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Família, jornalismo, crime e extorsão

13 ago 2011 | 603 visitas | Comentários

Desde que resolvi colocar e manter o FatoReal no ar, encaro um desafio ético e moral todos os dias. Apesar de ser uma coisa simples e óbvia, não pense que tem sido fácil. Procuro sempre me colocar do lado daqueles que acreditam que a comunicação social é um instrumento legítimo de pressão social, de buscar o bem-estar comum e não um ambiente propício para o cometimento de crimes.

O mundo registra uma série de anomalias em se tratando de criminosos que usam os meios de comunicação para alcançar seus objetivos. O Brasil tem inúmeros registros de casos dessa natureza, mas o que me chama a atenção é a facilidade com que picaretas, marginais, bandidos mesmo, prosperam em algumas áreas em Roraima e – infelizmente – a comunicação social é campo fértil para isso.

Não sou santo, não tenho a pretensão de me postar como ‘o perfeito’, aquele que não comete erros, etc., mas de uma coisa eu não abro mão: não cometerei crimes que vemos todos dias serem encarados como se fossem simples atitudes, algo muito normal. O mais horrendo deles é a prática da extorsão, o uso da profissão para obter vultosos ganhos de modo criminoso e ilegal.

Desde os meus primeiros passos como jornalista – ainda em Santarém, no Pará, em meados de 1989, ainda sem a formação acadêmica –, procurei me pautar neste sentido e até quando percebia algum colega de redação menos radical em relação a este tema procurava me afastar dele. Tive colegas-professores exemplares em Santarém (como Miltinho Souza, Eddie Ribeiro e Edinaldo Mota, só para citar alguns exemplos), em quem procurei me espelhar e não me arrependo disso.

A prática de extorsão e outros crimes cometidos por profissionais de comunicação é um assunto quase proibido, pouco se fala nas redações, nas salas de aula, etc. Embora a maioria dos profissionais conheça várias historias, prefere evitar o tema para não melindrar pessoas. Até mesmo na disciplina que deveria tratar mais explicitamente deste tema (Ética), em regra o assunto é apenas levemente esboçado.

Aqui no FatoReal, o assunto é encarado com um pouco mais de veemência  e frequência. Eu mesmo já publiquei alguns textos de minha autoria e de colaboradores, assim como diversos comentários acerca do tema.

Entretanto, tenho percebido que está acontecendo quase que uma revolução, tanto física como virtual (na internet). Esse ‘gelo’ em torno do tema ‘extorsão no jornalismo’ tem sido quebrado há alguns dias, com textos, posts, comentários nas redes sociais, como se houvesse um clamor, como se os jornalistas, os profissionais de comunicação de um modo geral – e em especial aqueles que ainda estão nas faculdades – pedissem ‘pelo amor de Deus’ para que os bandidos disfarçados de jornalistas deixem de cometer o terrível crime da extorsão.

Nos últimos dias, entretanto, para minha grata surpresa, o jornal de maior circulação de Roraima (Folha de Boa Vista), por meio de sua principal colunista, tratou abertamente desse tema. Pena que o jornal não libere para o público os comentários que certamente foram feitos sobre as notas que tratamos a seguir. Mas aqui no FatoReal é diferente: podem comentar à vontade. Vamos discutir amplamente essa questão.

A jornalista Shirley Rodrigues faz a junção perfeita. Começa abordando o tema sob a ótica familiar, afinal, quem tem uma família estruturada, quem foi criado e educado para evitar o crime e não fazer dele um meio de vencer na vida, pode até ser tentado, mas nunca será escravo e beneficiado pelo crime.

A importância da família

Nas notas que destaco abaixo, veiculadas no dia 10 deste mês, Shirley Rodrigues conclui que a origem de um criminoso é um contrassenso com a tradição convencional pregada pela família:

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Em Baixa

Apesar de ser a instituição de maior referência no mundo, ainda existe gente que não tem a mínima consideração pela família que é, na verdade, a base da sociedade. Um exemplo disso é que até a máfia italiana, a organização criminosa em atividade mais antiga do planeta, respeita a família. As temidas Al Qaeda e Yacuza também. Enfim, é público e notório que até para os criminosos mais perigosos a família é coisa sagrada. Então, há de se convir que o sujeito que não respeita família não pode ter respeito por mais nada nesse mundo.
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Da Família
Especialistas afirmam que há uma explicação lógica para o fato de condenados não tolerarem estupradores, especialmente os pedófilos. Tanto que, quando estes chegam às prisões, acabam sendo “punidos”. Ainda segundo os estudiosos, os presos fazem isso como uma forma de proteger suas famílias para que sirva de lição.
Afinal, pelo fato de estarem trancados em penitenciárias, suas esposas e filhas que se encontram aqui fora, ficam desprotegidas. Como se vê, mesmo para quem não se importa muito com a própria vida, a família ainda é o bem mais importante.

