Desde o dia em que coloquei o FatoReal no ar, tenho me preocupado basicamente com uma coisa: que este blog seja uma tribuna livre para difundir opiniões, de preferência aquelas que resultem em esperança de algo melhor para a população. Quando escrevo ou publico textos com críticas relacionadas à saúde, educação, transportes, etc., quero – tão somente – deixar minha modesta contribuição para que as esperanças individuais e coletivas não morram. Não desapareçam.
Levo isso tão a sério, que na campanha eleitoral de 2010 fui confundido com um dos vários capachos da comunicação que se proliferaram em Roraima em defesa intransigente deste ou daquele político, mas esclareço que se o governador fosse Neudo Campos (PP) e se ele fizesse as mesmas ‘estripulias’ hoje atribuídas a Anchieta Júnior (PSDB), não tenha dúvida: meu trabalho seria focado da mesma forma.
Engana-se quem pensa que eu tenha algum acordo com Neudo, ou promessa dele de qualquer benefício pessoal, caso ele venha a assumir o Governo do Estado. Tenho compromisso, sim, com a minha consciência.
Sou daquelas pessoas que não se importam com o luxo, ou o supérfluo. Busco o essencial. E o nosso essencial de hoje é a esperança. Lembro que sei diferenciar esperança de ilusão. Não creio que, ao assumir o Governo, Neudo transformaria Roraima numa Dinamarca, mas verdade seja dita: o povo escolheu Neudo. Todos sabem disso, inclusive a Justiça Eleitoral.
Por várias razões – algumas que não deciframos – a população tem hoje negado o direito à esperança. O juiz Helder Girão Barreto personificou a corrente de pensamento minoritária, mas que tem prevalecido, de que Neudo não deve assumir porque responde a processos. Esse foi sempre o discurso de Anchieta. Até parece que ele havia combinado com o juiz.
Eu penso diferente: Neudo deveria, sim assumir e se os processos que ele responde forem suficientes para lhe tirar do cargo, não seria nada mais que o papel da justiça. De qualquer modo – como disse – não confundo esperança com ilusão e há algum tempo eu venho recebendo e-mails, ouvindo comentários, conclusões e acabei tirando minha própria conclusão e, por uma questão de principio e de fidelidade com os leitores que ousam acompanhar o fato real, a exponho aqui.
Não vejo mais esperança no olhar, nem mesmo daqueles mais envolvidos passionalmente, como é o caso do pessoal do Movimento Pró-Justiça; não sinto mais nenhuma vibração nos deputados de oposição, pelo menos não na maioria; não percebo mais que o tema seja pauta dos poucos meios de comunicação que esperavam que as coisas (eleições 2010) fossem tratadas de modo institucional. Em resumo, a esperança de que Anchieta Júnior seja cassado e que a normalidade constitucional e institucional passe a vigorar em Roraima se esvaiu, vencida pela certeza (deles) da impunidade.
A população não acredita mais que a Justiça Eleitoral venha a tirar do cargo o governador que cometeu mais crimes eleitorais que todos os outros candidatos em todos os tempos. Assim, são vitoriosos o governador e seu grupo e todos aqueles que promoveram o maior festival de compra de votos da historia do País. São vitoriosos também aqueles que, como o juiz Helder Girão Barreto, acham que Neudo, por responder a processos na Justiça, não deva assumir o Governo, caso Anchieta tenha a cassação confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Esses ‘vitoriosos’ rejeitam a normalidade institucional, acham que a população deve sim ser punida, porque o segundo colocado nas eleições de 2010 é desafeto de um juiz federal. Eles entendem que não seria viável a posse de Neudo, sua eventual cassação, a posse do presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) e novas eleições, ou seja, essas pessoas rejeitam a Constituição e abominam as leis, do Estado e do País.
Mas quais seriam as consequências da população, dos movimentos sociais e da oposição jogar a toalha e não acreditar mais no afastamento de Anchieta Júnior? As consequências coincidem com o comportamento do governador e de seus aliados. As eleições de 2012 e 2014 serão marcadas pelo mesmo esquema de compra de votos. Mais que isso: o ‘susto’ que os políticos e os partidos tomaram em 2010 já passou, pois estará provado que eleição em Roraima se ganha com dinheiro e que não adianta a sociedade querer mudanças, pois comprando votos é o caminho mais curto e impune para a vitória nas urnas.
Outra consequência é a total descrença das pessoas nas instituições como Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF) e Justiça Eleitoral, que não exerceriam, neste contexto, uma função essencial à democracia, afinal, qualquer político cassado com algumas dezenas de milhões de reais consegue se manter no cargo se buscar competentes bancas de advogados em Brasília. Assim, o TSE seria uma instância de luxo, cujos julgamentos seriam marcados não pela existência ou não de provas, mas sim pelo poder econômico de quem a ele recorre.
A população de Roraima entenderia que não basta a PF realizar um excelente trabalho, se nem mesmo em inquérito essas abordagens serão transformadas e as que virarem inquéritos/processos também não darão em nada. Quando o Ministério Publico Eleitoral (MPF) anunciar as dezenas de ações, a população não se empolgará, pois saberá que ao chegarem no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR) e ao TSE serão apenas papéis, frios, gelados e que não darão em nada também.
