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CÚMULO DA DEMAGOGIA – Jalser tem moral para para ‘denunciar’ alguém?

16 maio 2017 | 0 comentário

A ‘diligência’ comandada por Jalser Renier ocorreu na tarde desta segunda-feira, 15 / Foto: Reprodução – TV Folha BV /

Já disse aqui em várias ocasiões e reafirmo: não somos a favor de irregularidades seja onde quer que ocorra e sob qualquer administração. Então, se realmente o que ocorre no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, em Boa Vista (RR) está em desacordo com as normas sanitárias e de saúde quanto ao fornecimento da alimentação para pacientes e acompanhantes, que a empresa seja punida com as sanções previstas em lei.

Esperto como ele só e sentindo uma bela oportunidade de aparecer, de desviar o foco da imprensa das acusações que pesam sobre si, o presidente-presidiário da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), deputado Jalser Renier (SD), convocou representantes do Ministério Público (MPRR), Defensoria Pública (DPE-RR) e Ministério Público de Contas (MPC-RR) para fazer uma “diligência surpresa” na Maternidade Nossa Senhora de Nazareth no início da tarde desta segunda-feira (15).

Esses são, de fato, uns dos mais importantes papéis do Poder Legislativo: fiscalizar as ações do Executivo, denunciar o que estiver errado e propor soluções. Seria legítimo, se quem encabeça essa ação tem conduta ilibada, ficha limpa, não tenha sobre si acusações como as que Jalser Renier e os seus colegas parlamentares que o acompanhavam enfrentam.

O que nos causa estranheza é a forma como um problema dessa natureza é tratado por um parlamentar acusado de peculato, desvio de recursos públicos, que foi condenado no famoso “Escândalo dos Gafanhotos” e, devido à isso, foi condenado a seis anos e oito meses de prisão no regime semiaberto, hoje cumprindo pena de prisão domiciliar. Ou seja, mesmo condenado e cumprindo pena, durante o dia Jalser Renier preside a ALERR e, à noite, usa tornozeleira eletrônica em casa.

Quem é Jalser?

Jalser Renier é conhecido na Política Roraimense principalmente pelo seu envolvimento em escândalos. Além do “Caso Gafanhotos”, Jalser Renier já havia perdido o mandato por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), proferida em 16 de dezembro de 2003 (Processo nº 0000689-31.2002.6.23.0000), acusado da velha prática de compra de votos.

É arrogante (principalmente quando está cercado de seus seguranças), se acha superior e acima das leis. Gosta de se impor diante de seus colegas parlamentares e quem não sucumbe aos seus desejos arca com as consequências. Esse é o perfil

Tem moral?

O engraçado (ou trágico?) é que em dezembro de 2012, o mesmo Jalser Renier – que hoje se acha no direito de denunciar, apontar o dedo na cara das pessoas, gravar vídeo praticamente forçando o secretário estadual de Saúde provar da comida servida na Maternidade – estava no ‘olho do furacão’ das denúncias contra a empresa Megafoods (antiga Megaclear), que curiosamente era ligada a ele e foi acusada pelos parlamentares de oposição ao Governo Anchieta à época e pelo Ministério Público, de fornecer refeições com tapurus como ‘tempero’ nos hospitais e escolas da rede estadual.

O próprio secretário Estadual de Saúde à época, Leocádio Vasconcelos – hoje aliado de Jalser, exercendo o cargo de superintendente Financeiro da ALERR -, entregou o cargo após um sério desentendimento com Jalser Renierentregou o cargo após um sério desentendimento com Jalser Renier. Na coletiva em que anunciou seu afastamento, Leocádio Vasconcelos disse que havia tomado a decisão porque se sentia agredido com a acusação de direcionamento da licitação para contratação de empresa que fornecia alimentação para as unidades hospitalares.

De forma indireta, Vasconcelos disse acreditar que a denúncia teria sido feita por Jalser Renier, a quem se referiu como “um parlamentar ligado a Megafoods”, antiga Megaclear. A empresa havia mudado de nome em 2012, após ser alvo de uma enxurrada de denúncias de irregularidades, envolvendo superfaturamento e desvio de recursos públicos.

E o Ministério Público?

Qual é o papel do MPRR e do MPC-RR nesse circo armado por Jalser (que, claramente, já está em plena campanha política visando 2018, ‘sambando’ na cara da Justiça)? É prudente que órgãos que deveriam fiscalizar e combater a corrupção se deixem manipular por um político condenado e que cumpre pena por desvio de recursos públicos? Guardadas as devidas proporções, seria como se Rodrigo Janot se deixasse manobrar por Eduardo Cunha em ‘diligências’ por órgãos públicos federais.

Não deveriam estar os nobres promotores do MPRR dando continuidade nas investigações da Operação Cartas Marcadas, (Processo nº 0003498-05.2016.8.23.0010), deflagrada em junho do ano passado pelo pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para o cumprimento de 45 mandados de buscas e apreensões na ALE-RR?

Para quem não se lembra, as investigações revelaram que servidores à época (exonerados posteriormente) e seus familiares, usando alguns ‘laranjas’, fraudaram pelo menos seis contratos públicos que totalizam mais de R$ 8 milhões. Jalser Renier apareceu nas investigações ao ser citado em interceptação telefônica realizada entre dois investigados da Operação Cartas Marcadas, quando tratavam do saque de R$ 150 mil.

Não se sabe o motivo, o caso acabou caindo no esquecimento.

Ao assistir o vídeo que circula pelas redes sociais, mostrando o show de Jalser na Maternidade, fico triste em ver o MPRR e o MPC-RR agindo como seguranças de um presidiário, arrogante, condenado sob acusação da prática de corrupção. Esse, definitivamente, não é o Ministério Público que queremos.

Dois pesos, duas medidas

Por que Jalser Renier não manifestou todo esse ‘sentimento’ de defesa da saúde da população de Roraima quando a imprensa publicava diariamente denúncias de irregularidades nos dois mandatos do ex-governador Anchieta Júnior (PSDB), acusado dos mais diversos tipos de corrupção e, por fim, deixou o Estado no fundo do poço econômica e financeiramente?

Eu respondo: porque o que importava para ele era a amizade, a aliança com o poder, e a população que se ferrasse. O Jalser de hoje é o mesmo da gestão Anchieta? Por que hoje é errado e naquela época não era?

Como disse no início, a Assembleia Legislativa tem todo o direito e o dever de fiscalizar o Executivo, denunciando o que há de errado, independente de quem seja o governador ou governadora. Mas Jalser Renier não tem moral para isso.

Em tempo: ainda nesta segunda-feira, o Governo de Roraima emitiu nota à imprensa afirmando que a empresa denunciada foi multada e que nova empresa será contratada, em vez de renovar o contrato atual. “O processo licitatório está em andamento, com sessão pública de pregão agendada para esta sexta-feira (19)”, afirma a nota.

CLIQUE AQUI para ler a nota na íntegra.

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

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