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EPIDEMIA DE CHIKUNGUNYA – Prefeita tenta jogar a culpa de sua própria incompetência para o Estado e a população de Boa Vista

14 jul 2017 | 0 comentário

Teresa Surita ‘pirou o cabeção’ após revelações de sua negligência no combate ao Aedes na capital / Foto: Jackson Souza /

A prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB) reagiu muito mal – parece ter ‘pirado o cabeção’ – à coletiva desta quinta-feira (13), quando a governadora Suely Campos instituiu, por meio de Decreto, o Gabinete Integrado de Ações Emergenciais para atender aos municípios que passam por dificuldades devido às chuvas intensas que têm caído no Estado nos últimos dias.

Mas não foi a instituição do gabinete em si que causou ‘desconforto’ à prefeita. O que a deixou indignada foi a revelação, durante a coletiva por parte da coordenadora de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde (SESAU), Daniela Souza, de que grande parte da culpa pela epidemia de chikungunya pela qual passa o Município atualmente é da Prefeitura de Boa Vista.

De acordo com Daniela Souza, o Ministério da Saúde preconiza que cada residência deve receber pelo menos 7 visitas de agentes de endemias por ano e que em 2016 Boa Vista alcançou somente cerca de 25% dessa meta. Ou seja, é como se os agentes de endemias, contratados pela Prefeitura, tivessem deixado de visitar nada menos que 75% das casas para vistoriar os quintais em busca de focos do mosquito Aedes aegypti e orientar os moradores sobre suas responsabilidades e os perigos e consequências das doenças.

“Este ano melhorou um pouco, chegando a 50% da meta, mas quando observamos os números referentes a 2016, já desconfiávamos que a situação seria complicada, principalmente com a chegada do inverno”, afirmou.

A própria Prefeitura de Boa Vista reconhece que a situação é crítica, com base em números assustadores, segundo os quais, a capital registrou no período de 10 de janeiro a 10 de julho deste ano 1.867 casos de dengue notificados e 102 confirmados, 365 casos de zika notificados e 166 confirmados, e no caso da chikungunya, foram 2.394 notificados e 996 confirmados.

Como a capital concentra cerca de 75% da população de Roraima, logicamente que a maior incidência de dengue, zika e chikungunya é em Boa Vista, levando o Estado a figurar como o segundo em número de casos do Brasil e o primeiro da Região Norte.

Que se dane a população?

Em nota enviada à Redação, por meio da Secretaria Municipal de Comunicação (SEMUC-PMBV) a prefeita prefere partir para a politicagem a reconhecer seu erro e apontar soluções. “Ao que é do conhecimento da Prefeitura de Boa Vista os municípios afetados pelas chuvas em todo o Estado como Uiramutã, Caracaraí, Pacaraima, Rorainópolis, entre outros, não receberam os cuidados que mereciam, não apenas na área de saúde. Existem municípios isolados sem infraestrutura de estradas e vicinais, onde a merenda escolar é baseada em farinha e falta de medicamento para dor de cabeça”, diz um trecho da nota.

Não estamos tratando de como os outros prefeitos cuidam se seus municípios, no interior. Esse é outro assunto. A questão é como a Prefeitura de Boa Vista foi tão negligente a ponto de deixar que a situação chegasse a esse ponto. Todos sabem que a saúde básica é atribuição do Município, enquanto o Estado cuida da média e alta complexidade. Os agentes de endemias são funcionários do Município, não do Estado. Se eles deixaram de cumprir suas obrigações, alguma coisa está errada (falta de pessoal suficiente, salários defasados, ou falta de fiscalização?).

Não existe hierarquia entre os entes federados (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Cada um tem autononia para agir dentro de seu perímetro de domínio. Um não pode dizer ao outro o que fazer. A União não manda nos Estados, assim como estes não dão ordens aos Municípios e vice-versa. O que pode existir é uma relação de parceria. Quando o prefeito pede ajuda do Estado, ou da União, os dois podem ajudar da melhor forma possível. Mas essa relação não existe entre a Prefeitura de Boa Vista e Governo de Roraima. A prefeita Teresa Surita se acha autossuficiente e é orgulhosa demais para pedir ajuda do Estado. A política em primeiro lugar e a população que se exploda.