Os eleitores, de sua parte, perderão o medo de vender seus votos. Telhas, cestas básicas, empregos temporários e muitas cédulas de R$ 100,00, serão o objetivo de cada um. Por que alimentar esperanças em mudanças se elas não virão?
Portanto, se as consequências do não afastamento do governador Anchieta Júnior refletirem imediatamente em 2012 e 2014, será a longo prazo que seus efeitos serão mais drásticos. O esquema de compra de votos de 2010 foi no varejo, de casa em casa, monitorado 24 horas e há quem acredite que enquanto Roraima não ultrapassar a barreira de 1 milhão de eleitores isso existirá.
Esquema de 2012-2014
Os políticos estão livres para montar seus esquemas, comprar votos, buscar suas eleições sem medo de nada. Aliás, isso é tão real que, faltando pouco mais de 60 dias para o fim das filiações partidárias com vistas às eleições de 2012, o governador Anchieta Júnior e os principais líderes de seu grupo já estão nos municípios, montando suas estratégias.
Em São João da Baliza, em recente encontro público, o governador disse coisas de arrepiar, em se tratando de um político cassado. “Não se preocupem. Ficarei até o dia que eu puder, antes de me candidatar ao Senado. Vamos fazer os 15 prefeitos do Estado. Vou deixar o deputado Mecias [de Jesus] andando de bicicleta, igual ele fazia. Temos dinheiro suficiente para ganhar a eleição na capital e nos 14 municípios e o próximo governador de Roraima chama-se Francisco Rodrigues”, afirmou, confiante.
Esse discurso do governador confere com um e-mail que o FatoReal recebeu, há alguns dias, de alguém que se apresentou como assessor parlamentar. Ele disse ter participado de uma reunião com o governador Anchieta Júnior, onde ele dizia que já tinha guardado R$ 100 milhões para eleger o prefeito de Boa Vista e que para a campanha de Chico Rodrigues (seu vice) em 2014, já teria R$ 150 milhões. Uma pessoa teria interpelado o governador dizendo: “Muito dinheiro!” E ele teria respondido: “Não pense que gastamos menos disso em 2010!”.
A ordem do governador é buscar todas as lideranças dos municípios e filia-las aos partidos aliados, ou seja, deixar a oposição à míngua, sem partido e de preferência sem candidatos. “A lógica é muito simples: quem não tem partido, nem candidato, não terá votos; quem não tem votos não se elege; e se ninguém se elege a oposição acaba”, disse o governador em Baliza.
Alguém duvida de que – em permanecendo Anchieta no Governo – acontecerá algo diferente? Se no primeiro turno da campanha eleitoral do ano passado o trabalho da PF foi efetivo, no segundo foi omisso e se limitou a averiguar os carros dos oposicionistas. Uma picape hilux de um deputado de oposição foi averiguada 18 vezes somente no segundo turno, período em que segundo um deputado estadual, apenas na última semana, somente para o sul do Estado foram enviados nada menos que R$ 15 milhões.
Então, diante da certeza por parte do governador e de seu grupo de que nada mudará e que ele permanecerá no cargo até o dia que desejar; levando em conta ainda que os sinais do TRE-RR e principalmente do TSE são de que tem sentido essa convicção de que ele não será cassado, não resta mais nada ao povo de Roraima, a não ser esperar por mais escândalos, por descaso com a educação, saúde, transportes, segurança pública, etc. Afinal, só tem uma coisa que assusta os políticos: a perda de seu mandato. Mas quando isso deixa de ser uma ameaça, eles se animam e já planejam os próximos passos.
Assim, a relação é inversamente proporcional: na medida em que um político cassado comemora sua impunidade, a população sofre. É exatamente isso que marcará Roraima pelos próximos dois, quatro, seis, oito anos, vinte anos, enfim, até que as instituições possam cumprir suas funções, onde a PF realmente possa investigar todos os políticos e seus crimes eleitorais, onde o MPF não seja uma mera voz no deserto e a Justiça Eleitoral finalmente puder realmente julgar e cassar todos os políticos que tiverem cometido crimes absurdos e descarados como aconteceu no ano passado.
Como disse no início, este blog é movido pela esperança, ainda que distante… tão distante que eu – honestamente – não vislumbre algo que não seja palpável, mas poeticamente, meramente sonhável.
WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)
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http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pressionado-irmao-de-romero-juca-deixa-conab
Continua…
Depois de 5 anos sem ir em Roraima. pude ver de perto o caos que encontra esse Estado. Acontece que Roraima está abadonada, a única BR (174) que é o prancipal meio por terra de interligar ao restante do país está toda esburacada, O transporte de alimentos do Amazonas – Roraima está cada vez mais complicado, o inverno castigou mais ainda uma estrada que não tem estrutura sequer para suportar uma carreta de 30 toneladas de arroz e banana que sai de RR. Não sou nem um Dr. em política, e não é preciso para ver que o estado de RR passa seus piores momentos sociais e politicos. diante de todos comentarios relacionados no FATO REAL, percebe-se que o povo não acredita mais na politica do RR. é hora do povo de RR usar a mais importante arma para vencer a corrupção. A DEMOCRACIA. Imposição é diferente de oposição.