Da Família II
A propósito, como será que se classifica alguém que persegue e execra publicamente o único irmão, espanca o próprio pai e tenta matar a mãe atropelada?  Quem faz tudo isso sem a menor dor de consciência também não se incomoda de usar o nome de cônjuge para prática de crimes de extorsão, muito menos de dar mau exemplo aos  filhos, ganhando a vida chantageando as pessoas.
Na verdade, ninguém pode exigir nada de uma criatura que não respeita a sua própria família. Afinal, quem não considera a sua como poderá ter qualquer deferência pela família alheia?
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Tenho que dizer que concordo em gênero número e grau com as colocações da jornalista. Na edição do dia 11 de agosto, Shirley Rodrigues volta a falar sobre o trinômio família, jornalismo e crimes:

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Em Baixa

A prática criminosa de formações de milícias tem enriquecido muitos bandidos pela eficácia de suas ações. A coisa funciona mais ou menos assim: eles vão a um comerciante, por exemplo, e oferecem “proteção”. Este deve pagar uma quantia mensal para evitar assaltos, vandalismo, etc. Se não aceitar, eles próprios se encarregam de perturbar seu sossego até que o coitado os procure e pague. Em outras palavras, extorsão mesmo. Isso, infelizmente, tem servido de inspiração para bandidos de outras áreas. A internet é um exemplo disso.
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Também acrescentaria que na prática do crime de extorsão, como em outros, a bola de neve faz crescer a ambição e o final sempre acaba de forma trágica.

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Extorsão
A exemplo das milícias, um das modalidades de extorsão modernex funciona assim: bandidos montam um blog e saem na maior cara dura à cata de clientes – geralmente políticos – para oferecer seus “serviços”. Se a vítima não aceita, começa o achincalhe público. Não importa que a pessoa seja direita e tenha uma conduta incriticável, eles inventam.
Afirmam ter uma foto comprometedora, insinuam filhos fora do casamento, casos com menores, enfim, infernizam até conseguirem o que querem: dinheiro. A maioria paga só para se ver livre de chateações.

Extorsão II
Além dos que pagam os blogueiros mercenários só para não ter de se incomodar, há também aqueles que os contratam como espécie de pit bulls para atacar seus desafetos. Esses pagamentos não são declarados, pois são pagos informalmente, como eles próprios dizem, “por debaixo do pano”.
Desta forma, ganhando 5 mil de uns, 8 mil de outros (há quem pague até 15 e 30 mil reais mensalmente), eles vivem confortavelmente morando em mansões, truando de avião pra cima e pra baixo e fazendo constantes viagens ao primeiro mundo, tudo à custa de dinheiro advindo da extorsão velada.

Extorsão III
Quem é conivente com a prática criminosa da extorsão, da chantagem e da difamação das pessoas não pode dizer que é direito. Quem financia então – seja de forma omissa (só pra não se incomodar), seja de forma ativa (pagando pra atacar terceiros) é, na verdade, cúmplice.
A propósito, pessoas de bem mesmo não querem acordo com bandidos, muito menos são amigas nem fazem com eles qualquer negócio. Quem cede à chantagem, por comodidade ou por conveniência, vira refém para sempre e acaba se incomodando bem mais.

Extorsão IV
Aliás, não são poucos os exemplos de pessoas que cederam à extorsão velada e acabaram se dando muito mal. Os chantagistas, além de serem insaciáveis, não têm qualquer consideração por ninguém. Para eles, só o que conta é o dinheiro. Se está pagando é amigo, se deixar de pagar por qualquer motivo, se torna inimigo.
Muita gente que hoje virou alvo da maledicência contribuiu de alguma forma para fortalecer os criminosos que os difamam. A maioria, inclusive, passou anos e anos sustentando essas criaturas.
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Mas assim como existem os criminosos, pelo menos nestes casos, as vitimas acabam sendo cúmplices, pois pelo que me consta, a justiça nunca se negou a apreciar essas demandas. Entretanto, os políticos preferem o caminho mais fácil – ceder à chantagem, pagar a propina, ser vitima de extorsão –, sem saber que a bola de neve vai girar, os valores vão aumentar e assim sucessivamente.

Essa sede por mais e mais dinheiro acaba transformando os maus profissionais em mercenários insaciáveis, que aperfeiçoam suas técnicas, usam e abusam dos espaços em meios de comunicação, fazendo surgir verdadeiras quadrilhas associadas com outros interesses.

Na edição desta sexta-feira (12), Shirley Rodrigues voltou a comentar sobre o assunto. Em mais três notas, ela retrata a necessidade de se dar ‘um basta’, de se buscar a justiça para barrar essa onda de crimes. Roraima não pode ser vitima inerte da bandidagem.

