A Lei Eleitoral (Lei nº 9.504/96) determina que os partidos políticos são obrigados a deixar 30% vagas reservadas para as mulheres dentro dos partidos políticos. Entretanto, até hoje, os partidos não conseguem chegar nem a 10%. A culpa pode ser atribuída a vários fatores: preconceito, falta de incentivo, desinteresse por parte das mulheres em participar mais da vida política do seu Município, Estado, ou País…
Essa realidade, no entanto, começa a mudar. Os preconceitos estão sendo vencidos, os tabus estão sendo quebrados e a mulher cada vez mais tem conseguido galgar degraus antes somente alcançados pelos homens. A mulher vem participando, cada vez mais, da vida política brasileira: embora em quantidade bem inferior à do homem, ela já ocupa cargos na Câmara de Vereadores, na Assembleia Legislativa, no Governo do Estado, na Câmara Federal, no Senado e, este ano, temos uma chance real de, pela primeira vez na história do País, uma mulher vir a ser presidente do Brasil.
Os Estados Unidos da América (EUA) já quebrou seu tabu na política, elegendo o primeiro negro presidente. Será que os brasileiros farão o mesmo este ano, elegendo uma mulher para comandar a Nação? Só as urnas dirão, no dia 31 deste mês. Enquanto isso, nos demais cargos já definidos no primeiro turno (Congresso Nacional e Assembleias Legislativas), as mulheres mais uma vez marcaram presença, embora em menor quantidade do que na Legislatura anterior.
O FatoReal fez os cálculos, com base nos dados estatísticos divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fazendo um comparativo entre as eleições deste ano e de 2006.
GOVERNADORES:
Começando pelos Estados, em 2006 quatro mulheres assumiram como governadoras (14,81% do total de 27 Unidades da Federação, incluído o Distrito Federal). Foram elas: Ana Júlia (PT), no Pará; Roseana Sarney (PFL), no Maranhão, que assumiu após a cassação de Jackson Lago (PDT), Vilma (PSB), no Rio Grande do Norte; e Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul.
Este ano, esse número reduziu para duas (7,4%) – uma queda de 7,41% -, com possibilidade de chegar a três (11,11%) no segundo turno. Roseana Sarney (PFL) foi reeleita no Maranhão, Rosalba Ciarlini (DEM) venceu no primeiro turno no Rio Grande do Norte e Ana Júlia (PT) disputa o segundo turno com Simão Jatene (PSDB), no Pará.
O Estado de Roraima nunca teve uma mulher no comando, mas não por falta de tentativa. Em 2008, a então prefeita Teresa Jucá (PMDB), hoje eleita deputada federal, concorreu em pé de igualdade com o governador à Época, Neudo Campos (PP), que foi reeleito naquele ano e hoje, após vencer o primeiro turno, disputa o segundo com o governador Anchieta Júnior (PSDB). Neudo tem uma mulher – a deputada estadual Marilia Pinto (PSB) – como vice em sua chapa.
SENADO:
Dos 54 senadores eleitos este ano (dois em cada Estado), apenas oito são mulheres (14,81%), que vão representar os Estados de AM, BA, GO, PA, PR, RR, RS, e SP. Roraima será representada pela senadora Ângela Portela (PT), que hoje é deputada federal. Em 2006, quatro mulheres estavam entre os 27 senadores eleitos (um em cada Estado) – o percentual foi mantido: 14,81%. Hoje e até o final de dezembro de 2010, entre os 81 senadores, 10 são mulheres (12,34%).
CÂMARA FEDERAL:
Na Câmara Federal, teremos a partir de 2011 somente 44 mulheres entre os 513 deputados federais eleitos, ou seja, 8,6%. Em 2006, elas eram 46 (8,97%) – uma pequena redução de 0,37%. Roraima terá, a partir de 2011 apenas uma mulher (12,5%) entre os oito deputados federais eleitos: Teresa Jucá (PMDB). Nesta Legislatura, elas são duas (25%): Ângela Portela (PTC) e Maria Helena (PSB) – ou seja, uma redução de 50%.
