Rizicultores e membros de movimentos sociais saíram em carreata, na tarde desta quinta-feira, desde o posto trevo, na Avenida Ville Roy, até a praça do Centro Cívico, em protesto contra a operação Upatakon 3.
O buzinaço de motoqueiros precedia a vinda de caminhões e de pelo menos 16 máquinas agrícolas de propriedade de produtores retirados na Raposa Serra do Sol, ornamentados com faixas pretas em sinal de luto e com bandeiras do Brasil.
“Estamos em guerra para recuperar nossa autonomia. É um protesto contra o desrespeito com que estão tratando os produtores não só da região da Raposa Serra do Sol, mas todos os produtores de Roraima. Produtor virou sinônimo de criminoso nesse Estado. Queremos mostrar que não estamos com medo da Polícia Federal e que eles vão ter que aprender a nos respeitar”, destacou Paulo César Quartiero, produtor.
Os rizicultores afirmam que comunicaram ao Governo Federal que o prazo estipulado para a retirada da região não era suficiente. “Dissemos que o prazo era inexequível. As pessoas não têm para onde ir. O Governo simplesmente manda o Exército e a Polícia Federal expulsarem as pessoas de forma humilhante sem nem ao menos cumprir a parte dele no acordo. Isso não pode acontecer. Ainda há muita tem muita gente lá. É uma grande injustiça o que estão fazendo com a gente”, lamentou Paulo César Quartiero.
Grama do Centro Cívico servirá de pasto
Segundo os rizicultores, além do restante dos maquinários que ainda estão na região da Raposa Serra do Sol , os animais das fazendas também serão peças da manifestação contra a operação Upatakon 3.
“Não temos onde colocar nossos animais. Colocaremos os bois, cavalos e outros animais na Praça do Centro Cívico. Quem sabe, a grama sirva de pasto para alimentá-los”, destacou Paulo César Quartiero.
O rizicultor afirma que a idéia é permanecer na Praça e aumentar as ações do movimento . “A guerra continua. Temos que reconhecer que estamos no fundo do poço, mas, temos que sair. Se continuarem nos humilhando como estão fazendo, vamos fechar, paralisar esse Estado.Faremos tudo o que for preciso fazer para que nos tratem com o respeito que nos é devido”, afirmou Paulo César Quartiero.
Josemária Souza – Roraima Hoje
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