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ELEIÇÕES 2010 – União por Roraima, ou acordo cara-cu?

Hoje, o assunto preferido das rodas de amigos é política

Que o eleitorado brasileiro esta cada vez mais atento e bem informado, não tenho dúvida, haja vista que as informações estão, a cada eleição, mais acessíveis: além dos tradicionais meios de comunicação e demais recursos como folders, outdoor, jornaizinhos, etc., a Justiça Eleitoral, a imprensa, os partidos políticos e os próprios candidatos agora têm à sua disposição ferramentas tecnológicas que se renovam a cada dia, na velocidade da rede mundial de computadores (a internet).

“Nunca na história deste país” se usou tanto a internet e suas infinitas possibilidades (ferramentas como as redes sociais Orkut, Twitter, MSN, facebook, etc., além dos blogs e sites), como nestas eleições. É uma evolução fenomenal e um ganho de proporções astronômicas para a maturidade política brasileira.

Não se engane: nestas eleições, o eleitor esta mais consciente e mais atento aos acontecimentos. Ele quer saber mais a respeito do candidato que pleiteia o seu voto e tem à sua disposição as ferramentas necessárias para alcançar o seu objetivo.

Hoje, nas rodas de amigos, política é o assunto mais comentado, seguido de futebol. O nível das discussões é alto e a análise dos candidatos impressiona. Nesta quarta-feira (28), na hora do almoço, pude constatar esse fato. Ouvi de uma mesa ao lado da minha (o volume da discussão permitia isso, sem muito esforço) comentários sobre as reuniões políticas realizadas pelos dois principais grupos que disputam os cargos majoritários em Roraima.

Não sei dizer se o grupo de amigos (reunidos em duas mesas juntas) fazia parte de algum comitê eleitoral, mas me pareceu ser mesmo somente de eleitores. Me chamou a atenção quando os comentários se referiram à união entre o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o governador Anchieta Júnior (PSDB), ambos candidatos à reeleição. “Foi um acordo do tipo cara-cu: o governador entrou com a cara, enquanto o senador…”, disse um dos amigos.

Ele criticava e questionava o fato de que nas reuniões realizadas pelo senador Romero Jucá, ele e os candidatos que o acompanham sempre pedem voto para Anchieta Júnior e Marluce Pinto (PSDB), a segunda candidata ao Senado do grupo (coligação Unidos por Roraima), enquanto que nas reuniões realizadas pelo governador, ele nem cita o nome de Jucá.

Outra questão levantada pelo grupo foi quanto à idade e ao grau de instrução dos candidatos. Um dos integrantes do grupo citou matéria publicada nesta quarta-feira (28) no jornal Roraima Hoje e ontem aqui no FatoReal sobre a faixa etária dos candidatos roraimenses.

“Cara, fiquei chocado ao saber que uma candidata ao Senado tem 72 anos. Que é isso? Vai fazer o que lá? Precisamos de gente que tenha lucidez para poder criar leis e ajudar o Estado. Não tem essa de votar em alguém só porque é parente de fulano, ou de cicrano. Vou votar em quem eu acho que tem condições de exercer o cargo e não em quem já não diz mais coisa com coisa e anda trupicando”, criticou.

Quanto ao grau de instrução, ouvi de outra pessoa: “Não voto em candidato analfabeto. Acho que quando uma pessoa se dispõe a exercer um cargo público de tamanha importância, como é ser deputado, senador, governador, ou presidente da República, precisa ter competência para isso”.

Quanto a essa questão, pelo menos esse eleitor não precisa se preocupar. O nível de escolaridade dos candidatos deste ano esta alto. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dos 21.767 candidatos, 10.210 (46,9%, ou seja, quase a metade) informaram ter nível superior completo e apenas cinco (0,023%) são analfabetos.

O nível dos candidatos roraimenses também não deixa a desejar. Dos 510 candidatos que solicitaram registro no Estado, o maior grupo é dos candidatos que têm nível superior completo: 181 (35,4%). Apenas dois (0,3%) disseram ser analfabetos,  quatro (0,7%) disseram que sabem apenas ler e escrever; 26 (5%) têm ensino fundamental incompleto; 51 (10%) têm ensino fundamental completo; 13 (2,5%) têm ensino médio incompleto; 168 (32,9%) têm ensino médio completo; 65 (12,7%) têm ensino superior incompleto.

O melhor índice é para o cargo de senador: dos nove candidatos, oito (88,8%) têm nível superior completo e apenas um tem nível médio.  Para governador, dos cinco candidatos, três têm nível superior completo (60%), um tem nível superior incompleto e o outro tem nível médio. O mesmo percentual vale para os candidatos a vice-governador.

Entre os 65 candidatos a deputado federal, 34 (52,3%) têm nível superior completo e apenas três (4,6%) têm ensino fundamental. No caso dos 408 candidatos a deputado estadual, apenas dois (0,4%) disseram saber apenas ler e escrever; 26 (6,3) têm ensino fundamental incompleto; 46 (11,2%) ensino fundamental completo; 12 (2,9%) ensino médio incompleto; 146 (35,7) ensino médio completo; 50 (12,2%) superior incompleto;  e 122 (29,9%) ensino superior completo.

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

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