Levando-se em conta os 30% exigidos pela Lei Eleitoral, a maioria dos Estados esta em débito com as mulheres. No ranking, o Espírito Santo é o primeiro colocado, com 40% (dos 10 deputados federais, quatro são mulheres) e o Amapá aparece em segundo, com 37,5% (elegeu três mulheres entre os oito deputados federais). Em último lugar, estão Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Sergipe, com 0%, ou seja, não elegeram nenhuma mulher entre os oito parlamentares que representarão cada Estado.
Veja o percentual de cada Estado:
ES (10) 4 > 40%
AP (8) 3 > 37,5%
RN (8) 2 > 25%
AC (8) 2 > 25%
DF (8) 2 > 25%
AL (9) 2 > 22,22%
AM (8) 1 > 12,5%
RO (8) 1 > 12,5%
RR (8) 1 > 12,5%
TO (8) 1 > 12,5%
GO (17) 2 > 11,8%
PI (10) 1 > 10%
RJ (46) 4 > 8,7%
SP (70) 6 > 8,6
PB (12) 1 > 8,33%
PE (25) 2 > 8%
PR (30) 2 > 6,7
SC (16) 1 > 6,25%
PA (17) 1 > 5,9%
MA (18) 1 > 5,6
CE (22) 1 > 4,6
RS (31) 1 > 3,23
BA (39) 1 > 2,56%
MG (52) 1 > 1,92
MS (8) 0 > 0%
MT (8) 0 > 0%
SE (8) 0 > 0%
ASSEMBLEIAS LEGISLATIVAS:
Dos 1.059 deputados estaduais eleitos este ano em todo o País, apenas 136 são mulheres (12,84%). Em Roraima, houve uma drástica redução na representação feminina, em comparação com as eleições de 2006. Naquele ano, entre os 24 deputados estaduais, três mulheres (12%) foram eleitas e, em maio de 2007, a quarta – Socorro Simões (PRB) – assumiu a vaga (16,7%) deixada pelo deputado cassado César Babá. As outras parlamentares eram: Aurelina Medeiros (PSDB), Marilia Pinto (PSDB) e Lúcia Peixoto (PL).
Este ano, apenas duas mulheres (8,33%) foram eleitas para a Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR): Aurelina Medeiros (PSDB) e Ângela Águida Portella (PSC) – uma redução de 50%.
No Ranking dos Estados, o Amapá foi o que mais elegeu mulheres para a próxima Legislatura. Elas são sete, entre os 24 parlamentares eleitos (29,17%). O segundo lugar ficou com Sergipe, que elegeu seis mulheres entre os 24 deputados (25%). Em terceiro lugar esta o Piauí, que dos 30 parlamentares, elegeu sete mulheres (23,33%). Na lanterninha aparece Goiás, que elegeu apenas duas mulheres entre os 41 deputados estaduais.
Veja o Ranking:
AP (24) 7 > 29,17%
SE (24) 6 > 25%
PI (30) 7 > 23,33%
RJ (70) 13 > 18,6
BA (63) 11 > 17,46
PA (41) 7 > 17,07%
AC (24) 4 > 16,7%
DF (24) 4 > 16,7%
PB (36) 6 > 16,7
MA (42) 7 > 16,7
TO (24) 4 > 16,7%
RS (55) 8 > 14,55
CE (46) 6 > 13,04
RN (24) 3 > 12,5%
RO (24) 3 > 12,5%
SP (94) 10 > 10,64%
SC (40) 4 > 10%
AM (24) 2 > 8,33%
MS (24) 2 > 8,33%
MT (24) 2 > 8,33%
RR (24) 2 > 8,33%
PE (49) 4 > 8,2%
PR (54) 4 > 7,41%
AL (27) 2 > 7,4%
ES (30) 2 > 6,7%
MG (77) 4 > 5,2%
GO (41) 2 > 4,9
WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)
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Nossa….prestando atenção na lista que vc apresentou, estamos mesmo em DÉBITO com as mulheres na política….
Mas, se elegermos pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher PRESIDENTE estaremos no lucro.
Forte abraço!!!
Ah…não deu pra Marina …vamos de
Dilma