Transformado em Estado pela Constituição Cidadã de 1988, Roraima elegeu seu primeiro governador (Ottomar Pinto) e seus representes no Congresso Nacional e os deputados constituintes nas eleições gerais de 1990. Desde então, teoricamente, o Estado já teve sete governadores eleitos, contando com o atual, Anchieta Júnior (PSDB), que herdou o mandato do brigadeiro Ottomar Pinto, falecido em dezembro de 2007.
Teoricamente, porque Ottomar ocupou o cargo de governador eleito por três vezes (1991-1995, 2004-2006 e até dezembro de 2007), além de ter sido governador indicado do antigo Território Federal (1979-1983). Outro governador reeleito foi Neudo Campos, que comandou o Estado de 1995 até meados de 2002.
Depois de Ottomar Pinto, o segundo governador eleito foi Neudo Campos, em 1994, que se reelegeu em 1998 e, em 2002, passou o comando do Estado para Flamarion Portela para concorrer a uma vaga no Senado. Eleito naquele mesmo ano, Flamarion governaria o Estado até novembro de 2004, quando foi cassado, assumindo em seu lugar o segundo colocado, Ottomar Pinto. Nas eleições de 2006, Ottomar conseguiu se reeleger, permanecendo no Governo até sua morte, em 11 dezembro de 2007, deixando o cargo com o seu vice, Anchieta Júnior, atual governador.
Desde que se tornou Estado, Roraima tem tido um histórico bastante movimentado no meio político, se destacando na mídia nacional por diversos fatores. Um deles ocorreu novembro de 2004, quando Flamarion Portela (vice de Neudo Campos se tornou o primeiro governador a perder o mandato no Brasil (teve o mandato cassado pelo TSE), acusado de várias irregularidades eleitorais cometidas no pleito de 2002.
No dia 10 de novembro de 2004, Ottomar Pinto (PSDB) assumiu o Governo anunciando, de imediato, ser candidato à reeleição no pleito de 2006. De fato, não mediu esforços para conseguir uma esmagadora vitória em cima do seu principal adversário, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), vencendo a eleição com 116.542 votos (62,4%). Romero Jucá teve 57.232 votos (30,64%).
O desafio de governar o Estado hoje
De fora da disputa pelo cargo de governador nas eleições deste ano, o ex-governador e hoje deputado estadual Flamarion Portela (PTC) disse que hoje está muito mais fácil governar o Estado do que na sua época (2002-2004). “Nós institucionalizamos o Estado com a realização do concurso público geral em 2003. Além disso, o Estado trabalha hoje com um orçamento que é o dobro da época do meu Governo”, apontou.
Segundo Flamarion, a atual administração pegou um Estado institucionalizado, organizado no que concerne na sua questão de pessoal. “Os servidores que tiveram ingresso no setor público estadual conquistaram isso mediante concurso público, através da sua competência, do seu mérito”, afirmou.
Outro fator que beneficia a atual administração, apontado por Flamarion, é a organização econômico-financeira. Flamarion disse que assumiu o Governo com o Estado absolutamente desequilibrado financeiramente, com muitas contas a pagar, com a receita muito baixa, inclusive com déficit com o INSS que vinha desde 1991.
“O atual Governo pegou o Estado com as finanças absolutamente organizadas, inclusive com dinheiro em caixa. Outro fator favorável: a economia do Brasil bombando (como dizem os jovens). Para se ter ideia, o orçamento do Estado aprovado aqui na Assembleia Legislativa foi de R$ 1,409 bilhão e o Estado executou financeiramente R$ 2,363 bilhões. Consequentemente, R$ 965 milhões a mais. Só de FPE [Fundo de Participação dos Estados] foram R$ 495 milhões a mais. Quer dizer, muito mais dinheiro, muito mais facilidade para poder gerir a máquina pública e também destinar um montante de recursos para investimentos”, detalhou.
Para Flamarion, o Estado está reagindo bem à crise
Ainda de acordo com Flamarion Portela, o atual Governo também pegou a capacidade de endividamento do Estado totalmente restabelecida, podendo contrair R$ 680 milhões em empréstimos para as gerações futuras pagarem, através do Banco do Brasil (BB), da Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O Estado hoje está fazendo investimentos vultosos, quer seja na infraestrutura de esgotamento sanitário e água potável, nas estradas e na energia”, observou.
Este ano, de acordo com o ex-governador, o Orçamento do Estado é de R$ 1,666 bilhão enquanto que em sua época ele trabalhou com um montante de cerca de R$ 800 milhões, ou seja, menos da metade. Isso só demonstra, segundo ele, o quanto a economia do Brasil cresceu, assim como as transferências de recursos também aumentaram.
“Em 2009, vamos ser justos, houve uma recessão em função da crise econômico-financeira que atingiu o Mundo, o País e, consequentemente, Roraima, haja vista que 80% das nossas receitas são oriundas de transferências constitucionais através de FPE. Isso teve um reflexo sim, mas este ano as receitas estão reagindo, o Brasil está gerando muito mais emprego, a economia está voltando ao patamar de 2008 e, com isso, crescendo também as receitas através de FPE”, enfatizou.
WIRISMAR RAMOS – wirismar@gmail.com (RORAIMA HOJE)
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