IMIGRAÇÃO VENEZUELANA – Encontro com Temer nesta quinta, 21, será marcado por cobranças, afirma Suely

0
352
Suely Campos: “Vamos solicitar ao presidente Temer que atenda os pleitos do Estado colocados naquela reunião em fevereiro” / Foto: Ailton de Freitas – Agência O Globo /

O presidente Michel Temer desembarca novamente em Boa Vista nesta quinta-feira, 21, após pouco mais de 120 dias da primeira visita a Roraima, no dia 12 de fevereiro deste ano, em pleno feriado de carnaval, para verificar de perto os impactos da imigração venezuelana para com a economia e políticas públicas ofertadas pela menor Unidade da Federação à sua população.

O primeiro compromisso de Michel temer em solo roraimense nessa segunda visita é uma visita aos abrigos gerenciados pelo Exército no Município de Pacaraima, localizado na fronteira do Brasil com a Venezuela. Temer desembarca na Base Aérea de Boa Vista (BABV) às 10h, quando será recepcionado pela governadora Suely Campos. No retorno de Pacaraima, Michel Temer e Suely Campos almoçam juntos, às 13h, no Círculo de Oficiais de Boa Vista (COB).

No encontro em fevereiro, Michel Temer disse que atenderia todos os pleitos do Estado, que não deixaria nada faltar em relação ao atendimento aos imigrantes. A maioria das 11 medidas para minimizar os impactos causado pelo alto número de imigrantes – compiladas num documento entregue pelo Governo do Estado a Temer – não foi cumprida até agora.

De concreto, o Exército assumiu o gerenciamento dos abrigos – até então sob a responsabilidade da Defesa Civil estadual – e Governo Federal anunciou a liberação de cerca de R$ 190 milhões. No entanto, até o momento o Governo do Estado não viu nem o ‘cheiro’ desses recursos, apesar dos impactos financeiros advindos dos gastos no atendimento aos venezuelanos nas áreas de saúde, educação, segurança pública e ações sociais.

Cobranças

Em Brasília para participar de audiência com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a governadora Suely Campos disse à imprensa, no início da noite desta terça-feira, 19, que o encontro com Temer será marcado por cobranças dos compromissos assumidos naquela reunião em 12 de fevereiro e ainda não cumpridos.

Suely Campos disse que as cobranças se resumirão a, basicamente, quatro pontos:

1) Ressarcimento de tudo o que o Estado já gastou no custeio das políticas públicas em relação aos imigrantes venezuelanos nas áreas de saúde, educação, segurança pública, etc.

2) Efetivação da transferência das terras da União para o Estado, uma vez que o processo está travado na Secretaria do Patrimônio da União. “O Estado precisa crescer, precisa ter a garantia jurídica de suas terras”, sustentou a governadora.

3) Repactuação da dívida do Estado, contraída na gestão anterior, fato que vem impactando as finanças de Roraima no pagamento mensal de R$ 22 milhões. “O Estado precisa ter garantida sua capacidade de investimento para tratar das políticas públicas em benefício da população”, afirmou Suely.

4) Construção de um hospital de campanha para atender exclusivamente os imigrantes, gerenciado pelo Exército. “Esse hospital vai desafogar e dar uma melhor capacidade dos hospitais do Estado em atender melhor a nossa população, os roraimenses. Para exemplificar essa situação, até março, nós tínhamos macas nos corredores do Hospital Geral de Roraima. Nós conseguimos resolver esse problema, criando mais de 30 leitos e agora as macas voltaram para os corredores, por conta dessa situação da imigração venezuelana no Estado. Precisamos que o Governo trate Roraima como parte do Brasil. Nós temos uma demanda aumentada em todas as áreas, devido ao fluxo migratório. Essa é a nossa realidade”, apontou.

Suely campos disse esperar que o presidente Temer seja sensível a essas demandas e que não saia do solo roraimense sem dar satisfação à população do Estado sobre todas essas questões que vêm sendo tratadas há muito tempo. “Isso vem dificultando a nossa governabilidade, impedindo que possamos dar uma melhor qualidade nas nossas políticas públicas”,

Encontro com Toffoli no STF

Quanto ao encontro com o ministro Dias Toffoli, no STF, a governadora Suely Campos disse que trata-se de outro fator que também trava o Estado, uma vez que liminares na Justiça bloqueia recursos das contas do Estado.

Dias Toffoli é o relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5930, que pede a suspensão das 32 emendas votadas pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), que retiram R$ 44,6 milhões da segurança pública e da agricultura para aumentar o duodécimo dos Poderes (Legislativo e Judiciário), da Lei Orçamentária Anual de 2018.

“Eu pedi celeridade ao ministro relator para que ele coloque esse processo para votação. O Estado também não aguenta aumento do duodécimo dos poderes”, disse, acrescentando que obteve do ministro Toffoli a informação de que embora a pauta de votações esteja tumultuada, ele fará “um esforço” para atender seu pedido.

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

Comentários