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Em Baixa

Notas publicadas ontem aqui, na Coluna, sobre a prática de crimes de extorsão por blogueiros mercenários, tiveram grande repercussão nas redes sociais. Houve quem questionasse por que as “supostas vítimas” não procuravam a polícia para denunciar a ação de chantagistas. Na verdade, por ser complicado produzir prova da extorsão velada, as pessoas se fingem de desentendidas e acabam cedendo por comodidade ou conveniência. Mas a prova de que esse tipo de crime está crescendo a passos largos é a enorme quantidade de ações que tramitam na Justiça.
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Mercenários
As práticas criminosas dos blogueiros mercenários, que sem nenhum critério ético expõem as pessoas à execração pública com calúnias, injúrias e difamações, causando terríveis danos morais e psicológicos, especialmente nos familiares, têm como consequência óbvia dezenas de ações judiciais tramitando nas Varas dos Tribunais.
Entretanto, essa gente que não tem qualquer noção de limite continua debochando da sociedade e da própria Justiça. Se são processados por uma pessoa, então passam a atacar sua família, sem poupar sequer os filhos menores.

Mercenários II
A propósito, os crimes cometidos em páginas da internet, cujos donos ganham a vida extorquindo as pessoas, aliás, como fazem as milícias, são extremamente prejudiciais ao exercício da profissão de jornalista, uma vez que estes se autointitulam jornalistas também.
Definindo-se como “jornalistas opinativos”, eles invadem a privacidade das pessoas, fazendo comentários maldosos sobre suas vidas privadas, relatam fatos quem nunca aconteceram e achincalham quem bem entendem, inclusive com apelidos pejorativos. Ou seja, tudo que um jornalista de verdade jamais faria.
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Mas como a jornalista e colunista observou, em muitos casos os próprios políticos, empresários, homens públicos de órgãos como TCE-RR, MPE-RR, TJ-RR, etc., é que alimentam o esquema sujo e depois não sabem mais como parar. Isso faz com a extorsão ganhe novas conotações e os criminosos que a cometem ganhem novas finalidades.

O caso mais comum é o de políticos usarem esses mercenários que praticam a extorsão para atacar seus adversários. Antes esse serviço criminoso era feito por jornalistas e apresentadores de rádio e tv[bb], também criminosos, porém menos ousados. Mas as demandas judiciais deixaram os praticantes da extorsão – geralmente pessoas sem escrúpulos – com esta missão.

Existe um caso clássico em Roraima, cujo protagonista se gaba hoje de receber R$ 40 mil de um chefe de Executivo, R$ 15 mil de um senador, mais R$ 10 mil de uma parlamentar, esposa de um político. O interessante nessa história é que a propina não silencia o marginal quando o assunto é falar de um parente dela, também político.

Essa mesma pessoa receberia ainda R$ 10 mil de outros órgãos públicos, chegando ao cúmulo de extorquir nove dos 11 parlamentares federais de Roraima. Assim, haveria uma tabela, igual nas milícias citadas por Shirley Rodrigues, ou nas máfias Italianas, chinesas, japonesas, etc.: prefeito tem que pagar tanto, vereadores da capital um valor X, do interior outro e assim por diante.

Ao que parece, essa prática só vai diminuir ou – oxalá – desaparecer, quando mais vitimas, a exemplo do que fez o deputado estadual Mecias de Jesus (sem partido), se negar a pagar o preço da extorsão.

Nos primeiros meses, isso vai causar muito constrangimento (como está acontecendo agora): os criminosos tentarão expor negativamente sua figura política, bem como de familiares, assessores e amigos, mas esse pode ser um custo a ser recompensado a curto prazo, bastando que para isso a justiça entenda, mediante o protocolo de várias ações, que extorsão é crime e não jornalismo.

EM TEMPO: Estamos – o FatoReal e eu – sendo processados na justiça estadual, por um pseudojornalista, mercenário e extorsionário, que nos acusa de calúnia e difamação e ainda tem a coragem de pedir indenização. Ou seja, mais uma tentativa de extorsão, mas dessa vez vai ‘dar com os burros n’água’, como se diz no Nordeste. Este texto, certamente será somente mais um a se tornar munição para outro processo.

Mas tudo bem, que assim seja. O meu consolo é que a justiça um dia será feita, senão a dos homens, com certeza a de Deus não falhará.

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

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2 comentários sobre “Família, jornalismo, crime e extorsão”

  1. Antonio Santos disse:

    Amigo Wirismar… vcs jornalistas ~e que devem mesmo promover uma campanha para parar com eses crimes denuncie diga os nomes e assim esses crimionosos vao se mancando..

  2. nomes para quê!! quem acompanha as tribunas locais já até sabe quem são esses jornalistas passa fome que se vendem para o Diabo para comer caviar… mas tá chegando a hora… o fim dessa festinha regada com o dinheiro público… A dilma tá apenas afiando sua navalha… e diga-se de passagem já começou… olha Ministério do Turismo ai… só começou…

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