As denúncias feitas pela oposição no Plenário da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) sobre a titulação irregular de terras em Roraima começou a dar resultados. De acordo com a Folha de Boa Vista, edição impressa desta terça-feira (5), o presidente do Instituto de Terras de Roraima (Iteraima), Márcio Junqueira, informou ontem (4) o cancelamento do título da área da Fazenda Morumbi, titulada em nome de Samuel Hong Jin Lin, sobrinho do empresário chinês Chhai Chheng. De acordo com Junqueira, o comunicado à Justiça estadual deve ser protocolado nesta quarta-feira (6).
Esse é apenas um dos inúmeros casos de concessão de títulos definitivos pelo Iteraima a aliados e amigos do governador Anchieta Júnior (PSDB), denunciados na ALE-RR pelo deputado Mecias de Jesus (PP), líder da bancada de oposição, no dia 15 de março. Com vasta documentação em mãos, Mecias de Jesus denunciou uma verdadeira farra da titulação de terras para pessoas influentes do Estado em nome de “laranjas”, o que considerou como “algo escabroso e intolerante” e que se nada for feito para impedir o ‘leilão’ das terras do Estado, em no máximo seis meses Roraima estará todo loteado, em detrimento de quem realmente precisa de um lote para trabalhar, sustentar sua família e produzir.
“A questão em torno desta titulação [da Fazenda Morumbi] é polêmica e já rendeu um processo por sobreposição de documentos que tramita também na Justiça estadual. A área tem 354 hectares, esta situada na região do Água Boa, zona rural de Boa Vista, e chegou a ser dividida em cinco mil lotes com média de 12×30 metros cada um. (…) O processo de regularização da área que corre junto à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur) esta suspenso”, informa a Folha.
Ainda segundo o jornal, o motivo alegado pelo Iteraima para o cancelamento da titulação não foi a sobreposição dos documentos, mas o fato de a terra pertencer originalmente ao próprio Estado. “A área não poderia ter sido transferida, tendo em vista que faz parte do patrimînio do Estado”. Em função de termos detectado este vício, optamos pelo cancelamento do título”, admitiu Junqueira.
Interessante como somente agora, depois das denúncias sobre essas irregularidades, é que o Iteraima percebeu esse “equívoco”, um mero “detalhe” que seria resolvido e esquecido apenas com o ato de cancelar a titulação. Tudo não passa de mais uma tentativa (frustrada, lógico) de abafar o escândalo e jogar um balde de água fria na intenção dos deputados da oposição em propor a abertura de mais uma Comissão Parlamentar de Iquérito (CPI).
WIRISMAR RAMOS – da Redação (wirismar@gmail.com)
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E agora quem irá pagar os 2 milhoes colocados na campanha com o compromisso de que depois o terreno seria comprado pelo Estado por 5 milhões para construir casas populares? Não entenderam? alguém ganha um terreno de presente, depois “empresta” para alguém 2 milhões, depois esse terreno é comprado por 5 milhões e tudo fica certo.