Em outro trecho da nota, a prefeita tenta jogar a culpa na população. “Existe uma grande quantidade de terrenos baldios, onde seus proprietários preferem pagar multas a limpar suas áreas. Nas redes de drenagem da cidade é possível encontrar geladeiras, fogões, camas, colchões, microondas e tudo o que possa ser imaginado, além do lixo doméstico e materiais de construção espalhados pelas bocas de lobo. A consequência disso, não poderia ser diferente, é o acúmulo de água que leva a proliferação do mosquito”, afirma a nota.

Ora, se a senhora se acha incompetente para resolver apenas um das centenas de problemas que tem a capital roraimense, que entregue o cargo. Talvez o ‘vice-prefeito-garotão’ tenha outra visão e até faça a diferença. O que não dá é jogar a culpa das mazelas na população.

De acordo com o site BNC Roraima, a Prefeitura de Boa Vista gastou nada menos que R$ 61,6 milhões “para executar obras de recuperação asfáltica e drenagem em cinco anos e as ruas de Boa Vista continuam com trechos alagados e sem bueiros”, afirma a reportagem, citando dados do Portal da Transparência do Governo Federal.

Ainda segundo o BNC, os dados também revelam “uma série de 11 convênios da prefeitura com órgãos federais dos quais nove foram feitos na gestão da prefeita [Teresa Surita] e dois em outras administrações, mas com recursos depositados no caixa da prefeitura com Teresa à frente do município. Os 11 convênios somam R$ 100.518.460,87 dos quais Teresa já usou 61,4% deste total, ou seja, mais da metade dos recursos previstos já foram liberados e mesmo assim vários bairros da cidade possuem ruas com problemas de drenagem agravados com a chegada do período chuvoso.”

Periferia abandonada

Com base nesses números, as ruas de Boa Vista deveriam estar todas pavimentadas – todos os bairros, inclusive da periferia -, sem nenhum problema de alagamentos, com famílias sendo desalojadas ano após ano, toda vez que as chuvas se intensificam. Onde foram parar esses recursos, senhora prefeita? Foram investidos na reconstrução do complexo Ayrton Senna e nas demais praças dos bairros centrais da cidade, na tal ciclovia que ninguém usa, ou foi parar na conta das empresas contratadas para aguar plantinhas? Por que os bairros periféricos continuam abandonados, sem asfalto, com a maioria das ruas intrafegáveis? Por que a Avenida Mário Homem de Melo mais parece o um queijo suíço de tantos buracos? Por que a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes mais parece o rio Amazonas toda vez que chove por falta de obras de drenagem?

A impressão que fica é que a senhora não conhece, não anda pela cidade. Sai de casa e vai direto para a Prefeitura e de lá, volta para casa novamente. Bom, mas pelo menos agora a senhora tem residência em Boa Vista. Já é um avanço.

Não sou contra embelezar a cidade, construir e reformar praças. Não sou contra a ciclovia. Mas essas obras se tornam supérfluas diante dos graves problemas enfrentados todos os invernos pelos moradores do Beiral, do Pintolândia, do Raiar do Sol, Senador Hélio Campos, Nova Cidade, dentre tantos outros bairros completamente abandonados. Até considero corajosa a atitude de remover as famílias que moram no Beiral, localizado do lado direito da Orla Taumanan – aliás, já passou da hora de fazer alguma coisa por aquelas famílias -, mas seja condescendente com aquelas pessoas, ofereça-lhes uma indenização digna, compatível com a realidade.

Aliás, remover famílias pobres é fácil, quero ver a senhora ter coragem de fazer a mesma coisa com os ricaços que ocupam de forma irregular, ilegalmente, o lado esquerdo da Orla, destruindo e descaracterizando a margem direita do rio Branco.

Boa Vista acaba de completar 127 anos. É uma capital pequena, jovem, promissora. Deveria ser a melhor capital brasileira para se morar. Ainda há tempo para isso, basta deixar a politicagem, o orgulho de lado e arregaçar as mangas, trabalhando unicamente em prol da população. Se o prefeito João Dória Júnior está conseguindo fazer isso com São Paulo, por que não seria possível em Boa Vista?

WIRISMAR RAMOS – da Redação (wirismar@gmail.com)

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