prefeitura de Boa Vista (PMBV) a toda a imprensa roraimense e publicada também em seu site, informa que apenas nos dois primeiros meses de funcionamento, o restaurante popular Anna Cabral, localizado no bairro Mecejana, serviu 37.328 pratos oferecidos para a população, com alimentação de qualidade, ao preço de R$ 1,50. Trata-se de uma parceria entre a PMBV e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS).

Boa Vista dispõe hoje de três restaurantes dessa categoria – dois administrados pela PMBV (um Mecejana, inaugurado no final do ano passado, e outro Pintolândia, em funcionamento desde 2004) e outro do Governo do Estado (no bairro Caimbé, inaugurado em 2005). A principal diferença entre eles, além da localização, é o preço do prato: enquanto os da Prefeitura cobram R$ 1,50, no do Governo se paga R$ 1,00.

Naturalmente que o valor é simbólico, se levadas em consideração todas as variáveis que envolvem a situação econômica do estado, como preço da cesta básica mais cara do país, por exemplo. Entretanto, há que se lembrar que o MDS destina verbas tanto para o Governo Federal como para o Município manterem a proposta em pleno funcionamento, beneficiando milhares de trabalhadores e pessoas de baixa renda na capital roraimense.

Diante disso, como tudo deve ser feito no setor público, que mexe com o dinheiro público e trabalha diretamente no atendimento às pessoas, cidadãos que pagam impostos, etc., é preciso que as coisas sejam feitas com planejamento, critérios e respeito. Apesar dos esforços dos funcionários do restaurante do Mecejana em bem servir quem ali vai almoçar todos os dias, algumas situações de não podem passar despercebidas e merecem uma maior atenção por parte dos administradores, da Prefeitura, ou mesmo do próprio MDS.

O item "lombo de porco" só foi acrecrescentado no final do expediente, quando muita gente já havia passado pela roleta.

Talvez por pura falta de planejamento, o FatoReal flagou, dia desses (29 de dezembro de 2009), um caso de desperdício de comida no restaurante do Mecejana: enquanto o cardápio fixado na entrada, anunciava que o prato do dia seria carne (de gado) em cubos com cenoura, acompanhada de feijão, arroz, abóbora cozida e salada de alface com tomate, além da sobremesa (doce de banana e suco de caju), a partir das 13h começou a ser servido lombo de porco.

Até aí, tudo bem. Muito compreensiva a atitude da cozinha em tomar uma providência para não deixar o restaurante desabastecido. O problema é que muita gente, por motivos de saúde, evita comer carne de porco e, se soubesse que seria este o prato a ser servido naquele dia, exposto no cardápio, certamente que teria a opção de recusar antes de pegar a fixa na entrada do restaurante.

Muitas pessoas deixaram a carne de porco no prato, que foi parar no lixo.

O resultado foi um show de desperdício: muita carne (pronta, própria para o consumo de pessoas saudáveis, lógico) foi jogada na lata do lixo. Dois amigos que me acompanhavam naquele dia ao resturante do Mecejana deixaram de comer a carne e tiveram que se contentar somente com os demais itens do prato.

Ao final da refeição, questionamos uma pessoa que se apresentou como chefe da equipe que trabalhava naquele momento sobre o motivo de tanto desperdício e a falta de sincronismo entre o que era anunciado no cardápio e o que foi servido no salão do restaurante. “É que a quantidade de pessoas ultrapassou a demanda que esperávamos para hoje, por isso tivemos que repor a carne e aí a opção que surgiu foi longo de porco”, explicou.

A explicação seria até razoável, se não fosse uma série de fatores. Primeiro:  os pratos do cardápio são (ou pelo menos deveriam ser) montados por uma nutricionista, que sabe muito bem a importância (ou as restrições, no caso da carne de porco) de cada alimento. Segundo: tudo na vida deve ser feito com base em planejamento, senão a coisa desanda, sai do controle e o desperdício e o prejuízo são inevitáveis. E, por último, o respeito ao próximo, ao cidadão, ao povo, deve ser um pricípio norteador de todos, especialmente dos setores da administração pública. Sendo assim, se você anuncia que o prato do dia tem carne em cubos, então que sirva carne em cubos e não outro tipo de comida, como normalmente acontece quando o restaurante popular recebe um número maior de pessoas que o previsto para aquele dia.

Wirismar Ramos – da Redação

  • Casos de desperdício também acontece no Restaurante do Trabalhador, bairro Caimbé. O problema não acontece somente com relação ao fato de anunciarem um prato e servirem outro sem comunicação prévia, como também das pessoas que servem o prato do trabalhador, que na pressa serve o arroz, feijão, etc e etc fora do prato. POW, FALTA DE RESPEITO COM O CIDADÃO.

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