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FICHA LIMPA – Por que a lei vale em MG e aqui não?

Se Minas Gerais fosse Roraima… ai, ai, ai! Primeira vítima da lei ficha limpa não será candidato porque abusou dos meios de comunicação (só lá, gente, Roraima não tem nada a ver com essa história).

Ex-prefeito de Montes Claros (MG), o agora candidato a deputado estadual Athos Avelino Pereira (PPS) teve candidatura indefinida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

Ele abusou dos meios de comunicação quando era prefeito. Foi candidato a reeleição em 2008, ficou em segundo colocado, mas o TRE-MG meteu a faca nele agora – transformando-o no primeiro caso no Brasil.

Quem vai fazer cumprir a lei?

Quem será que tem interesse que o Ministério Público Eleitoral e o TRE não faça nada nesta campanha (apuração de crimes)? O professor Zequinha Neto disse hoje no Twitter (@zequinha__neto): “Vergonha, se o presidente não respeita a justiça eleitoral, o que esperar de um simples radialista?”

Nem mesmo aqueles que são vitimas ou presenciam crimes eleitorais se motivam a denunciar. Acham que não é o papel do cidadão, mas é. MPE, Igreja, OAB, partidos políticos, oposição, etc., cada um tem um papel a ser desempenhado. Entidades estão omissas e órgãos estão descrentes. Dá a impressão que o grupo governista tem a autorização superior para cometer crimes, abusos, comprar votos etc. É triste ver isso.

Desde 1988, tenho trabalhado em campanhas políticas – 12 eleições. Essa campanha é a primeira onde ninguém parece ligar para crimes eleitorais. Entre ver e agir há praticamente um alfabeto: A de ATITUDE, B de BOA VONTADE DAS AUTORIDADES, MPE, TRE…

Eles tudo podem, porque têm o poder?

Assim fica a impressão de que por parte do grupo governista tudo é permitido. Já para os “oposicionistas” só sobram processos e multas.

O problema é que o MPE é o fiscal da lei, mas não pode fazer tudo sozinho e quando tem a oportunidade deixa parado. Se o MPE e o TRE não tomarem providências, ficará feio tamanha conivência. Desmoraliza o pleito. Aos partidos também cabe denunciar.

Além de fazer propaganda eleitoral ilegal, radialistas fazem propaganda negativa dos adversários do governador. Eles estão cientes da impunidade. A forma como meios de comunicação como a 93 FM (Equatorial) estão sendo usados politicamente, chega a envergonhar as pessoas de bem de Roraima.

Os meios de comunicação ligados ao grupo governista continuam agindo como se estivessem na Venezuela, onde tudo é permitido. O radialista Mário César antecipa o horário eleitoral e na Rádio Equatorial, fazendo todo dia propaganda para Anchieta Júnior. Ninguém vê (ou ouve) isso?

Por que a opção pela coação?

Antes de pressionar os servidores para pedirem votos, não deveriam conquistar os votos dos servidores? Lógica incompreensível. O pleito de 2010 entrará para a história como a eleição do CORRE FROUXO. TRE diz que não tem como fiscalizar e ainda desmonta o disque-denúncia. Vai entender.

Você convence e vence, sem convencer corre risco de perder. Coação é um meio ultrapassado, desonesto e crime eleitoral grave. Não é melhor dar liberdade para os servidores escolherem quem eles acreditam que seja o melhor?

Infelizmente, não devemos esperar investigação sobre isso. Quem terá coragem de investigar? A falta de fiscalização esta fazendo a festa do grupo governista que pressiona todos para irem na marra para a rua.

Campanha política, ou picadeiro?

Roraima só perde para o Amazonas em número de candidatos a deputado estadual. Tocantins, Estado rico e com população três vezes mais que Roraima, tem metade. Em Roraima, são quase 500 candidatos contra pouco mais de 200 em Tocantins. Tem político demais e solução de menos para os nossos problemas.

Muitos saem candidatos em Roraima apenas para, LITERALMENTE, aparecer ou ganhar alguns trocados. Chances mesmo tem pouco mais que o dobro das vagas. Nos outros Estados, a política é levada mais a sério e “candidatos-buchas”, com menos de 200 votos, são sequer aceitos. Aqui parece um picadeiro.

A cada eleição, além daquelas “figuraças” que já conhecemos, surgem os novatos, sem nenhuma chance, mas que nos fazem rir bastante.

Caça aos votos de Ottomar

E haja candidato apelando até para os defuntos. O brigadeiro Ottomar Pinto que o diga. Depois de morto, o velho brigadeiro virou o espelho da maioria dos políticos locais. É tanta gente disputando o legado deixado por Ottomar, quem não se sabe como vai ficar no final.

Senão vejamos: Anchieta diz, em todos os seus discursos que aprendeu a fazer política com Ottomar (sério?). Tem também as herdeiras (de família) que também tentam convencer o eleitorado que merecem a transferência de voto: a viúva Marluce Pinto (disputa o Senado); as filhas Otilia (candidata a deputada estadual) e Marília (candidata a vice-governadora na chapa de Neudo Campos).

Tem ainda outras figuras, como o fotógrafo e amigo pessoal de Ottomar, Alfredo Maia, candidato a deputado estadual, que mandou adesivar seu carro com fotos dele com Ottomar.

WIRISMAR RAMOS – da Redação (e-mail: wirismar@gmail.com)

  • Caro Wirismar, uma correção, Marluce Pinto não é ex-mulher de Ottomar e sim, viúva.

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