CORREDORES VAZIOS – Realidade do Hospital Geral de Roraima muda após Decreto Governamental

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Além disso, o Pronto Atendimento Airton Rocha implantou o “Consultório Azul” para diminuir tempo de espera de pacientes

Ainda há momentos de pico, mas a tendência é que sejam cada vez menos comuns / Foto: Secom/Gov.RR /

Dois dias após o anúncio do Decreto Governamental que regula o acesso de venezuelanos aos serviços oferecidos nas Unidades Estaduais de Saúde, a realidade do PAAR (Pronto Atendimento Airton Rocha) é outra. Momentos em que é possível verificar corredores e recepção vazios, como o registrado na noite de quinta-feira, 2, agora devem fazer parte da rotina da Unidade.

Como o atendimento na Unidade tem uma grande rotatividade, há momentos em que a procura aumenta, como o registrado nesta sexta-feira, 3, mas a tendência é que os picos de lotação que costumavam ser registrados, fiquem no passado.

O decreto que prevê uma atuação especial, tanto das forças de segurança pública, quanto em relação à oferta de serviços para os imigrantes, foi assinado nesta quarta-feira, 1º, pela governadora Suely Campos, e entre outras coisas, prevê que para ter acesso às Unidades de Saúde, os venezuelanos precisam apresentar um passaporte válido.

“Foi uma forma de darmos uma resposta à ausência do Governo Federal no que diz respeito ao controle da entrada de estrangeiros na fronteira com a Venezuela, e também por termos nossos pedidos de auxílio negados, como o ressarcimento de R$ 184 milhões referentes aos gastos do Estado no atendimento aos imigrantes”, disse a governadora.

Mas o trabalho para fazer com que a procura pela Unidade seja feita somente por aqueles que realmente precisam, começou há algum tempo. Diminuir o tempo de espera de um paciente pelo atendimento numa Unidade Hospitalar é um dos maiores desafios da gestão na área de saúde. Nas Unidades de urgência e emergência de Média e Alta Complexidade em Roraima, de responsabilidade do Executivo Estadual esse desafio é maior ainda.

Isso porque cerca de 80% dos pacientes recebidos no Pronto Atendimento, são pessoas que deveriam ter sido atendidas inicialmente nos postos de saúde. Porém, essas unidades não recusam atendimento, mas é preciso priorizar os casos mais urgentes, que são a responsabilidade do Estado.

Para enfrentar essa realidade, a direção do PAAR implantou o chamado “Consultório Azul”, que consiste num local para atendimento aos pacientes classificados com a cor AZUL (Não Urgente), diminuindo consideravelmente a quantidade de pessoas nos corredores da Unidade.

Esses pacientes passam pela triagem na enfermaria e em seguida são encaminhados para esse consultório médico específico, montado num espaço localizado na recepção do PAAR.

“Por dia, atendemos uma média de 400 a 500 pessoas. Destas, pelo menos a metade não são casos urgentes. São pessoas com quadro de saúde menos grave, e que deveriam ser atendidas num posto de saúde. Esse é um dos principais fatores responsáveis pela superlotação das emergências, não só em Roraima, mas em todo o país”, explicou Lidyana Trindade, gerente administrativa do PAAR e do Pronto Socorro.

GRANDE TRAUMA

Umas das primeiras ações tomadas para melhorar o atendimento prestado à população foi ampliar a área do Grande Trauma. “Com o número crescente de pacientes graves nós precisamos uma um local mais amplo para atendê-los, pois são pessoas que correm sério risco de morrer. Ampliamos o Grande Trauma e melhoramos esse atendimento”, explicou Douglas Teixeira, diretor do PAAR e do PS.

Com essa ampliação, a área destinada aos atendimentos do PAAR diminuiu, mas o local será readequado com uma reforma, que irá começar ainda este mês. “Porém, mesmo antes da reforma, com o esforço de toda a nossa equipe conseguimos liberar os leitos e tiramos as pessoas dos corredores”, completou Teixeira.

“Os ajustes continuam. Somos uma unidade de porta aberta, e não há um controle de entrada, portanto, eventualmente pode haver uma sobrecarga. Mas nós estamos preparados para atender. Nosso objetivo é não ter pacientes internados no Pronto Atendimento, somente os que aguardam a liberação”, finalizou o diretor.

LEAN NAS EMERGÊNCIAS

A iniciativa do Consultório Azul, específico para pacientes menos graves, surgiu a partir do Projeto Lean nas Emergências, um projeto piloto do MS (Ministério da Saúde) em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, que pretende diminuir a superlotação nas urgências e emergências das Unidades que atendem pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O HGR (Hospital Geral de Roraima) é a única Unidade do Estado a ser contemplada com o Projeto.

“Uma equipe formada por médico, enfermeiros e servidores do setor administrativo do HGR, participou de uma qualificação em São Paulo sobre o “Lean”, e já começamos a por em prática, com bons resultados”, explicou Marcilene Moura, diretora geral do HGR.

NOVOS LEITOS

Outra maneira de agilizar o atendimento nos Hospitais é com a abertura de novos leitos. O Governo do Estado inaugurou 120 leitos no Hospital das Clínicas em março deste ano, para dar suporte para o HGR.

O Hospital, chamado de Unidade de Retaguarda, é responsável por atender pacientes em recuperação, após passarem por procedimentos ou cirurgias no HGR. “Lá eles recebem todos os cuidados necessários, com uma equipe multiprofissional, liberando leitos para os casos de urgência e para as cirurgias eletivas aqui no HGR”, completou Marcilene.

Além disso o HGR passa por uma ampliação. Com a construção de um novo bloco com mais 120 leitos de internação, 40 leitos de UTI (o dobro da quantidade atual) e mais dez salas de cirurgia. A obra está com quase 80% dos serviços concluídos.

IMPACTO DA IMIGRAÇÃO

Nos últimos três anos houve um aumento considerável no número de atendimentos voltados a estrangeiros, principalmente venezuelanos. O HGR, por exemplo, registrou em janeiro de 2014, o atendimento de 26 pacientes estrangeiros. Em janeiro deste ano foram mais de 1.000 pacientes de outros países, principalmente a Venezuela, com mais de 900. Essa média mensal que vem se mantendo nos últimos três anos, chegando até a mais de 1.500 estrangeiros atendidos por mês.

PROTOCOLO DE MANCHESTER

O Protocolo de Manchester é um sistema de classificação de pacientes por meio de pulseiras com cores diferentes, que permitem definir qual a situação de cada um, resultando num atendimento mais rápido confirme a gravidade de cada caso. Esse Protocolo é preconizado pelo Ministério da Saúde nas Unidades de Saúde de todo o país.

Os casos não urgentes são classificados na cor AZUL, e podem aguardar até 4 horas para atendimento, ou serem encaminhados para outros serviços de saúde. A cor VERDE classifica os casos pouco urgentes, que podem aguardar até duas horas. Os casos urgentes são classificados na cor AMARELA e podem aguardar até 50 minutos. A cor LARANJA é dos casos muito urgentes, com tempo de espera de no máximo dez minutos. E por fim, a cor VERMELHA é de atendimento imediato.

DA REDAÇÃO

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